quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Lâmpada do Átrio

Autor: Ir Paulo Roberto Marinho
ARLM Vetúrio Gomes dos Santos nº 132 – GLMERJ

Peço a vossa sabedoria que providencie a troca para que as luzes do Átrio não fiquem em desarmonia, tendo uma de suas lâmpadas sem função nenhuma.

– Venerável Mestre, peço a palavra.

– Podeis falar, Irmão Cobridor.

– Venerável Mestre, Irmão 1º Vigilante, Irmão 2º Vigilante, Irmão etc., etc., etc., etc., etc.,…

– Irmão Cobridor, podeis falar, por favor!

– Venerável Mestre: há tempos notei, mais precisamente há um ano, que uma das lâmpadas do Átrio está queimada. Peço à vossa sabedoria que providencie a troca para que as luzes do Átrio não fiquem em desarmonia, tendo uma de suas lâmpadas sem função nenhuma.

– Justificável a sua queixa e pedido, meu Irmão, mas, como o Irmão sabe, ao Venerável cabe a presidência da Oficina e qualquer coisa que se faça, principalmente envolvendo custos que onerem os Metais da Loja, a assembleia tem que deliberar a respeito. Para isso, concedo a palavra aos Irmãos que queiram se manifestar sobre a proposta do Irmão Cobridor.

– Venerável Mestre, peço a palavra.

– Atenção, meus Irmãos. O primeiro Obreiro se manifestará a respeito da proposta do Irmão Cobridor para a troca da lâmpada queimada do Átrio. Podeis falar, Irmão Orador.

– Venerável Mestre, Irmão 1º Vigilante, Irmão 2º Vigilante, Irmão etc., etc., etc., etc., etc….

– Meu Irmão, podeis falar, por favor; meus Irmãos, vamos dispensar daqui em diante as fresc… Desculpe, os tratamentos e citações de praxe.

– Venerável Mestre, a troca de uma lâmpada queimada no mundo profano pode parecer uma coisa simples de resolver, mas não é em nossa Sacrossanta Instituição. Portanto, Venerável Mestre, peço à vossa sabedoria que nomeie uma comissão especial afim apresentar um parecer sobre a substituição da lâmpada do Átrio, considerando:
1º- saber as causas da queima da lâmpada; 2º- como retirar a lâmpada queimada sem perda fluídica que a mesma gerou em toda sua existência; 3º- como instalar a nova lâmpada sem que haja rejeição metafísica pelo desequilíbrio de fótons no ambiente do Átrio; e, finalmente, que haja o máximo cuidado com relação às origens da Lâmpada a ser adquirida.

– Bem pensado, meu Irmão. O Irmão sempre nos brinda com seus conhecimentos. Vamos escolher os membros da comissão com o máximo cuidado e informaremos sobre as suas recomendações.

– Venerável Mestre, peço a palavra!

– Ora! Muito bem. Vejo que mais um Irmão se dispõe a colaborar nesta tarefa que engrandecerá o trabalho coletivo desta Oficina. Podeis falar, Irmão Mestre Arquiteto.

– Venerável Mestre, enalteço os cuidados do Irmão que solicitou a Comissão Especial para a substituição da Lâmpada queimada do Átrio e, ressalvo, que cuidados outros especiais também devemos ter nesta tarefa técnico-mística, a saber: a logística. Temos um Irmão no quadro da Oficina que exerce a profissão de engenheiro eletricista e que poderá fornecer uma lista completa das ferramentas e outros utensílios, bem como materiais de consumo necessários à operação e o tipo da escada que, verdade seja dita, um dos símbolos mais importantes de nossa Ordem.

– Muito bem, meu Irmão. Com certeza nosso Irmão Engenheiro eletricista aceitará de muito bom grado esta gloriosa oportunidade de colaborar com seus préstimos. Só estou preocupado com esta escada. Pode ser de 33 degraus?

– Creio que não, Venerável Mestre. É muito longa e, por isso, às vezes inútil. Pediremos uma emprestada aos Irmãos do Rito Moderno, eles tinham uma escada de sete degraus, que seria o ideal. Agora, têm uma de nove, mas serve.

– Hummm… Sei não… Esse Rito é meio estranho.

– É uma questão de raciocínio, Venerável Mestre.

– Tá bom! Tá bom… Deixa isso prá lá.

– Venerável Mestre, peço a palavra.

– Podeis falar, Irmão 1º Vigilante.

– Venerável Mestre, vejo a grande importância em que está se tornando o evento e isso exige que sejam apresentadas Peças de Arquiteturas alusivas ao ato antes de sua realização. Portanto, solicito aos nossos Irmãos Aprendizes que façam uma pesquisa no Google sobre a iluminação do Templo e suas nuances, influências psicossomáticas e espirituais.

– Ora, muito bem Irmão 1º Vigilante. Irmãos Aprendizes, debrucem com todas suas forças para copiar e colar o material pesquisado sobre este magnífico tema apresentado pelo nosso Irmão 1º Vigilante, e que as Peças de Arquitetura estejam prontas antes da data marcada para a troca da lâmpada do Átrio.

– Venerável Mestre, peço a palavra.

– Podeis falar, Irmão Mestre de Cerimônias.

– Venerável mestre, estive certo dia em outra Loja de outra Obediência e notei que havia no Átrio uma lâmpada colorida. E se colocássemos uma lâmpada desse tipo…

– Venerável mestre! O Irmão Mestre de Cerimônias está tentando enxertar em nosso Templo uma lâmpada de outro Rito! Isso é um absurdo! Irá macular o nosso sacrossanto Átrio!

