segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Músicas para Crianças (Uma explicação esotérica)



Há inúmeras interferências dos Iniciados nas músicas, particularmente para as crianças. Para citar somente um exemplo, temos a canção intitulada Frère Jacques. De origem francesa, a música e seu mantra final nos incitam ao DESPERTAR DE NOSSA CONSCIÊNCIA:

Frère Jacques, frère Jacques,
Dormez-vous? Dormez-vous?
Sonnez les matines! Sonnez les matines!
Din, dan, don. Din, dan, don…

Tradução:
Frei Jacó, frei Jacó,
Você dorme? Você dorme?
Tocam os sinos da manhã! Tocam os sinos da manhã!
 Din, dan, don. Din, dan, don…

Claro que há variações em cada língua, e a portuguesa não é exceção. Porém o mais importante é nos atermos ao final dessa canção, que na verdade é um mantra sagrado para o Despertar da Consciência. No “din, dan, don… din, dan, don…” vemos inserido o mantra sagrado IAO dentro da consoante D. Sabe-se que as consoantes D e T são usadas para “bater” em nossa mente dispersiva e hipnotizada, até que ela se livre de seu estado hipnótico…

   

Nota: Esta informação está no site Gnosis Online, acessado através do link abaixo, em 06/01/2014, às 09:55 h, horário de MS. Clique para ver:

 http://www.gnosisonline.org/curiosidades/brincadeiras-esotericas/

sábado, 4 de janeiro de 2014

Será possível superarmos a nós mesmos?




Por Kadu Santoro

            O maior desafio enfrentado pelo ser humano é superar-se a si mesmo. Não viemos para o mundo para confrontarmos com o nosso próximo, e sim, vencermos a nós mesmos.  Somos o nosso próprio cárcere, e o nosso maior inimigo é o nosso ego, esse que nos controla o tempo inteiro, nos colocando em situações de angústia, tristeza e sofrimento, tudo isso fruto do desejo. Somos o maior vilão de nós mesmos, e a tarefa de nos superar é árdua e demorada, pode levar uma vida inteira e mesmo assim é muito comum não conseguirmos dominar nossos extintos.

            Todo sofrimento é fruto da necessidade que temos de tentar controlar as coisas, porém, o mais difícil é controlar os impulsos do ego, esse que nos leva por muitas vezes a cometer atos insanos que acabam produzindo muitos sofrimentos. Essa é mais dura realidade, sermos escravos de nós mesmos. O sofrimento é causado pela tensão dual e contínua entre bem e mal, como disse Hermes Trismegisto em seu livro Do castigo da alma: “O homem pensa que sua felicidade reside nos dons deste mundo e que eles subsistirão eternamente, quando, de fato, eles desaparecem nas transformações do bem e do mal.”

            No mundo de hoje, mais do que nunca, o desejo e as paixões tem levado milhares de pessoas a viverem em profundo estado de dor e sofrimento interior. O apelo excessivo ao consumo, aos hábitos e costumes impostos pela sociedade, os padrões pré estabelecidos de beleza e comportamento, as exigências cada vez maiores do mercado de trabalho, aliados ao egoísmo e a ganância, tem contribuído para o crescimento significativo desse sofrimento interior. Milhares de pessoas estão vivendo com muitas dores interiores, marcas profundas na alma, escravizadas pela mente manipuladora e obsessiva coletiva do sistema, fazendo com que esses fiquem cada vez mais solitários, tristes e sem esperanças, chegando ao desespero.

            É uma luta, onde o grande rival que precisamos vencer, não é ninguém mais do que nós mesmos. É preciso ir para o deserto, lugar de mais profunda aridez para que então possamos tentar vencer todas as tentações lançadas pelo famigerado ego. As nossas armas e mecanismos de defesa também encontram-se dentro da gente, porém parece que nunca conseguimos colocar em prática. O processo para a libertação é longo e lento, e precisa de muita paciência, resignação e confiança, pois o caminho da senda interior é repleto de espinhos e esses vão nos fazendo desanimar em função das dores que nos atinge constantemente.

