Com o Projeto de Lei (PL 6162/09) do
Senador Cristovam Buarque, ex-reitor da UNB, que propõe a criação de um artigo
na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que introduz do ensino
da língua internacional Esperanto no Ensino Médio como matéria opcional, muitas
perguntas, velhas e novas, sobre essa língua vem sendo feitas.
Reuni, então, algumas perguntas
importantes para que você saiba exatamente o que o Esperanto é e o que ele não
é. Sem mitos e sem bobagens. Esse questionário deixará você bem informado sobre
esse assunto, que está na pauta do Congresso Nacional.
- Esperanto não é uma
língua morta?
Não. Ao contrário: Esperanto é uma língua
moderna e jovem. Tem apenas 124 anos, o que para uma língua é uma criança.
Esperanto é uma língua viva, com vocabulário para toda e qualquer situação
contemporânea, com dicionários técnicos sobre aviação, computação etc.
Uma língua é considerada morta quando
deixa de ser usada por um agrupamento humano, estaciona no tempo e não
acompanha mais a evolução social e tecnológica. O Latim, por exemplo, embora
usado em nomenclaturas biológicas, no Direito e em algumas situações pontuais e
específicas, é uma língua morta. Por que? Sabe como se diria em Latim a frase
“O ascensorista colocou a mão no bolso da calça e tirou o maço de cigarros”?
Não é possível dizer! Porque na Roma Antiga não existiam elevadores e,
portanto, não existiam ascensoristas; não existiam maços de cigarros, não
existiam bolsos e nem calças. Assim, por ter deixado de ser usado por um
agrupamento humano, por ter parado no tempo e não acompanhado a evolução do
mundo, o Latim tornou-se uma língua morta. Apenas para dar mais um exemplo, o mesmo
aconteceu com o Sânscrito védico e depois com o Sânscrito clássico, que embora
existam em livros da tradição védica, não são usados como língua do dia a dia
por nenhum agrupamento humano e, por isso, deixaram de acompanhar a evolução
social e tecnológica da humanidade. Para que se tenha uma ideia da localização
do Sânscrito no tempo, as primeiras formas dessa língua, que pode ter levado
séculos se desenvolvendo, aparece por volta de 1200 a.C. e por volta do século
V a.C., a gramática do Sânscrito clássico foi fixada por Panini. Hoje apesar de
ser uma das 23 línguas oficiais da Índia, é utilizada apenas em liturgias e não
na vida cotidiana. Tanto o Sânscrito quanto o Latim influenciaram várias
línguas modernas, mas são línguas ditas tecnicamente mortas.
O Esperanto, com apenas 124 anos, é uma
língua moderna, viva e pujante.
- Esperanto não é um
projeto que não deu certo?
Não. Nada disso. Esperanto não é um
projeto e já faz tempo que deu certo. O Esperanto é uma língua em plena
atividade. Seus falantes contam com uma organização mundial bem sólida. A
Associação Universal de Esperanto, com sede na Holanda, possui mais 1900
Delegados em 90 países. Existe uma Academia Internacional de Letras
Esperantista e associações mundiais de muitas atividades humanas profissionais
ou não. A Academia de Ciência de San Marino, confere título de Mestre ou Doutor
a quem apresenta lá seu trabalho de mestrado ou doutorado em Esperanto. Na
Hungria o Esperanto já é matéria opcional nos vestibulares, desde o ano 2000, e
é uma das quatro opções para língua não-nacional mais escolhidas pelos
vestibulandos. Na China o Esperanto já é ensinado em várias escolas como língua
opcional e algumas universidades do país existem cursos de pós-graduação em
Esperanto e esperantologia. O site oficial do governo Chinês oferece versão em
Esperanto. Por falar nisso existem sites não esperantistas que já utilizam o
Esperanto como ferramenta de comunicação, como o do jornal francês “Le Monde
Diplomatic”, a rede social “Face Book”, o buscador “Google” etc. O sistema
operacional Linux também tem versão em Esperanto, o OpenOffice tem corretor
ortográfico em Esperanto. Eu uso o navegador Mozilla Firefox em Esperanto. Aí
você poderia pensar “Ah, o Linux e o Mozilla não valem porque suas versões são
feitas por internautas pelo mundo afora”. Pois é: existem esperantistas no
mundo em número suficiente para formar grupos e produzir muita coisa na língua,
apesar de ser uma língua com pouco mais de um século de vida e de não pertencer
a um país. A Wikipedia em
Esperanto possui hoje mais de
144.000 artigos nessa língua, traduzidos ou escritos por esperantistas. Pense
nisso.