– Calma meu Irmão Past Master. O Irmão Mestre de Cerimônias está com a palavra, deixemo-lo falar com a devida tolerância. Podeis falar, meu Irmão.

– Bem… Venerável Mestre, de fato a lâmpada é de outro Rito, mas é tão bonitinha. Imaginei que na hora que fizermos aquele quarto de hora de preleções no átrio – que representa o purgatório de nossos pecados – pois, como todos dizem, lá deixamos tudo que é coisa ruim antes de entrarmos no Templo, poderemos acender unicamente esta Lâmpada; nela concentraremos todas as nossas paixões e vícios para lá fora as deixarmos.

– Veja, Irmão Past Master. A sugestão do Irmão Mestre de Cerimônias se justifica. Entraremos no Templo puros e limpos. E, ao sairmos e apagarmos aquela lâmpada, iremos recolher de volta tudo que lá deixamos, percebeu? Os Irmãos que aprovam que a lâmpada substituta seja… Que cor será a lâmpada, meu Irmão?

– Vermelha, Venerável Mestre.

– Os Irmãos que aprovam que a lâmpada substituta seja vermelha, fiquem como estão… Aprovado, meus Irmãos.

– Venerável Mestre, peço a palavra.

– Podeis falar, Irmão Hospitaleiro.

– Venerável Mestre, como Vossa Sabedoria disse no início deste profícuo debate sobre a troca da Lâmpada queimada do Átrio, há custos. Sugiro, portanto, que os Irmãos sejam mais bondosos em suas participações no Tronco de Solidariedade para que possamos obter a verba necessária à realização do evento. Sabemos que o produto do Tronco tem como destino o socorro às Viúvas e aqueles que batem em nossa porta em busca de auxílio mas, sabemos também, que sempre há e haverá exceções para outras necessidades que se apresentem importantes como os ágapes, a aquisição de medalhas, a confecção de diplomas e outros mimos. Por isso nada há de errado em usarmos os metais do Tronco para o evento ora em planejamento.

– Meus Irmãos, ouvistes as sábias palavras do Irmão Hospitaleiro. Assim, peço aos Amados Irmãos que não colaborem apenas com os costumeiros dois reais. Lembrem que, dependendo dos recursos obtidos, faremos uma plaqueta que, com cerimonial apropriado, será afixada no Átrio com os nomes de todos aqueles que participaram de memorável ato, sendo tudo registrado no livro da história da Loja mas, principalmente, em nossos corações. (Bateria incessante – Aplausos)

– (Depois de simular lagrimas e grande pausa para aumentar os aplausos…) Oh…meus Irmãos; não sou merecedor de tamanho louvor. Muito obrigado, faltam-me as palavras…sniff…(Mais aplausos).


Fonte: Revista Universo Maçônico – Clique aqui para conferir

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Qual é a vantagem ser caridoso?


Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com



Recebi um e.mail de um amigo, que não tenho autorização para revelar o nome, com o seguinte questionamento que acabei aproveitando para fazer este artigo. Eis o teor do e.mail:




A pergunta abaixo foi feita por uma amiga minha. Eu ainda não respondi, mas repasso porque achei interessante e gostaria de saber a opinião.

Para você, faz sentido essa pergunta? Se sim, tem uma resposta?

"Essa semana, antes de dormir, sapecou uma questão na minha cabeça .. e eu perdi muito tempo pensando nela. Aí quero saber o q vcs pensam também.

Sem dogmatismos e pré-conceitos. Tentem esquecer todos as impressões formadas até agora e de modo racional desenvolver o tema.

Por que devemos praticar a caridade e ajudar os semelhantes?

**caridade no sentido de fazer algo EXCLUSIVAMENTE em benefício do outro, sem pensar que isso pode voltar pra vc, seja por que via for. Ou pq ser ajudado é legal.

**Excluindo totalmente o "eu" da equação e ficando só o outro -> Então qual a vantagem em ser caridoso?"

ESTA É A MINHA RESPOSTA


Meu amigo "incógnito", primeiro tenho que lhe dizer que possuo uma admiração por você, por ser uma pessoa de boa índole e que não obstante seja muito jovem, tem uma postura de honestidade, boa-vontade, dedicação ao trabalho é também educado e além do mais tem espírito perquiridor. É bom termos amigos assim. De tal sorte vou expressar o que penso sobre a questão proposta:


Ca.ri.da.de (substantivo feminino), tal como define os nossos dicionários, no sentido corriqueiro, significa:

“1 Ação ou resultado de fazer o bem a quem necessita.: (Fez uma caridade ao doar os alimentos.)

2 Sentimento e atitude de apoio aos necessitados: Demonstrava caridade em seu trabalho social.

3 Ajuda ou doação em favor de pessoas necessitadas.”


Assim, o sentido da palavra “caridade” aparenta-se vazia. Me parece um vocábulo quase desprovido de sentido se não considerarmos as razões de ordem religiosa e filosófica, para situarmos em nossa resposta.


Por exemplo: um cristão pratica a caridade em nome de Deus, porque acredita na Bíblia que justifica esse seu tipo de ação. Assim é que podemos dizer que o cristianismo (se as pessoas são verdadeiras e honestas em sua crença) influencia tal modo de agir. Aliás, todas as religiões, em princípio, estão voltadas, apesar dos seus dogmas e suas verdades — para a prática do bem. Seus seguidores praticam-no, ou por estarem imbuídos desse espírito religioso ou por medo do castigo eterno post-mortem. A meu ver esta segunda hipótese não autoriza dizer que isso é caridade — é medo. A pratica da caridade tem que ser espontânea e sem esperar nada em troca.