            Como podemos nos libertar do nosso ego e suas artimanhas? Será que é possível sermos felizes e livres dos impulsos dos desejos e paixões? Essas são algumas perguntas que estão nas bocas da totalidade dos seres humanos, e que trazem muita angústia para acharem uma resposta satisfatória. Parece que nenhum esforço, seja ele psicológico, filosófico ou religioso consiga nos trazer algum alento e saída para a nossa libertação interior. Quanto mais mergulhamos no conhecimento mais sofremos por ele. Vivemos como em um beco sem saída, onde parece que a única coisa que podemos fazer é ficarmos parados e tentar ao máximo não pensar nessas questões, fugir dos maus pensamentos, mas mesmo assim é extremamente difícil, quase impossível, pois somos seres sensoriais e pensantes, estamos em total interação com o mundo e todas as coisas, é uma condição de desespero como diz Sören Kierkegaard em seu livro O desespero humano: “O desespero inconsciente de ter um “eu” – o que é verdadeiro desespero; o desespero que não quer; e o desespero que quer ser ele mesmo.”

            Todo o sofrimento que carregamos dentro de nós é alimentado por nós mesmos diariamente, estamos cativos dentro de nós, carregamos nossa cruz, ou seja, a nossa própria sentença, nossos pensamentos nos controlam através da mente, tentamos achar alívio, mas isso parece não durar por muito tempo, até porque quando conseguimos alguma alegria ou estado de felicidade, isso dura muito pouco, é passageiro como um estado de êxtase, e logo voltamos ao estado de sofrimento interior. Vivemos nessa alternância constante, sendo que a grande maioria do tempo é preenchida pela dor e sofrimento.
           
            Poderia escrever aqui milhares de páginas que não seriam suficientes para relatar quantos filósofos e pensadores tentaram achar alguma solução para o sofrimento humano. E continuamos nessa busca de geração em geração e parece que cada vez o nó aperta mais, novas possibilidades acabam sendo frustradas diante da realidade fria e cruel da nossa própria existência, pois existe um grande abismo entre teoria e prática. Os sistemas de auto ajuda, as terapias, a espiritualidade e a religiosidade tem funcionado como meros paliativos diante do gigante que habita dentro de cada um de nós. Feliz daquele que consegue pelo menos por algum tempo se manter equilibrado e em paz dentro de algum sistema de crença, isso é ótimo, o problema é que esses mesmos sistemas possuem inúmeras controvérsias quando aprofundados.

            Onde encontraremos a paz e a plenitude? O que devemos fazer para controlar nossos impulsos e não sermos mais escravizados por nós mesmos? Continuo perguntando e parece que essas perguntas não terão fim. Toda a tentativa parece em vão, podem ser coerentes em suas formulações, como falamos em desapego, pensamentos positivos, estado de não mente, purificação, etc. porém, isso não se sustenta por muito tempo na prática, até porque, se conseguirmos viver nos controlando e evitando as tentações, ainda assim estaremos aprisionados por nós mesmos, pelo nosso ego, limitados a um sistema de crença onde viveremos de forma rotineira uma pseudo condição de paz e liberdade.

            Não existe nada que possa tirar ou aliviar nossa angústia existencial, nenhum bem material, riquezas ou qualquer outra coisa. Se não estamos bem conosco, não poderemos estar bem com mais ninguém, isso é terrível, pois através da nossa falta de paz interior, acabamos produzindo sofrimento exterior, isso que gera todos os conflitos interpessoais, onde as pessoas se entendem menos a cada dia, discórdias, contendas, invejas, frustrações, etc. Tudo isso é fruto da grande insatisfação que temos dentro de nós mesmos, da dor de sabermos que somos escravos da nossa mente e do nosso ego.

            Parece que a única coisa que nos resta é convivermos com todo o nosso sofrimento, tentando a cada dia não olhar para os problemas que nos cercam, buscando alguma esperança de ordem sobrenatural, metafísica, onde isso ocupe nossa mente por algum tempo, acreditando que exista alguma “chance” de superação da nossa natureza humana. Acreditar é algo ruim, pois também gera ansiedade, nos coloca sempre em posição de espera, logo, é melhor tentar não pensar em nada, mesmo que isso também não resolva, porém, aliviaremos a nossa dor interior por algum tempo.

            A ideia de Deus também por muitas vezes nos parece assustadora e contraditória, pois como pode uma entidade superior dotada de poderes infinitos permitir tanto sofrimento, ou pior, ele mesmo ser causa e consequência de toda essa condição miserável, como se ele mesmo seja escravo da realidade material, plasmado e aprisionado em cada um de nós, como diz na bíblia: “Eu formo a luz e crio trevas; faço a paz e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” Isaías 45.7. O discurso religioso parte do próprio homem, como Nietzsche disse: E o homem criou Deus a sua imagem e semelhança. Criamos atributos para Deus, qualidades pessoais, antropomorfismos. A filosofia também nos conduz a um beco sem saída, nos apresenta inúmeras formulações onde todas elas possuem seus argumentos contrários, nos levando até a loucura assim como a matemática em seus sistemas.


