sábado, 27 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
A importância da filosofia em nossas vidas
Luiz Carlos Nogueira
nogueirablog@gmail.com
Conforme Bertrand Russel[1], [...]“A filosofia, como todos os outros
estudos, visa em primeiro lugar o conhecimento. O conhecimento que ela tem em
vista é o tipo de conhecimento que confere unidade sistemática ao corpo das
ciências, bem como o que resulta de um exame crítico dos fundamentos de nossas
convicções, de nossos preconceitos, e de nossas crenças.[...] “Assim, em grande
medida, a incerteza da filosofia é mais aparente do que real: aquelas questões
para as quais já se tem respostas positivas vão sendo colocadas nas ciências, ao passo que aquelas para as quais não foi
encontrada até o presente nenhuma resposta exata, continuam a constituir esse
resíduo a que é chamado de filosofia.[..] [Negritei]
Adam Smith[2],
explicava que: “[...]Muitas melhorias
foram realizadas graças à engenhosidade dos que fabricavam máquinas, quando
fabricá-las se tornou um negócio e uma atividade específicos; e algumas foram
projetadas por aqueles que são chamados de filósofos, ou homens de especulação
intelectual, cuja ocupação era a de não fazer nada a não ser observar tudo, e
que, nessa qualidade, frequentemente são capazes de juntar e combinar os
potenciais de coisas as mais distantes e dessemelhantes. Na evolução
da sociedade, a filosofia ou especulação intelectual torna-se, como qualquer
outro emprego, a principal ou única atividade e ocupação de uma classe
específica de cidadãos. Como qualquer outro trabalho, também é subdividida em
um grande número de setores diferentes, e cada um deles oferece ocupação para
uma categoria, ou classe, de filósofos; e essa subdivisão do emprego na atividade da filosofia, como em
qualquer outro negócio, incrementa a perícia e economiza tempo. Cada indivíduo
torna-se mais perito em seu setor específico, mais trabalho é realizado como um
todo, e quantidade de conhecimento é consideravelmente aumentada por isso.”
[Negritei]
Assim é que a filósofa
contemporânea Marilena Chauí[3], em seu livro Convite à Filosofia, lista e define os
vários ramos da filosofia, conforme seguem:
“1- A Ontologia ou metafísica: ou seja, a ontologia é palavra grega que significa a Ciência do Ser, que aplicada ao ser humano ela designa o Conhecimento das leis divinas, o qual ele pode e deve adquirir no decurso da sua evolução espiritual, que para a filósofa, trata do conhecimento dos princípios e fundamentos últimos de toda a realidade, de todos os seres;
2- A Lógica:
que trata do conhecimento das formas
gerais e regras gerais do pensamento correto e verdadeiro, independentemente dos conteúdos pensados;
regras para a demonstração científica verdadeira; regras para pensamentos
não-científicos; regras sobre o modo de expor os conhecimentos; regras para a
verificação da verdade ou falsidade de um pensamento, etc.;
3- A Epistemologia: análise crítica das ciências, tanto as ciências exatas ou matemáticas, quanto as naturais e as
humanas; avaliação dos métodos e dos resultados das ciências; compatibilidades
e incompatibilidades entre as ciências; formas de relações entre as ciências,
etc.;
4- A Teoria
do conhecimento ou estudo das diferentes modalidades de conhecimento humano:
o conhecimento
sensorial ou sensação e percepção; a memória e a imaginação; o conhecimento
intelectual; a idéia de verdade e
falsidade; a idéia de ilusão e
realidade; formas de conhecer o espaço e o tempo; formas de conhecer relações;
conhecimento ingênuo e conhecimento
científico; diferença entre conhecimento científico e filosófico, etc.;
5- A Ética: estudo dos valores morais
(as virtudes), da relação entre vontade e paixão, vontade e razão; finalidades
e valores da ação moral; idéias de liberdade, responsabilidade, dever,
obrigação, etc.;
6- A Filosofia
política: estudo
sobre a natureza do poder e da autoridade; idéia
de direito, lei, justiça, dominação, violência; formas dos regimes políticos e
suas fundamentações; nascimento e formas do Estado; idéias autoritárias, conservadoras, revolucionárias e libertárias; teorias da
revolução e da reforma; análise e crítica das ideologias;
7- A Filosofia
da História: estudo
sobre a dimensão temporal da existência humana como existência sociopolítica e cultural; teorias do
progresso, da evolução e teorias da descontinuidade histórica; significado das
diferenças culturais e históricas, suas razões e conseqüências;
8- A Filosofia
da arte ou estética: estudo das formas de arte, do trabalho artístico; idéia de obra de arte e de criação; relação
entre matéria e forma nas artes; relação entre arte e sociedade, arte e
política, arte e ética;
9-A Filosofia da linguagem: a linguagem como manifestação da humanidade do homem; signos, significações; a comunicação; passagem da linguagem oral à escrita, da linguagem cotidiana à filosófica, à literária, à científica; diferentes modalidades de linguagem como diferentes formas de expressão e de comunicação;
10- A História
da Filosofia: estudo
dos diferentes períodos da Filosofia e de seu papel ou finalidade."