Cristãos espíritas, católicos e evangélicos praticam a caridade por tomarem-na como uma obrigação bíblica, ou por medo das conseqüências de não praticá-la:


(Essa advertência também está no capitulo XV do Evangelho Segundo O Espiritismo, de Allan Kardec, que não difere da Bíblia CristãFora da caridade não há salvação)


“Ora, quando o filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono de sua glória; - reunidas diante dele todas as nações, separará uns dos outros, como o pastor separa dos bodes as ovelhas, - e colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda.


Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; - porquanto, tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; careci de teto e me hospedastes; - estive nu e me vestistes; achei-me doente e me visitastes; estive preso e me fostes ver.


Então, responder-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes.


Dirá em seguida aos que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos de mim, malditos; ide para o fogo eterno, que foi preparado para o diabo e seus anjos; - porquanto, tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber; precisei de teto e não me agasalhastes; estive sem roupa e não me vestistes; estive doente e no cárcere e não me visitastes.


Também eles replicarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome e não te demos de comer, com sede e não te demos de beber, sem teto ou sem roupa, doente ou preso e não te assistimos? - Ele então lhes responderá: Em verdade vos digo: todas a vezes que faltastes com a assistência a um destes pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo.


E esses irão para o suplício eterno, e os justos para a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XXV, vv. 31 a 46.)”


E isso não é diferente para os mómons (Livro de Mórmon):


Por exemplo, em Morôni 7:46-47, está escrito: "Portanto, apegai-vos à caridade, que é, de todas, a maior, porque todas as coisas hão de falhar - Mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre" (Morôni 7:46-47).


Alma 34:28 (as orações não são respondidas, a menos que tenhamos caridade)


Por outro lado, mesmo considerando que o indivíduo seja um ateu, a caridade ou o altruísmo que ele pratica, não é senão um reflexo do seu próprio temperamento ou disposição da alma se assim podemos dizer. Ser ateu não significa ser psicopata, pois o psicopata não tem sentimento de humanidade. Para o psicopata não existe padrões de comportamento que envolvam compassividade, equanimidade, justeza, etc. — mas apenas o alto grau de egoísmo para satisfazer apenas a si próprio.


Se no mundo não tivesse pessoas sensíveis aos problemas de outras pessoas, então estaríamos vivendo no mundo só de feras — o que daí não seria muito apropriado dizer que fazemos parte da humanidade. Então seria o caso de que só se deve praticar a caridade, se se apegassem à logica de que se resultar ganho ou proveito para si próprio praticá-la?


Neste caso, se não houvessem pessoas que por decorrência da sua própria disposição da alma, que fossem sensíveis aos problemas humanos, e que só se apegassem à logica de que não há ganho ou proveito para si próprio em praticar a caridade, então estariamos vivendo num mundo de seres egoístas e psicopatas.


No campo da filosofia mesmo invocando a questão religiosa, podemos refletir sobre duas posições:


1ª- Mesmo os ateus ou céticos poderiam se dispor em eliminar a dúvida em favor da obediência aos conselhos religiosos, como por exemplo Pascal, há mais de 300 anos passados, disse que: "Você tem de apostar. Não é opcional. Você já está envolvido. Vamos pesar o ganho e a perda de apostar na existência de Deus. Façamos uma estimativa destas duas alternativas. Se ganhar, você ganha tudo. Se perder, não perde nada. Aposte, então, sem hesitação, que Ele existe."


Ora, pelo sim e pelo não, existindo Deus ou não – o melhor caminho é escolher a pratica do bem e da caridade. O que ganhamos na omissão? O mal pode se espalhar em proporções enormes até que um dia nós mesmos poderemos ser suas vítimas.


2ª- De certa forma este raciocínio pode parecer que se contrapõe ao primeiro, mas se bem refletirmos ele está na verdade consentâneo. Existe uma história religiosa na qual um rabino a quem perguntaram se é mais apropriado agir como se Deus não existisse. E ele respondeu: "Sim, pois quando pedirem a você que seja caridoso, você deve sê-lo como se não houvesse Deus a ajudar o objeto da caridade."


Ora, Bertrand Arthur William Russell, 3° Conde de Russell (18 de maio de 1872, Trellech, Monmouthshire, Gales - 2 de fevereiro de 1970, Penrhyndeudraeth, Gales) foi um filósofo, matemático e escritor britânico ateu, numa entrevista à a BBC gravou uma entrevista para o programa Face to Face, disse:


“Se vamos viver juntos, e não morrer juntos, devemos aprender um pouco de caridade e um pouco de tolerância, que é absolutamente vital para a continuação da vida humana no planeta”.


A meu modo de ver, penso que somente os seres inteligentes e por isso mesmo — sensíveis, podem independentemente de serem religiosos, praticarem a caridade sem perguntar se nela existe vantagem para si mesmo excluindo a humanidade, uma vez que ninguém é uma ilha que não dependa de outrem para sobreviver neste mundo. De tal forma que é desnecessário perguntar se existe vantagem em praticar o mal em vez de fazer o bem. Do contrário qual também seria a vantagem de viver, quando se pensa que não há um sentido para a vida?