            Diante de todo esse exercício de pensamento, sem a intenção de juntar ponto algum, abreviei apenas uma reflexão e deixo que cada um procure achar o caminho que lhe sirva melhor e caso consiga identificar uma solução ou caminho para o grande desafio de superarmos a nós mesmos, que seja apresentado não em teoria, mas posto em prática, para que isso sirva de aprendizado para muitos, pois diante de tanto sofrimento, a esperança se renova a cada dia e é apenas nessa condição de “acreditarmos” numa possibilidade que nos resta alguma chance de sermos felizes. O melhor que podemos fazer é vivenciar o AGORA, procurando não questionar nada, apenas desfrutando do poder da presença, essa condição de ser e não ser ao mesmo tempo. 


 Kadu Santoro, domingo, 29 de dezembro de 2013,     no seu blog “Jornal Despertar”, acessado dia 05/01/2014, às 00:18, horário de MS, através deste link: http://www.jornaldespertar.blogspot.com.br/


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Daniel Dunglas Home – O médium famoso que não era espírita.




 Luiz Carlos Nogueira








Daniel Dunglas Home, para a estranheza de muita gente, foi um médium que viveu entre os anos 1833 a 1886 — porém ele nunca foi espírita. Pelo que se tem de registro histórico, ele foi inicialmente metodista, depois tornou-se congregacionalista, católico apostólico romano e, finalmente terminou seus dias na Igreja Ortodoxa Grega.

Pois é isso mesmo, pessoas portadoras do dom da mediunidade, não têm necessariamente que serem espíritas. Não obstante os fenômenos espirituais, ou espíritas, como muitos preferem, acontecessem desde as eras mais remotas, o Espiritismo como Ciência (não exatamente como religião), passou mesmo a ter existência a partir da codificação que se iniciou com O Livro dos Espiritos, a partir de 1857 pelo lionês nascido sob a religião católica, Allan Kardec que é o pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail.

Pesquisadores da mais alta confiabilidade, tais como: Sir William Crookes, físico de renome do século XIX, cientista agraciado: em 1907 com o Prêmio Nobel de Química, e em 1875, com a Ordem do Mérito; Sir Arthur Conan Doyle, escritor famoso, criador do personagem Sherlock Holmes, que viveu entre os anos de 1859 a 1930, que escreveu “A História do Espiritismo”; Sir Edwar Bulwer-Lytton, também outro escritor famoso autor de “Os últimos dias de Pompéia” e “Zanoni”, e outras tantas personalidades merecedoras de crédito, jamais detectaram quaisquer fraudes praticadas por Daniel, que aliás colocou-se inteira e desinteressadamente a serviço da Ciência, como médium de efeitos físicos inigualáveis, submetendo-se a todas as provas que lhe foram aplicadas durante muitos anos, por homens de rígida formação científica, de formas imparciais.

Por conseguinte, Daniel Dunglas Home dispunha-se a realizar sessões em plena luz do dia e diante de pessoas notáveis, produzindo, segundo dizia, com a ajuda dos espíritos, fenômenos como o de mover objetos à distância (Telecinesia). Em 1877 publicou uma obra sob o título de “Luzes e Sombras do Espiritualismo”, na qual forneceu detalhes sobre os truques empregados por falsos médiuns.

Frank Podmore relatou que um dos feitos mais comuns de Daniel era o da levitação: "Todos o vimos elevar-se do chão até uma altura de um metro e oitenta, ficar lá por cerca de dez segundos e, depois, descer vagarosamente". E uma das levitações que mais chamaram as atenções de três expectantes, foi quando Daniel teria se erguido do chão e saído para fora da janela de um quarto, no terceiro andar de um prédio entrando depois por outra janela do outro quarto ao lado. Por conta dessas suas apresentações ele ficou conhecido como “O Médium Voador”.

Na verdade Daniel foi um médium, segundo Arthur Conan Doyle, muito raro, senão o único do seu tempo que reunia quatro faculdades espirituais diferentes, quais sejam: 1) mediunidade de efeitos físicos, que lhe permitia levitar, mover objetos à distância, produzir ventos, 2) clarividência, que é a capacidade que consiste em ver ou antever acontecimentos ou ter conhecimento de fatos ocultos, misteriosos; 3) mediunidade de voz direta, que é a faculdade de deixar com que os espíritos falem de forma audível para os outros; 4) psicofonia, que é a mediunidade que permite aos espíritos falarem através do médium.