Poderia oferecer muitos outros dados, mas
já deu pra perceber que o Esperanto deu certo.
- Mas não é absurdo
uma língua universal para substituir as línguas nacionais?
Claro! Seria uma ideia não só absurda, mas
também nefasta! O Esperanto nunca se propôs a ser “universal”. Esse adjetivo
NUNCA foi utilizado pelo iniciador do Esperanto, pelo movimento esperantista
organizado ou pela literatura esperantista. O Esperanto surgiu exatamente para
evitar que línguas nacionais fossem descaracterizadas ou desaparecessem
completamente pela imposição de línguas nacionais de nações economicamente fortes. Fenômeno
recorrente no mundo. Esse é o absurdo: línguas nacionais que são impostas por
razões mercantilistas e de poder sobre nações mais pobres. A ambição humana tem
estado historicamente acima da preservação do patrimônio linguístico e cultural
da humanidade e da democracia linguística nas relações internacionais. O
Esperanto surgiu exatamente para defender esses princípios, além de ser uma
língua foneticamente possível de ser falada por todas as gentes e muito mais
fácil que qualquer língua nacional. A ideia de universalização da língua vai
contra os princípios esperantistas.
O Esperanto nasceu com outro nome.
Chamava-se simplesmente “Língua Internacional”. Não “universal”. E quando
surgiu se apresentava com o seguinte mote: “Para cada povo seu idioma, para
todos os povos o Esperanto”. O Esperanto sempre se colocou como a melhor
alternativa de língua neutra internacional para as relações internacionais e
não como substituto das línguas étnicas.
- Mas, eu já vi uma
propaganda de curso de Esperanto chamando-o de “Língua Universal”...
Eu também já vi muita bobagem nessa vida.
Acredite. Mas isso é fruto de ignorância. Um esperantista bem formado, com
nível cultural mais elevado, sabe que a palavra “universal” é perigosa e
incorreta para classificar o Esperanto, porque transmite a ideia de algo que
existe parar substituir coisas que lhe são semelhantes, como “pino universal”,
por exemplo. Embora existam outros significados para essa palavra, como no
platonismo e no aristotelismo, seu significado geral é de algo global, mundial,
que abrange tudo. Podemos pretender que o Esperanto tenha divulgação e
utilização universal, no sentido de ser utilizado em todos os lugares do mundo,
mas sempre e apenas como língua-ponte entre as gentes. O Esperanto em si não é
universal. É Internacional. Caso você veja algum anúncio de curso de Esperanto
adjetivando essa língua como “Universal”, melhor escolher outro curso.
- Esperanto não é uma língua
espírita?
Não. O Esperanto é uma língua neutra em
todos os aspectos, inclusive o religioso. Em matéria de religião, é tão neutra
quanto o Português, o Inglês, o Espanhol etc. O Esperanto é neutro também em
matéria de etnia, nação ou
qualquer conceito nacionalista. Por isso carrega valores humanistas e devido a
esses valores é apoiado por muitas religiões e por instituições como a UNESCO.
Existem no mundo organizações de esperantistas de várias religiões, como
católicos, evangélicos, quakers, bahaístas, oomotanos, budistas etc. O Papa,
por exemplo, transmite a mensagem
“Urbi et Orbi” em Esperanto. E não é o primeiro Papa a fazer isso. A rádio
do Vaticano transmite programas em Esperanto três vezes por semana e quando
faleceu o Papa João Paulo I, que era esperantista, transmitiu missa em
Esperanto em sua intenção e homenagem. Esperanto é um instrumento de
comunicação, assim como uma caneta é um instrumento de escrita, ou uma cadeira
um móvel para nosso conforto. Todos podem ser usados por espíritas, católicos,
evangélicos etc, mas isso não torna o Esperanto a caneta ou a cadeira espirita,
nem catolica. Já a UNESCO emitiu duas Resoluções
Oficiais favoráveis ao Esperanto, onde recomenda aos Estados-membro que
divulguem e ensinem a língua, especialmente em suas universidades.
- E por que, então,
tem gente que pensa assim?
No Brasil o Esperanto vem sendo apoiado
pelo Espiritismo há muitos anos e por isso pessoas mal informadas ou mal
intencionadas, dizem por aí que Esperanto é língua espírita. Quem não sabe o
que é o Esperanto tende a acreditar porque parece verdade: os nomes Esperanto e
Espiritismo são meio parecidos, ambos começam com “esp”, um leigo que vê um
livro de Esperanto publicado pela Federação Espírita Brasileira ou um livro
espírita falando do Esperanto, pode rotular o Esperanto como coisa de espírita,
fechar questão e sair repetindo a bobagem por aí. Isso funciona como uma boa
antipropaganda porque uma escola de línguas, por exemplo, não se interessa em
oferecer cursos de algo que acredita ser assunto religioso. Além disso
profitentes de religiões refratárias ao Espiritismo, nem param pra saber o que
é Esperanto se acreditarem ser coisa de espírita. Divulgar essa informação
falsa tem sido uma forma ardilosa de frear o crescimento do Esperanto no
Brasil.