Todavia, há quem diga na visão marxista, como Paul Lafargue, que :


[...] “A caridade cristã que apenas pede humildemente ao rico uma pequena parcela do supérfluo, é uma virtude que proporciona grandes benefícios, pois sem alterar os seus costumes, sem refrear os seus vícios, sem condenar os seus prazeres, sem exigir o menor esforço físico ou intelectual e sem grandes dispêndios, proporciona a satisfação moral de crêr-se um bemfeitor todo aquele que a pratica e de procurar-lhe o efeito social próprio de todo o acto generoso, garantindo-lhe, a baixo preço, um lugar reservado no paraíso, pois, segundo S. Pedro «a caridade apaga infinidade de pecados». "[...] A caridade é a cínica expectativa que corrompe o pobre, envilece a sua dignidade e acostuma-o a suportar com paciência a sua iníqua e miserável sorte.” “[...] A classe capitalista, que se desinteressa das causas da criminalidade que a civilização provoca, interessa-se, todavia, na repressão dos delitos e dos crimes, afim de proteger os seus membros contra as reivindicações individuais e anarquistas dos pobres. Os homens políticos, os moralistas e os filantropos têm-se dedicado a aperfeiçoar o regime penitenciário, e de tal forma o têm conseguido, que o seu desenvolvimento pode ser tomado como medida de civilização dum povo. Há um século, têm-se multiplicado os cárceres, os presídios e as colónias penitenciárias, importando-se dos Estados Unidos a espantosa prisão celular. A exploração burguesa não perde os seus direitos sôbre os presos, os quais constituem uma fonte de receita para os que fazem trabalhar e um meio de reduzir os salários do trabalho livre.


Não conseguindo a repressão brutal reduzir o número crescente dos criminosos que a sociedade capitalista forja, viu-se obrigada a imitar a Inglaterra de Isabel e estabelecer instituições de caridade, assistência pública, fatia de pão, hospitais que proporcionam aos estudantes e aos doutores meios de prática e de estudo, asilos que durante a noite limparam a rua de vagabundos perigosos para os passeantes, etc.... O medo é a mãe da caridade pública. Os burgueses puzeram em moda a caridade, quer praticando a filantropia a 6% com os alugueres operários, quer abrindo subscrições públicas em que tomam parte ou como méro passatempo. Para as senhoras do capitalismo, a caridade é um pretexto para intrigar em comissões organizadoras de festas deste género, para bailar, flirtear, comer pasteis e beber «champagne» nos bazares de caridade. Os pobres servem para tudo: — os senhores capitalistas tiram deles proveito, e prazeres as senhoras. Os pobres são, para êles, uma bênção do bom Deus. Só por Jesus ter dito: «haverá sempre pobres entre vós», creriam na sua divindade.


A classe capitalista que, sistematicamente, empobrece e desorganiza a classe trabalhadora, julga-se segura contra tôda a reivindicação colectiva, pela sua falta de coesão, pela sua miséria económica e fisiológica e pelos sabres e baionetas dos polícias e dos soldados. Porém, o admirável valor, a inquebrantável resistência e a formosa disciplina, da qual os trabalhadores têm dado prova em algumas grandes greves, que duram semanas e meses, são demonstrações inegáveis da energia indomável que vive latente nas massas do proletariado e que um acontecimento político ou uma crise económica geral pode despertar e desencadear.


A classe capitalista verá então quanto pesam na balança duma revolução social a polícia e o exército que protegem a sua dominação económica e política. O proletariado sublevado varrerá tôda a resistência, nacionalizará os meios de produção e estabelecerá a comunidade de bens. Então, como na época do comunismo primitivo, a humanidade não conhecerá a degradante caridade. Não haverá ricos para distribui-la, nem pobres para recebe-la.”

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A ORDEM DOS DRUSOS




Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com









Faz alguns dias que recebi um e.mail de um dos leitores dos meus blogs, perguntando-me se eu não poderia falar sobre a Ordem dos Drusos.

Ocorre que trata-se de uma Ordem misteriosa e extremamente fechada, da qual não sei praticamente nada, aliás ninguém que não seja da Ordem consegue saber algo sobre eles, porque um Druso jamais falaria sobre os ensinamentos que recebem, para quem não seja do grupo e muito menos para quem não nasceu Druso. Pelo menos é isso que se diz.

Os Drusos não aceitam conversões. Quem não nasceu Druso, jamais poderá vir a ser Druso. Até os casamentos só podem ser realizados entre eles mesmos. Se alguém casar com uma pessoa de outra fé, não será mais considerado Druso.



Não é fácil saber sobre a religião dos Drusos, porque ela é bastante complexa, e parece que não se pode encontrar um Druso não iniciado que saiba sobre todos os aspectos da crença. Somente os chamados “Uqqal”, que são os "informados" ou "instruídos". E para ser um “Uqqal”, tanto os homens quanto as mulheres não podem ter menos de quarenta anos de idade, além disso devem passar muitos anos se dedicando e estudando com profundidade tudo sobre essa religião. Somente esses postulantes podem estudar o “Livro da Sabedoria”, considerado a Bíblia Drusa. Eles são monoteístas.

Sabemos de fontes versadas em religiões e em ordens iniciáticas, que os Drusos são árabes e que sua religião e modos de se comportarem, a forma pela qual enxergam a vida e o mundo que nos cerca, não se conformam com as do povo árabe, embora sua religião tenha tido raízes no Islamismo e possivelmente tenha surgido no Século X d.c. Pelo que tenho de informação, é possível encontramos Drusos cidadãos de Israel, assim como uma parcela pequena da população libanesa (ao Sul do Líbano) é formada por Drusos. Mesmo aqui no Brasil é possível encontrar Drusos que vieram da Arábia Saudita. No Oriente Médio existem muits comunidades Drusas.