Outro fato surpreendente é que Daniel Dunglas Home não acreditava na reencarnação[1] , aliás, dizia ele: “Classifico a doutrina de Allan Kardec, entre as ilusões do mundo” (pág.206), pois, segundo ele, “Kardec não era médium, e sim um mero magnetizador, sob o império da sua vontade enérgica, seus médiuns não passavam de máquinas de escrever, que reproduziam servilmente seus próprios pensamentos.”, e além disso, afirmava que todo o problema reside na doutrina da reencarnação, pois esta “destrói toda a consangüinidade.” (transcrito conforme a palavra está grafada – com trema), porque segundo Home, “os espíritos não se ligam pelo sangue, pela matéria; unem-se pelas afinidades espirituais ou se repelem pela ausência delas.” (pág.209). “O mundo reencarnacionista é como um teatro onde as marionetes aparecem, fazem umas piruetas e desaparecem, sujeitas à vontade de quem manipula os cordéis”. (pág.210)


Vozes diretas (assunto curioso) – acessados hoje 19/12/2013








[1] Pugliese, Adilton Santos, organizador da coletânea de fatos que resultaram no livro “Daniel Dunglas Home, O médium voador”, EBM Editora, 1ª ed. Santo André, SP, 2013.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Hórus - Por Hugo Lapa

Hórus


Hórus é um deus do panteão do Egito antigo. Era considerado o deus dos faraós. Hórus era representado na figura de um falcão. É filho do deus Osíris e da deusa Isis. Hórus possuía dois olhos, o direito associado ao sol, e o esquerdo associado à lua. De acordo com o mito, Hórus travou uma batalha contra seu irmão Seth, e nesta batalha acabou perdendo um dos seus olhos. Seth arrancou o olho esquerdo de Hórus.

Após perder um dos olhos, Hórus ficou apenas com o olho solar. Esse olho lhe dava apenas uma visão parcial das coisas. Porém, após a perda do olho, ele se vestiu com uma coroa de serpente e passou a usar um outro olho, chamado de “Udyat”, o famoso “olho de Hórus”, um símbolo que é associado, dentro do esoterismo, como o terceiro olho, ou o chakra frontal ou da coroa.

Por outro lado, a coroa de serpente representa a ascensão da kundalini até o topo da cabeça, isto é, a subida da energia do fogo serpentino até os chakras superiores. A energia que antes estava represada nos níveis inferiores agora começa a ser canalizada para os níveis superiores. Esse simbolismo representa a ascensão espiritual do ser quando este começa a elevar suas energias a graus ou padrões superiores.

Após conseguir o olho de Udyat e a coroa de serpente, Hórus finalmente consegue a vitória sobre Seth, que é derrotado em batalha. O tema do falcão possui uma peculiaridade muito significatica: o falcão é um animal que possui uma visão muito precisa de objetos e animais que se encontram bem distantes deles. A visão do falcão é prodigiosa e alcança bem longe. Por este motivo, Hórus se reveste da capa simbólica de um falcão e é representado como aquele que possui uma visão de amplitude imensa. Ele simboliza o ser que, após uma longa e exaustiva série de nascimentos e mortes, encontram a real sabedoria e a visão ilimitada do real; a alma que atingiu a iluminação. Representa a consciência infinita e sem fronteiras, que tudo sabe e tudo vê.

(HUGO LAPA)
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OBS: Este artigo é registrado e não pode ser postado em qualquer meio impresso ou eletrônico sem a prévia autorização do autor. Os infratores estarão sujeitos à penalidade conforme a lei dos direitos autorais.

* Artigo publicado com autorização do autor e que pode ser conferido acessando este link:

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O MEDO À BÍBLIA - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA












Todos sabem que em tempos medievais, ler a bíblia era crime grave. Crime que penalizava raros, pois só os que conheciam latim, tinham acesso ao Livro; e esses eram quase todos sacerdotes, por isso, estavam livres de castigo.

Do assunto e muito mais, conta Mário Martins, em livro do Instituto de Cultura Portuguesa.

Mas, em tempos quase contemporâneos, na primeira metade do século XX, ainda o acesso ao Livro, estava interdito à maioria dos portugueses.