Por conseguinte, a título de exemplo, inicialmente a teoria atomística[4],
segundo se tem notícia, começou a ser formulada na Grécia, mais ou menos no
quinto século A.C, pelos filósofos Leucipo e Demócrito, sendo que este último
afirmava que o universo é constituído de um elemento único, denominado de
átomo, que seria uma partícula invisível, indivisível, impenetrável e animada
de movimento próprio, cujas vibrações são as que provocam todas as nossas
sensações.
Tais idéias de Demócrito,
foram registras nos poemas de Lito Lucrécio, poeta romano de grande nomeada
(95-52 A .C.),
em seu livro livro "De Rerum Natura", de muita repercussão na época
do Renascimento.[5]
Todavia, teria sido Leucipo de
Mileto (mais ou menos 500 a .C)
que deu o nome de átomo a essa partícula,
por decorrência semântica da palavra grega “A-TOMOS”, que significa algo que
não se pode dividir — indivisível. Para Leucipo, assim como o número infinito
de átomos, o vácuo não só existia em nosso mundo, mas também no espaço infinito
do cosmos, no qual existiam uma quantidade infinita de outros mundos.
Mas teria sido Demócrito de Abdera
(mais ou menos 460 a .C),
por ter sido discípulo de Leucipo, que explicou que a matéria era constituída
de partículas em movimento pérpetuo, e dotadas das seguintes características:
a-) a indivisibilidade; b-) a invisibilidade, pelo fato de serem absurdamente
pequenas; c-) a solidez; d-) a eternidade, por ser perfeita; e-) de diferentes densidades
e cercada por espaços vazios, razão pela qual se movimentavam com extrema
velocidade, alem de: f-) serem e dotadas de um número infinito de formas, o que
explicada as diversidades na natureza.
Portanto, a idéia básica desses dois filósofos gregos, Leucipo
e Demócrito consistia de que: no universo há duas coisas, os átomos e o
vácuo, de tal sorte que o mundo é um composto de montes de matéria existindo
num vazio total. Os átomos, diziam eles, são substâncias sólidas, infinitos em
número e forma e, muitíssimos pequenos
para serem vistos. Além disso, um átomo não poderia ser cortado ou dividido de
qualquer maneira, e é completamente sólido. Todos os átomos estão perpetuamente
se movimentando no vácuo.
Como se vê, foi através da meditação e reflexão desses
filósofos é que se chegou a conhecer a existência dos átomos, porque na época
em que eles viveram, sequer havia um aparelho que permitisse que um átomo fosse
visto. Do contrário nenhum cientista da atualidade teria aperfeiçoado esse
conhecimento, mas assim mesmo porque desenvolveram aparelhos capazes até de
fotografá-los.