Os Drusos têm como “profetas”, Tariq al-Hakīm, também conhecido como Al-Hakim bi-Amr Allah, e Hamza ibn-'Ali ibn-Ahmad. Este último é considerado o verdadeiro instituidor do sistema teológico dos drusos.

Sabe-se que Hakim foi o sexto califa Fatimida (porque era descendente direto do casamento de Fátima, filha de Maomé, com Ali, o fundador da facção Xiíta) que agiu algumas vezes como perseguidor violento das minorias religiosas, durante o seu Califado. Esse Califa destruiu a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, que depois foi reconstruída.

Para os Drusos Tariq al-Hakim era a encarnação de Deus. Porém, como Hakim desapareceu eles continuam acreditando que o mesmo regressará no “fim dos tempos”. Por conta dessa crença e da possível morte de Hakim, os Drusos foram ainda mais perseguidos pelos muçulmanos ortodoxos.

Então os Drusos passaram a viver de forma dissimulada, isto é, não revelando as suas crenças e fingindo aceitar a crença das comunidades onde viviam. Um Druso não fala sobre os seus ensinamentos para quem não é do grupo. Ninguém pode se converter à religião Drusa, porque eles não aceitam isso. Quem não nasceu Druso jamais virá a se-lo e além disso, só podem casar entre eles mesmos. Se alguém casar com uma pessoa de outra fé, não será mais considerado Druso.

Raymond Bernard dedica um capítulo sob o titulo “Encontros com uma Ordem secreta: Os Drusos” em seu livro “Encontros com o insólito”, Edição Brasileira, Editora Renes, Rio de Janeiro, 1ª Edição, sem data.

Diz Bernard, que segundo o Grande Larousse Enciclopédico os Drusos constituem uma “seita esotérica de grande nobreza natural, que, no plano religioso, dá uma interpretação do Corão.”. “Os drusos falam a língua árabe e são mçulmanos. Formam uma seita ismaelita extremista; pois sua religião é derivada dos ismaelismo dos fatimídias. Seu nome vem de Darazi, o apóstolo da divindade de Hàkim, que, forçado a deixar o Egito, veio difundir sua doutrina na Síria (Wàdi al-Taym, Líbano etc.), mas é Hamza que é o verdadeiro criador de seu sistema religioso. Eles acreditam na unidade absoluta de Deus (Hàkim), abaixo do qual há uma hierarquia de cinco princípios, dos quais o mais elevado é a inteligência universal, e sua doutrina busca muito do simbolismo ismaelita. Eles se dividem em iniciados, ou espirituais, categoria que compreende vários graus, cujos membros mais altos são os verdadeiros chefes da nação, e em profanos, ou corporais, que se dividem por vários graus igualmente. Eles não têm liturgia, nem edifícios religiosos, mas têm assembléias de iniciados. Acreditam na metempsicose.”

Mas Bernard, faz uma ressalva: “O fato de eu dar aqui definições oficiais não significa de modo algum que eu as aprove. Mesmo as revoltas que se mencionam têm a sua explicação na defesa de um povo, em prol de sua tradição e de suas crenças, bem como de sua liberdade de perpetuá-las.” “[..] Entretanto, deve-se frisar — e isto deveria ser uma lição para muitos — que a sabedoria secreta da Ordem dos Drusos sempre foi perfeitamente guardada, embora essa comunidade reúna um número considerável de adeptos e seja espalhada por diversos países. Nunca esse povo que vive livremente, que tem suas aldeias e suas cidades, nunca ele deixou escapar os seus segredos. Nunca a sua tradição foi divulgada. O que se sabe sobre os drusos é o que eles permitiram que se saiba.”

Capítulo II: DOUTRINA DA ORDEM DOS DRUSOS (do livro mencionado de Raymond Bernand)

Pode-se dizer que a doutrina dos drusos "é somente um sincretismo de todas as religiões e de todas as filosofias anteriores". Essa observação é fundada, mas incompleta, como vamos compreendê-lo. Mas parece-me mais recomendável citar primeiramente aqui in extenso o Catecismo dos Drusos.

Catecismo dos Drusos

Pergunta: Sois drusos?

Resposta: Eu o sou, graças a Nosso Senhor todo-poderoso.

Pergunta: Que é um druso?

Resposta: É aquele que transcreveu a lei e adora o Criador.

Pergunta: Que vos ordenou o Criador?

Resposta: Ser verídico, conformar-nos a Seu culto e observar as sete condições.

Pergunta: De que deveres difíceis vosso Senhor vos dispensou e como sabeis que sois verdadeiramente druso?

Resposta: Faço o que é lícito e abstenho-me do que é ilícito.

Pergunta: Que é o lícito e o ilícito?

Resposta: O que pertence ao sacerdócio e à agricultura é lícito. É ilícito o que pertence a lugares temporais e aos renegados.

Pergunta: Em que condições se manifestou Nosso Senhor todo-poderoso?

Resposta: Ele se manifestou no ano 400 da Hégira de Muhammad (Maomé) e se declarou da raça de Muhammad para esconder Sua divindade.

Pergunta: Por que devia Ele esconder Sua divindade?

Resposta: Porque Seu culto era negligenciado e porque pouco numerosos eram os que O adoravam.

Pergunta: Em que momento manifestou Ele Sua divindade?

Resposta: No ano 408 da Hégira de Muhammad.

Pergunta: Durante quanto tempo Ele o fez?