Meu pai asseverava, que em menino, escutara a sacerdotes: que quem tivesse Bíblia, de capas pretas e folhas vermelhas, sem aprovação eclesiástica, devia queimar. Eram falsas, Mas as católicas, as que tinham aprovação eclesiástica, eram raras, e ninguém as recomendava, pelo menos abertamente.

Numa manhã de domingo, minha bisavó Júlia, ouvindo dizer a católicos entendidos e a padres, que as Bíblias protestantes deviam ser queimadas, meteu dois volumes, ricamente ilustrados, editados pela Empresa Editora de Bíblia Sagrada Ilustrada - 1893, numa saca de pano, e encaminhou-se para a sacristia da paróquia, para falar com o abade.

O padre procurou a autorização eclesiástica e não a encontrando, disparou:

- É falsa….Queimar é pena! …deixe ficar comigo.

Minha bisavó era simples, mas não parva. Meteu os volumes na saquita e retorquiu, erguendo os ombros:

- Se servem para o Sr. Abade, também servem para mim!

Chegou-me, agora à memória, episódio curioso, ocorrido comigo:

Quando tinha vinte anos, era amigo de pastor evangélico, que insistia para participar nas aulas dominicais.

Fui, e foram bem proveitosas. Cresci espiritualmente. Nas aulas sempre recomendava o uso de Bíblias não anotadas, portanto evangélicas.

Certa ocasião, convidou-me para almoçar em sua casa. Enquanto a esposa preparava a refeição, mostrou-me o escritório.

Visionei as estantes e descobri a Bíblia das Paulistas. Não me contive:

- Recomenda não consultar a Bíblia católica, porque são anotadas, e afinal aqui está uma! ...

Surpreendido pela descoberta, esclareceu-me:

- Tenho Bíblias católicas, porque são de grande utilidade: além de esclarecerem passagens obscuras, situa-nos geograficamente. Consulto-As assiduamente.

Fiquei a saber, que são úteis para os pastores, mas não para os fiéis!

Há seitas, que para poderem defender pontos de vista, mudam, nas suas edições, a pontuação, e usam traduções incorrectas. Por isso, ao adquirir uma Bíblia, não católica, deve-se verificar se foi editada pela Sociedade Bíblica.

Nas últimas décadas, a Igreja, anda empenhada na divulgação da Bíblia e tudo tem feito para que os crentes façam leituras diárias, pelo menos do Evangelho.

E ainda bem que assim é, pois é pena, que a ignorância do Seu contudo, leve intelectuais e figuras publicas a proferirem erros crassos, quando falam de cristianismo.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal




sábado, 2 de novembro de 2013

Lenda dos Três Magos que visitaram a grande abóbada e descobriram o centro da ideia.




(Transcrevemos essa bela lenda maçônica e cabalística, profundamente esotérica, que merece ser conhecida e compreendida pelos “iniciáveis”. Não lhe acrescentaremos nenhum comentário, que só poderia tornar insípido seu sentido tão profundo).

Muito tempo depois da morte Hiram e de Salomão e de todos os seus contemporâneos, depois que os exércitos de Nabucodonosor destruíram o reino de |Judá, arrasaram a cidade de Jerusalém, derrubaram o Templo e levaram em cativeiro o resto da população que não havia sido massacrada, quando a montanha de Sião nada mais era que um deserto árido onde pastavam algumas cabras magras guardadas por beduínos famélicos e saqueadores, certa manhã, três viajantes chegaram ao passo lento de seus camelos.

Eram Magos, iniciados de Babilônia, membros do Sacerdócio Universal, que vinham em peregrinação e para explorar as ruínas do antigo Santuário.

Depois de uma refeição frugal, puseram-se a percorrer o recinto em ruínas. A destruição das paredes e os fustes das colunas permitiram-lhes determinar os limites do Templo. Eles se puseram depois a examinar os capitéis jogados por terra, a recolher as pedras para nelas descobrir inscrições e símbolos.

Enquanto procediam a essa exploração, sobre um pedaço de parede em ruínas e no meio das sarças, eles descobriram uma escavação.

Tratava-se de um poço situado no ângulo sudeste do Templo. Eles cuidaram de limpar o orifício, depois do que um deles, o mais idoso, o que parecia ser o chefe, deitando-se às bordas do mesmo, examinou o seu interior.