- Esperanto não é uma
língua artificial?
Depende do que considerarmos “artificial”.
O Esperanto deu certo justamente por não ser artificial como centenas de
tentativas de “Língua Neutra”, que vieram antes dele e não funcionaram. Muita
gente boa tentou uma solução neutra para a comunicação internacional, como os
filósofos Descartes, Montesquieu e Voltaire, por exemplo. Mas, todos falharam
porque língua não se “inventa”. A grande diferença do Esperanto é que suas
palavras não foram “inventadas”, mas vieram das línguas-tronco das línguas
modernas. Ou seja, das línguas que deram origem às línguas modernas. Tudo
passando por uma pesquisa profunda dos radicais de palavras que já eram
internacionais por si mesmos. É por isso que é comum reconhecermos palavras
quando ouvimos um texto em Esperanto, mesmo sem nunca termos aprendido a
língua. E o mais fantástico: isso acontece com gente do mundo todo. Até os
falantes de línguas orientais sentem facilidade com o Esperanto porque a lógica
da língua contempla o raciocínio oriental.
Então, resumindo pra responder: o
Esperanto é artificial no seu arranjo mas não na origem de suas palavras ou na
estrutura de sua gramática, que aproveitou o que de melhor o ser humano
desenvolveu no campo gramatical. Convivemos no dia a dia com muitas coisas
igualmente artificiais no seu arranjo, mas não em sua origem, como a casa em
que moramos, bem diferente da natural caverna, como as verduras que comemos,
produzidas pelo domínio do homem sobre a natureza, caso também do seu cãozinho
doméstico, já que a natureza só produziu lobos. O Esperanto é tão natural e tão
artificial quanto essas coisas.
- Mas uma língua
arranjada dessa forma pode funcionar?
Se qualquer outro projeto “a posteriori”
(nome técnico de línguas cujas palavras vêm das línguas ditas “naturais”, em
contraposição a línguas “a priori”, aquelas inventadas mesmo), poderia
funcionar é difícil dizer. Mas o Esperanto é um fenômeno reconhecido por
organizações como a União Internacional de Telecomunicações, ou melhor, por
todas as organizações internacionais e seu iniciador, o médico e linguísta
polonês Lázaro Luiz Zamenhof, considerado pela UNESCO como um gênio da
humanidade. Talvez por isso o Esperanto seja um caso à parte.
O Esperanto funcionou de forma tão
surpreendente, que em algumas universidades de alguns países existem estudos
sobre esperantologia. Porque o Esperanto é realmente um fenômeno
sóciolinguístico. Existem, por exemplo, pessoas que aprenderam o Esperanto
desde o berço, dentro de casa, e nada faltou nele para que crescessem e se
desenvolvessem como fariam falando qualquer outra língua.
- Tem alguém que fala
essa língua?
Há quem diga que o Esperanto é uma língua
falada apenas por algumas pessoas excêntricas. Mais um equívoco de quem forma
opinião sobre coisas sem pesquisá-las com seriedade. Talvez você não conheça
ninguém que fale Esperanto porque as pessoas que falam a língua não andam pela
rua com uma placa pendurada no pescoço dizendo “Eu falo Esperanto”. Ou porque,
de fato, a quantidade de pessoas que fala a língua não seja tão grande assim. O
Esperanto não tem tantos falantes quanto o Português, o Inglês, o Espanhol, mas
já tem uma enorme capilaridade. Para esclarecer a diferença entre quantidade e
capilaridade, tomemos o exemplo do Inglês e do Chinês (Mandarim). Qual das duas
é mais falada? Em quantidade é o Chinês, sem dúvida, mas em capilaridade é o
inglês, porque está em mais lugares do mundo. O Esperanto já tem hoje mais
capilaridade que o inglês.
- Mas eu não conheço
ninguém...