Resposta: Durante todo o ano 408 da Hégira de Muhammad. Em seguida, desapareceu durante o ano 409, que era um ano nefasto, mas no início do ano 410 reapareceu e ficou durante todo o ano 411. Desapareceu no início do ano 412 da Hégira de Muhammad. Só reaparecerá no dia do julgamento.

Pergunta: Que é o dia do julgamento?

Resposta: É aquele em que o Criador aparecerá com um aspecto humano e em que regerá o universo pelo poder e pela espada.

Pergunta: Quando isso acontecerá?

Resposta: Não se sabe, mas haverá sinais precursores.

Pergunta: Que sinais?

Resposta: Ver-se-á mudarem os reis e os cristãos levarem vantagem sobre os muçulmanos.

Pergunta: Em que mês isso acontecerá?

Resposta: Na lua de Dgemaz ou na lua de Radjad, segundo os cálculos da Hégira.

Pergunta: Como Deus regerá os povos e os dirigentes?

Resposta: Ele se manifestará pelo poder da espada e a todos tirará a vida.

Pergunta: Que acontecerá então depois de Sua morte?

Resposta: Eles renascerão ao comando do Todo-Poderoso e farão o que Este quiser.

Pergunta: Como agirá Ele para com eles?

Resposta: Ele os separará em quatro grupos: os cristãos, os judeus, os renegados e os verdadeiros adoradores de Deus.

Pergunta: Como cada um desses grupos se dividirá?

Resposta: Os cristãos darão origem aos nessairiés (de Nazaré) e aos métaoullis; dos judeus sairão os turcos. Quanto aos renegados, eles são todos aqueles que abandonaram a fé de nosso Deus.

Pergunta: Que fará Deus aos fiéis de sua unidade?

Resposta: Ele lhes concederá o império, a realeza, os bens, o ouro e a prata. Eles permanecerão no mundo e serão chefes.

Pergunta: Que acontecerá com os renegados?

Resposta: Eles serão atrozmente punidos. Quando tiverem fome e sede, seus alimentos se tornarão amargos. Serão encarregados dos mais rudes trabalhos no caso dos verdadeiros adoradores de Deus. Os judeus e os cristãos sectários conhecerão penas semelhantes mas menos duras.

Pergunta: Quantas vezes o Senhor tomou uma aparência humana?

Resposta: Dez vezes, chamadas estações: Ele se chamou sucessivamente Al-Ali, El-Bar, Alia, El Haala, El Kaiem, El-Maas, El-Aziz, Abazakaria, El-Mansour e El-Hakem.

Pergunta: Onde teve lugar a estação de El Ali?

Resposta: Nas Índias, numa cidade conhecida sob o nome de Rchine-ma-Tcine.

Pergunta: Quantas vezes Hamza apareceu e quais foram os seus nomes?

Resposta: Ele apareceu sete vezes desde Adão até o profeta Samed. Na época de Adão, ele se chamava Chattnil; na de Noé, seu nome era Pitágoras; na de Abraão, ele se chamou Davi; Chaib foi seu nome na época de Moisés; no tempo de Jesus, chamou-se o Messias verdadeiro e também Lázaro; na época de Muhammad (Maomé) seu nome foi Salman El-Farzi, e no tempo de Sayd ele se chamou Saleh.

Pergunta: De onde vem o nome druso?

Resposta: O nome druso vem de nossa obediência ao Hakem, como quer Deus, e Hakem é nosso Mestre Muhammad (Maomé), Filho de Ismael, que se manifestou ele próprio por si próprio a si próprio. Quando ele se manifestou, os drusos seguiram suas ordens. Eles entraram na lei, o que fez que recebessem o nome de drusos.

Realmente, o termo árabe enderaz, ou endaraj, significa a mesma coisa que darha, isto é, entrar. Isso significa, portanto, que o druso escreveu a lei, que dele se penetrou e que entrou na obediência a Hakem. O druso estudou os livros de Hamza e adorou Deus como convém.

Pergunta: Por que nós adoramos o Evangelho?

Resposta: Queremos assim render homenagem ao nome daquele que existe por ordem de Deus e este é Hamza. Foi ele que deu o Evangelho. Além disso, convém que aos olhos de cada nação nós reconheçamos sua crença. Ainda mais, se nós adoramos o Evangelho, é porque esse livro repousa sobre a sabedoria divina e porque ele encerra a trilha evidente do verdadeiro culto.

Pergunta: Por que afastamos todo livro que não seja o Corão?

Resposta: Porque não devemos ser reconhecidos pelo que somos, quando estamos entre os fiéis de Muhammad (Maomé), a fim de não sermos perseguidos. Adotamos, assim, todas as cerimônias muçulmanas, mesmo as preces para os mortos — tudo isso unicamente no exterior, a fim de podermos ficar ignorados.

Pergunta: Que pensamos dos mártires cuja coragem e cujo número são louvados pelos cristãos?

Resposta: Afirmamos que Hamza não os reconheceu, mesmo que todos os historiadores digam o contrário.

Pergunta: Que devemos então responder se os cristãos nos afirmarem que sua fé não pode ser posta em dúvida e que ela se apóia em provas mais válidas que a palavra de Hamza? Como então reconhecemos que Hamza é infalível e que ele é a coluna de verdade de nossa salvação?