Era meio-dia, o Sol brilhava em seu zênite e seus raios mergulhavam quase que verticalmente no interior  do poço. Um objeto brilhante feriu os olhos do Mago. Ele chamou pelos companheiros, que se  colocaram na mesma posição que ele e olharam. Evidentemente, havia ali um objeto digno de atenção, sem dúvida uma jóia sagrada. Os três peregrinos resolveram apoderar-se dela. Desamarraram os cintos que lhes cingia os rins, ataram-nos uns nos outros e lançaram uma de suas extremidades no poço.

Então, dois dentre eles, inclinando-se, encarregaram-se de suster o peso do que descia. Este, o chefe, empunhando a corda, desapareceu pelo orifício. Enquanto efetua sua descida, veremos qual era o objeto que havia atraído à atenção dos peregrinos. Para tanto, devemos remontar vários séculos atrás, até a cena da morte de Hiram.

Quando o Mestre, diante da porta do Oriente, recebeu o golpe de alavanca do segundo mau Companheiro, ele fugiu para alcançar a porta do Sul; mas, enquanto corria para lá, teve medo quer de ser perseguido, quer, como aconteceu, de encontrar um terceiro mau Companheiro. Ele tirou de seu pescoço uma jóia que dele pendia segura por uma corrente de setenta e sete anéis, e lançou-a no poço que se abria no Templo, no canto dos lados Oeste e Sul.

Esta jóia era um Delta de um palmo de lado, feito do mais puro metal, sobre o qual Hiram, que era um iniciado perfeito, havia gravado o nome inefável que carregava sobre si, na face interna, ficando à vista apenas uma face lisa.

Enquanto, ajudando-se com os pés e as mãos, o Mago descia até as profundezas do poço, ele constatou que a parede deste estava dividida em zonas ou anéis feitos de pedra de cores diferentes de cerca de um côvado de altura cada um. Quando chegou ao fundo, ele contou essas zonas e viu que elas eram em numero de dez. Abaixou então os olhos para o chão, viu a jóia de Hiram, recolheu-a, observou-a e constatou com emoção que nela estava escrita a palavra inefável que ele conhecia porque ele era um iniciado perfeito. Para que seus companheiros, que não tinham, como ele, a plenitude da iniciação, não a pudessem ler, ele pendurou a jóia em seu pescoço pela pequena corrente, deixando voltada para frente à face lisa, assim como fizera o Mestre.

Olhou, depois, a seu redor e constatou a existência, na muralha, de uma abertura pela qual podia penetrar um homem. Entrou por ela, caminhando às apalpadelas na escuridão. Suas mãos encontraram uma superfície que, por tato, julgou ser de bronze. Então, ele recuou, voltou ao fundo do poço, avisou para que seus companheiros mantivessem firme a corda e subiu.

Vendo a jóia que ornava o peito do chefe, os dois Magos inclinaram-se diante dele, percebendo que ele acabava de ser submetido a uma nova consagração. Ele revelou-lhes da porta de bronze.

Eles pensaram que ali devia haver um mistério; deliberaram então fazer juntos a descoberta.

Colocaram uma extremidade da corda feita com os três cintos sobre uma pedra chata que havia junto do poço e sobre a qual se lia ainda a palavra “Jachin”. Rolaram para cima dela um fuste de coluna em que se via a palavra “Booz”, asseguraram-se depois que, assim fixada, a corda podia suportar o peso de um homem.

Dois dentre eles fizeram em seguida o fogo sagrado com a ajuda de um bastonete de madeira dura rolado entre as mãos no interior da cavidade de um pedaço de madeira tenra. Quando a madeira tenra se incendiou, eles sopraram sobre ela para provocar uma chama. Enquanto isso, o terceiro Mago havia ido buscar, nos fardos amarrados na corcova dos camelos, três tochas de resina que eles haviam levado para afastar os animais selvagens de seus acampamentos noturnos. As tochas foram sucessivamente aproximadas da madeira em chama e elas próprias se inflamaram do fogo sagrado. Cada Mago, segurando sua tocha, deixaram-se deslizar ao longo da corda até o fundo do poço.

Uma vez aí, eles se introduziram, sob a conduta do chefe, no corredor que leva à porta de bronze. Chegada à frente dela, o velho Mago examinou-a detidamente sob a luz de sua tocha. E constatou no meio, a existência de um ornato em relevo com a forma de uma coroa real, em torno da qual havia um círculo composto de pontos, em número de vinte e dois.