Há controvérsias de que a teoria atomista não teria nascido
na Grécia, mas sim, na Índia, como conseqüência da filosofia Vaiseshika, que já dizia ser a matéria formada de átomos
indestrutíveis. De tal sorte, para os indianos a matéria era composta de
partículas quase que infinitamente pequenas, por isso invisíveis aos olhos
humanos, e que poderia se degradar, quando os “laços” entre os átomos se
rompessem no final dos tempos para se reagruparem e reorganizarem em um novo
mundo que seria formado. Mas seja de que forma for, o surgimento da idéia da existência
do átomo, primeiramente ocorreu através da especulação intelectual ou sabe Deus,
se através de inspiração mística que pôde conduzir a uma exploração científica
que acabou por concluir que a formulação de tal idéia tinha agora uma realidade
concreta.
O Professor Paulo César, em seu excelente
trabalho no Portal de
Estudos em Química, ensina que Em 1808, John Dalton a partir
da idéia filosófica de átomo estabelecida por Leucipo e Demócrito, realizou
experimentos fundamentados nas Leis Ponderais, propôs uma Teoria Atômica,
também conhecido como modelo da bola de bilhar, a qual expressa, de um
modo geral, o seguinte:
![]() |
O átomo é constituído de partículas
esféricas, maciças, indestrutíveis e indivisíveis.
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A combinação de átomos de elementos
diferentes, numa proporção de números inteiros, origina substâncias químicas
diferentes.
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Numa transformação química, os átomos
não são criados nem destruídos: são simplesmente rearranjados, originando
novas substâncias químicas.
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Elementos químicos diferentes
apresentam átomos com massas, formas e tamanhos diferentes.
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Um conjunto de átomos com as mesmas
massas, formas e tamanhos apresenta as mesmas propriedades e constitui um elemento
químico.
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Os símbolos de Dalton não eram
muito diferentes dos símbolos mais antigos da alquimia, porém traziam uma inovação. Cada átomo possuía um
símbolo próprio e a fórmula de um composto era representada pela combinação
destes símbolos.
A nomenclatura utilizada por Dalton, que é
basicamente a mesma utilizada até hoje, foi introduzida pelo Francês Antoine
Lavoisier, em 1787, no livro Methods of Chemical Nomenclature. Antes
de ser decapitado, em 1794 na revolução francesa, entre outras coisas,
Lavoisier escreveu o livro Reflexions sur le Phlogistique (1783), que
terminou com a teoria do flogistico e também escreveu o livro Traité
Élémentaire de Chimie, em 1789, que é considerado como o primeiro livro da
Químicamoderna.
O uso de símbolos abstratos só terminou por volta
de 1813-1814, com Berzelius, que, além de ter isolado o cálcio, bário,
estrôncio, silício, titânio e o zircônio, também descobriu o selênio, o tório e
o césio. Quando Berzelius decidiu que era hora de mudar as coisas ele realmente
mudou. Tendo em vista que os símbolos antigos não eram fáceis de escrever,
desfiguravam os livros e não colaboravam em nada para a sua memorização,
Berzelius propôs que os símbolos fossem representados por letras, baseadas na
letra inicial do nome em Latim de cada substância elementar.
Com algumas alterações, os símbolos dos elementos
continuam os mesmos até hoje.
Nota:
Antoine-Laurent de Lavoisier é sempre mencionado, como tivesse dito: "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Há quem contesta e afirma
que essa frase teria sido atribuída erroneamente a ele, posto que tal enunciado
remonta ao filósofo, físico, matemático e astrônomo grego Anaxágoras de
Clazómenas (500 – 428 a .C),
muito antes de Lavoisier: "Nada nasce nem se perde mas
as coisas existentes se combinam, depois se separam novamente"
[1] Russel, Bertrand, in Os Problemas da Filosofia, 1912, Oxford University Press, 1959,
reimpresso em 1971-2, Capítulo XV, O
Valor da Filosofia.
[2] Smith, Adam, “A Mão
Invisível”; tradução Paulo Geiger -1ª ed. —São Paulo: Peguin Classics Companhia
das Letras, 2013.
[3]
Chaui, Marilena, "Convite à Filosofia",
unidade 1, cap. 5, Ed.Átrica, São
Paulo,2000
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