Resposta: Pode-se fazê-lo pelo testemunho que o próprio Hamza deu: Com efeito, ele declarou, na Epístola sobre o comando e a defesa: "Eu sou a primeira das criaturas de Deus. Sou Sua voz e Seu punho. Tenho a ciência por Sua ordem. Sou a torre e a casa construída. Sou o senhor da morte e da ressurreição. Sou aquele que tocará a trombeta. Sou o chefe supremo do sacerdócio, o mestre da graça, o edificador e o destruidor das Justiças. Sou o rei do mundo e o destruidor dos dois testemunhos. Sou o fogo que devora."

Pergunta: Qual é a verdadeira religião dos drusos?

Resposta: É o oposto das crenças das outras nações. Como está dito na Epístola sobre o engano e a advertência: "Tudo quanto os outros consideram como ímpio nós admitimos e nisso cremos."

Pergunta: Se uma pessoa viesse a ter conhecimento de nossa tradição sagrada, a nela crer e a ela se conformar, essa pessoa seria salva?

Resposta: Não, a porta é fechada, a questão terminada, e a pena rombuda. Depois da morte, sua alma volta à sua nação própria e à sua religião primeira.

Pergunta: Quando as almas foram criadas?

Resposta: Elas foram criadas depois do pontífice Hamza, filho de Ali. Depois dele, Deus criou a luz, todos os espíritos que são contados e que não diminuirão nem aumentarão até o fim dos tempos.

Pergunta: Nossa ciência sagrada admite que as mulheres possam ser salvas?

Resposta: Sim, pois Nosso Senhor promulgou um escrito sobre as mulheres e elas logo se conformaram a Ele, como está dito na Epístola sobre a lei das mulheres, bem como na Epístola das moças.

Pergunta: Que se deve pensar das outras nações que declaram adotar o Senhor que criou o Céu e a Terra?

Resposta: Mesmo se elas declaram isso, trata-se de um erro, e mesmo que essas nações O adorassem verdadeiramente, sua adoração seria sacrílega, se elas não sabem que o Senhor é o próprio Hakem.

Pergunta: Quem são esses que ensinaram a sabedoria do Senhor aos que estabeleceram nossa doutrina?

Resposta: Eles são três: Hamza, Esmail e Beha-Eddin.

Pergunta: Quantas partes comporta a ciência?

Resposta: Cinco. Duas pertencem à religião e duas outras à Natureza. A quinta, a maior de todas, não se divide. Ela é a ciência verdadeira, a do amor de Deus.

Pergunta: Como reconhecer que uma pessoa é nossa irmã, adepta da verdadeira ciência, se, vindo a nós, ela se declara drusa?

Resposta: Eis as palavras de reconhecimento: Depois das saudações usuais, devese dizer: "Em vosso país, semeia-se o grão de mirobolan (Aliledji)?" Deve-se obter como resposta: "Sim, ele é semeado no coração dos crentes." Então, deve-se interrogar a pessoa sobre nossa doutrina. Se as respostas forem corretas, ela é drusa e nossa irmã, senão, é apenas uma estranha.

Pergunta: Quais são os pais da nossa tradição?

Resposta: São os profetas de Hakem: Hamza, Ismail, Muhammad (Maomé) e Kalimé, Abou-el-Rheir, Baha-Eddin.

Pergunta: Os drusos ignorantes têm a salvação ou um acesso junto a Hakem quando nesse estado de ignorância?

Resposta: Não há salvação para eles e eles permanecerão na escravidão e na desonra na casa de nosso Senhor até a eternidade das eternidades (reencarnação).

Pergunta: Quem é Doumassa?

Resposta: É Adão o primeiro, é Arkhnourh, é Hermes, é Edris; João, Esmail, filho de Muhammad (Maomé), El-Taissi e, no tempo de Muhammad (Maomé), filho de Abdallah, seu nome era Elmokdad.

Pergunta: Que é o antigo e o eterno?

Resposta: O antigo é Hamza, o eterno é a alma, sua irmã.

Pergunta: Que vêm a ser os pés da sabedoria?

Resposta: São os três pregadores.

Pergunta: Quem são eles?

Resposta: João, Marcos e Mateus.

Pergunta: Durante quanto tempo eles pregaram?

Resposta: Vinte e um anos. Cada um pregou sete.

Pergunta: Que são esses edifícios que estão situados no Egito e que se chamam

pirâmides?

Resposta: Essas pirâmides foram construídas pelo Todo-Poderoso para alcançar um objetivo cheio de sabedoria e que Ele concebeu em sua providência.

Pergunta: Qual é esse objetivo cheio de sabedoria?

Resposta: É colocar nas pirâmides e nelas conservar até o dia do julgamento, quando se dará sua segunda vinda, aos hodgets e as quitações que Sua mão divina tomou de todas as criaturas.

Pergunta: Por que Ele apareceu a cada nova lei?

Resposta: Para exaltar seus verdadeiros fiéis, a fim de que eles nela se tornem firmes e saibam que é Ele quem muda à sua vontade as justiças e creiam mais em outros que não Nele.

Pergunta: Como as almas voltam para seus corpos?

Resposta: Cada vez que um homem morre, nasce um outro, e é assim o mundo.

Pergunta: Como se chamam os muçulmanos?

Resposta: El-Tanzil (a descida).

Pergunta: Como se chamam os cristãos?

Resposta: El-Taaouil (a explicação). Essas duas denominações (El-Tanzil e El-Taaouil) significam para os cristãos que eles explicaram a palavra do Evangelho e para os muçulmanos a notícia que o Corão desceu do céu.

Pergunta: Com que objetivo Deus criou os gênios e os anjos de que se fala no livro da sabedoria de Hamza?