O Mago absorveu-se numa meditação profunda, pronunciou depois a palavra “Malkuth” e, de repente, a porta se abriu.

Os exploradores viram-se então diante de uma escada que mergulhava no solo; meteram-se por ela, sempre empunhando as tochas, contando os degraus. Após terem descido três degraus, encontraram um patamar triangular, cujo lado esquerdo começava outra escada. Meteram-se por ela e, depois de cinco degraus, encontraram outro patamar com a mesma forma e as mesmas dimensões. Dessa vez, a escada continuava pelo ladodireito e se compunha de sete degraus.

Depois de passar por um terceiro patamar, eles desceram nove degraus e se encontraram diante de uma porta de bronze.

O velho Mago examinou-a como a precedente, e constatou a existência de outro ornamento em relevo, representando uma pedra angular, também rodeada de um circulo de vinte e dois pontos. Pronunciou a palavra “Iesod” e, por sua vez, esta porta se abriu.

Os Magos entraram numa vasta sala abobadada e circular, cuja parede estava ornada com nove fortes nervuras que partiam do solo e se encontravam num ponto central do vértice.

Eles a examinaram a luz de suas tochas, deram a volta para ver se não havia outra saída além daquela pela qual haviam entrado. Como nada encontrassem, pensavam em se retirar; mas seu chefe voltou atrás, examinou uma a uma as nervuras, procurou um ponto de referência, contou as nervuras e, de repente, chamou. Num canto escuro, ele encontrou outra porta de bronze. Esta tinha como símbolo em Sol radiante, sempre inscrito num círculo de vinte e dois pontos. Tendo o chefe dos Magos pronunciado a palavra “Netzah”, ela se abriu ainda e deu acesso a uma segunda sala.

Sucessivamente, os exploradores franquearam cinco outras salas igualmente dissimuladas e passaram por novas criptas.

Sobre uma dessas portas, havia uma Lua resplandecente, uma cabeça de leão, uma curva doce e graciosa, uma régua, um rolo da lei, um olho e, enfim, uma coroa real.

As palavras pronunciadas foram sucessivamente, Hod, Tiphereth, Chesed, Geburah, Chochmah, Binah e Kether.

Quando eles entraram sob a nova abóbada, os Magos pararam surpresos, deslumbrados, amedrontados. Essa ala não estava mergulhada na escuridão; pelo contrário, estava brilhantemente iluminada. No meio, estavam colocados três lampadários de uma altura de onze côvados, cada um com três ramos. Essas lâmpadas, que queimavam há séculos, cuja extinção não pôde ser provocada nem pelo extermínio do reino de Judá, nem pela destruição de Jerusalém ou pelo desmoronamento do Templo, brilhavam vivamente, iluminando com uma luz ao mesmo tempo doce e intensa todos os recantos, todos os detalhes da maravilhosa arquitetura daquela cúpula sem igual talhada na rocha viva.

Os peregrinos apagaram suas tochas, pois não tinham mais necessidade delas, colocaram-nas junto à porta, tiraram suas sandálias e ajustaram seus chapéus como num lugar sagrado, e depois avançaram, inclinando-se por nove vezes na direção dos gigantescos lampadários.

Na base do triângulo formado por estes, levantava-se um altar de mármore branco de forma cúbica de dois côvados de altura. Numa das faces, a que estava voltada para o vértice do triângulo, estavam representadas, em ouro, os instrumentos da Maçonaria: a Régua, o Compasso, o Esquadro, o Nível a Trolha, o Malhete. Sobre aface lateral esquerda, via-se figuras geométricas: o Triângulo, o Quadrado, a Estrela de Cinco Pontas, o Cubo. Sobre a face lateral direita, liam-se os números: 27, 125, 343, 729, 1331. Enfim, na face posterior, estava representada a Acácia simbólica. Sobre esse altar estava colocada umapedra de ágata  de três palmos de lado; acima, lia-se, escrita em letras de ouro, a palavra “Adonai”. Os dois Magos discípulos inclinaram-se, adoraram o nome de Deus; mas seu chefe, levantando ao contrário à cabeça. Disse-lhes:
Já é tempo de saberdes o último ensinamento que fará de vós Iniciados perfeitos. Esse nome não passa de um símbolo que não exprime de forma real a idéia da “Concepção Suprema”.

Ele segurou então com as duas mãos a pedra de ágata, voltou-se para seus discípulos, dizendo-lhes: “Olhai a Concepção Suprema: ei-la. Estais noCentro da idéia”.  

Os discípulos soletraram as letras Iod, He, Vau, He e abriram a boca para pronunciar a palavra, mas ele gritou para eles: “Silêncio! É a palavra inefável que não deve sair de nenhum lábio”.

Em seguida, repousou a pedra de ágata sobre o altar, tomou a jóia do Mestre Hiram que pendia de seu pescoço e mostrou-lhes como as mesmas letras estavam gravadas ali.

“Aprendei agora. Disse-lhes, que não foi Salomão quem mandou cavar esta abóbada hipogéia, nem construir as oito que a precedem, nem foi ele quem escondeu aqui a pedra de ágata. A pedra foi colocada por Henoch, o primeiro de todos os Iniciados, o Iniciado Iniciante, que não morreu, mas sobrevive em todos os seus filhos espirituais. Henoch viveu muito tempo antes de Salomão, antes mesmo de dilúvio. Não se sabem em que época foram construídas as oito primeiras abóbadas e esta, cavada na rocha viva”. Contudo, os novos grandes Iniciados desviaram sua atenção do altar e da pedra de ágata, contemplaram o céu da Sala, que se perdia numa altura prodigiosa, percorreram a vasta nave, na qual suas vozes despertavam ecos repetidos. Chegaram, assim, diante de uma porta, cuidadosamente dissimulada, e cujo símbolo era uma vaso quebrado. Chamaram seu Mestre e lhe disseram: “Abre-nos também esta porta: deve haver um novo mistério por trás dela”. – Não, respondeu-lhes ele, não deve abrir esta porta.

Há por trás dela um mistério, mas é um mistério terrível, um mistério de morte. – “Oh, queres esconder de nós alguma coisa, reservando-a para ti; mas queremos saber tudo; nós mesmos abriremos essa porta”.

Eles então se puseram a pronunciar todas as palavras que haviam ouvido da boca do Mestre; depois, como essas palavras não produzissem nenhum efeito, eles disseram todas as que lhes passaram pela cabeça. E já iam desistir, quando um deles pronunciou: “Não podemos, contudo, continuar até o infinito”. A essa palavra: Em Sofá, a porta se abriu com violência, os dois imprudentes foram derrubados ao chão, um vento furioso soprou pela abóbada, as lâmpadas mágicas se apagaram.

O Mestre correu para a porta, abaixou-se, chamou os discípulos em seu socorro; eles acorreram à sua voz, inclinaram-se com ele, e seus esforços reunidos chegaram afinal a fechar a porta.

Mas as luzes não tornaram a se acender e os Magos foram mergulhados na mais profunda treva. Eles se reuniram à voz do seu Mestre. Este lhes disse: “Aí, este acontecimento terrível era de se prever”. Estava escrito que cometeríeis essa imprudência. Eis agora em grande perigo nestes lugares subterrâneos ignorados pelos homens. Tentemos, contudo, sair daqui, atravessar as oito abóbadas e chegar ao poço pelo qual descemos. Daremos as mãos uns aos outros e caminharemos até encontrar a porta de saída.

Recomeçaremos em todas as salas até chegarmos ao pé da escada de vinte e quatro degraus. Esperaremos chegar até lá.”

Assim fizeram. Passaram horas de angústia, mas não se desesperaram.

Chegaram até o pé da escada de vinte e quatro degraus. Subiram, contando 9, 7, 5 e 3, e se viram de novo no fundo do poço. Era meia-noite, asestrelas brilhavam no firmamento; a corda feita de cintos pendia lá ainda.

Antes de deixar que seus Companheiros subissem, o Mestre mostrou-lhes o círculo recortado no céu pela boca do poço e lhes disse: “Os dez círculos que vimos ao descer representam também as abóbadas ou arcos da escadaria; o último corresponde ao número onze, aquele de onde soprou o vento do desastre: é o céu infinito, com luminárias de fora de nosso alcance que o povoam”.   

 Os três Iniciados voltaram ao recinto do Templo em ruínas; rolaram de novo o fuste de coluna sem perceber nele a palavra “booz”, desamarram seus cintos, cingiram-nos montaram em seus camelos; depois, sem trocar uma só palavra, mergulhados em profunda meditação sob o céu estrelado, no meio do silêncio noturno, afastaram-se ao passo lento de seus camelos na direção de Babilônia.



Excerto da obra de: Boucher, Jules – A Simbólica Maçônica; Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, Tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. Ed.Pensamento, S.Paulo, SP, 2006.