Resposta: Os gênios, os espíritos e os demônios são como os homens que não obedeceram ao convite de Nosso Senhor Hakem. Os demônios são espíritos diante daqueles que têm corpos. Quanto aos anjos, eles são representações dos verdadeiros adoradores de Deus, daqueles que obedeceram ao convite de Hakem, que é o Senhor adorado em todas as revoluções dos tempos.

Pergunta: Que são as revoluções dos tempos?

Resposta: São as justiças dos profetas que apareceram sucessivamente e que as pessoas do século em que eles viviam declararam como tais, como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Muhammad (Maomé), Sayd. Todos esses profetas são uma só e única alma que passou de um corpo para outro e essa alma que é o demônio maldito guardião de Ebn-Termahh e também Adão, o desobediente que Deus expulsou de seu paraíso, quer dizer que Deus lhe tirou o conhecimento de sua unidade.

Pergunta: Qual era a razão de ser do demônio em Nosso Senhor?

Resposta: Ele lhe era caro, mas foi presa do orgulho e recusou obedecer ao vizir Hamza; então Deus o amaldiçoou e o expulsou do paraíso.

Pergunta: Quais são os anjos supremos que levam o trono de Nosso Senhor?

Resposta: São os cinco primazes que se chamam: Gabriel, que é Hamza, Miguel, que é o segundo irmão, Esrafil-Salamé ebn-abd-elouahab, Ezrail, Beha-Eddin, Matraoun, Ali-ebn-Achmet. Aí estão os cinco vizires que se chamam: El-Sabek (o precedente), El-Cani (o segundo), El-Djassad (o corpo), El-Rathh (a abertura), El-Fhial (o cavaleiro) .

Pergunta: Que são as quatro mulheres?

Resposta: Elas se chamam Ismail, Muhammad (Maomé), Salomé, Ali, e elas são: El-Helmé (a palavra), El Nafs (a alma), Beha-Eddin (beleza da religião), Omm'el rheir (a mãe do bem).

Pergunta: Que é o Evangelho dos cristãos e que devemos pensar dele?

Resposta: O Evangelho saiu realmente da boca do Senhor Messias, que era Salman-El-Farzi no século de Muhammad (Maomé). O verdadeiro Messias é Hamza, filho de Ali; o falso é o que nasceu de Maria, pois esse é filho de José.

Pergunta: Onde estava o verdadeiro Messias quando o falso estava com seus discípulos?

Resposta: Ele se encontrava no grupo destes últimos. Ele professava o Evangelho. Ele dava instruções ao Messias filho de José e lhe dizia "Faze isso e aquilo", de acordo com a religião cristã, e o filho de José a ele obedecia. Entretanto, os judeus tiveram ódio do falso Messias e o crucificaram.

Pergunta: Que aconteceu depois que ele foi crucificado?

Resposta: Colocaram-no numa sepultura. O verdadeiro Messias chegou, roubou o corpo da sepultura e o enterrou no Jardim, depois espalhou a notícia de que o Messias havia ressuscitado.

Pergunta: Por que o verdadeiro Messias se comportou assim?

Resposta: Para fazer durar a religião cristã e lhe dar mais força.

Pergunta: E por que favoreceu ele assim a heresia?

Resposta: Para que os drusos pudessem cobrir-se assim como por um véu da religião do Messias e para que ninguém os conhecesse por drusos.

Pergunta: Quem foi que saiu da sepultura e entrou em casa dos discípulos com as portas fechadas?

Resposta: O Messias vivo, que não morre e que é Hamza.

Pergunta: Por que os cristãos não se fizeram drusos?

Resposta: Porque foi essa a vontade de Deus.

Pergunta: Como Deus pôde admitir o mal e a heresia?

Resposta: Porque Ele se esconde de uns e esclarece os outros, como está dito no Corão: "Ele deu a sabedoria a uns e dela privou os outros."

Pergunta: Por que Hamza, filho de Ali, nos ordenou que escondêssemos a sabedoria e que não a revelássemos?

Resposta: Porque ela contém os segredos e a quitação de Nosso Senhor e não se deve revelar a ninguém coisas em que se encontrem encerradas a salvação das almas e a vida dos espíritos.

Pergunta: Então nós somos egoístas porque não queremos que todos sejam

salvos?

Resposta: Nisso não há egoísmo, pois o convite é retirado, a porta, fechada, é herético quem é herético e crente quem é crente, e tudo é como deve ser. A abstinência, que outrora era ordenada, hoje em dia está abolida, mas quando um homem faz abstinência fora do tempo prescrito e se mortifica pelo jejum, isso é louvável, pois isso nos aproxima da divindade.

Pergunto: Por que se suprimiu a esmola?

Resposta: Entre nós, a esmola para nossos irmãos os drusos é justa; mas é um crime para com qualquer outro e não deve ser dada.

Pergunta: A que fim se propõe o solitário que se mortifica?

Resposta: O de merecer, quando Hakem vier, que ele dê a cada um, segundo suas obras, viziratos, paxalatos e governos.

Por fim, a última informação que trago ao leitor, para não tornar mais extenso do que já está este texto, segundo Bernard é que: “[...]os drusos adotam na aparência a idéia cristã sem Jesus, a idéia muçulmana sem Maomé. A explicação geral é que, como ordem ou comunidade, eles não querem nunca dar margem à idolatria ou à superstição.[..]”

É também oportuno dizer que os Drusos são excelentes anfitriões, pois tratam seus convidados com muita atenção e carinho, já que para eles tal atitude é uma questão de honra. Portanto, recusar o convite de um Druso é faltar com a educação.