Vejamos alguns números: a ONU registra que
o planeta tem 191 países, mas o Banco Mundial jura que são 229. A FIFA tem 209
países associados e a empresa de cartões de crédito VISA recebe mensalmente
faturas de 249 países. Em levantamento feito até 11 de dezembro de 2010,
existem pessoas que falam Esperanto em 242
países do mundo. Isso é capilaridade. O Esperanto está em todos os cantos
do planeta e em muitos países
existem clubes, associações, agremiações esperantistas. Existe uma rede mundial
organizada de esperantistas que hospedam esperantistas, de forma que é comum
viajar pelo mundo hospedando-se em casas de esperantistas. E mesmo quando o
esperantista prefere ficar em hotéis, é recebido por esperantistas que lhes dão
suporte nos países visitados.
Então, se você falar Esperanto vai
conhecer muita gente que também fala. E do mundo todo.
- Mas, se o Esperanto
ainda é usado por pouca gente no mundo, embora com boa capilaridade, por
que é chamado de “Língua Internacional”?
Porque no caso do Esperanto “Língua
Internacional” é um adjetivo, um qualificativo e não um advérbio. Ou seja, o
Esperanto é internacional independentemente de estar ou não internacional,
porque nasceu internacional. O Esperanto tem raízes em todas as línguas do
mundo, foi buscar na origem delas as suas palavras e sua gramática. Quando se
ouve pela primeira vez alguém falando Esperanto, é possível identificar algumas palavras e sentir uma certa
familiaridade com a língua. Se a pessoa sabe Inglês, reconhece palavras que se
assemelham ao Inglês, se sabe Francês, Grego, Italiano etc., acontece a mesma
coisa. Se é oriental, encontra uma gramática mais próxima da lógica de sua
língua. Ou seja, o Esperanto é internacional em si mesmo. Aliás, quando surgiu,
o nome da língua não era Esperanto, mas apenas “Língua Internacional”. Doutor
Esperanto era o pseudônimo de Zamenhof, que era médico, e depois de algum tempo
os esperantistas resolveram homenageá-lo dando à “Língua Internacional” o nome
de Esperanto. Não é interessante? O Esperanto é tão natural na origem de suas
palavras que até o nome da língua aconteceu em um processo cultural e histórico
natural. E nesse mesmo processo a língua já cresceu e se desenvolveu muito
desde que surgiu.
- Existe literatura em
Esperanto?
Sim. E vasta! Existem livros tanto
originalmente escritos em Esperanto quanto traduzidos para a língua, sobre
todas as áreas do pensamento humano. A biblioteca Hector Hodler, da Associação
Universal de Esperanto possuí algo em torno de 20.000 títulos de livros, além
de jornais, periódicos, músicas etc. Você pode ler de Lusíadas de Camões aos
quadrinhos do Asterix em Esperanto. Você pode ler livros de culinária internacional a Goethe, ou se quiser
Shakespeare, Molière, ou Karl Marx e Adam Smith. Livros infantis e adultos.
Aliás, o Ministério da Educação Brasileiro mantém em seu portal na Internet a
página “Domínio Público” onde
disponibiliza livros para baixar, cujos direitos autorais já expiraram. Se você
selecionar no menu a língua Esperanto, vai encontrar 220 títulos à disposição
para baixar gratuitamente. No Brasil, várias instituições esperantistas vendem
livros em Esperanto, como a Liga
Brasileira de Esperanto, a Cooperativa Cultural dos
Esperantistas e muitas
outras.
- Então o Esperanto
não é língua de uma “tribo” social fechada?
O Esperanto nasceu e cresce por motivos
diversos dos que regem o mercado. Nada contra o mercado. Tenho convicção que o
Esperanto começará em breve a ter espaço nele. Se um exportador e importador
brasileiro quiser hoje fazer negócios com a China em Esperanto, a iniciativa
será recebida com simpatia pelos chineses. E isso vale para outros povos. Mas,
o Esperanto surgiu pela necessidade de uma língua neutra para comunicação
democrática entre os povos, ou seja, uma língua que não ferisse brios
nacionalistas, que não colocasse os nativos de determinada língua em vantagem
sobre os nativos de todas outras línguas, que ao contrário de línguas nacionais
travestidas de internacionais, não praticasse a dilapidação do patrimônio
cultural dos povos pela contaminação cultural forçada pelos interesses econômicos.
Uma língua tecnicamente possível de ser falada por todos os povos do planeta,
que não esbarrasse em barreiras fonéticas intransponíveis. O Esperanto surgiu
pela preocupação única e desinteressada de atender à necessidade de comunicação
fácil, quente, cara a cara, entre os povos, de forma a intensificar o
intercâmbio cultural multilateral e não unilateral e de forma a facilitar o
intercâmbio científico em prol da humanidade. O Esperanto nasceu neutro e com
direitos autorais cedidos em cartório como domínio público. Portanto, nasceu na
contra-mão da exploração do ensino de línguas como meio de produzir riqueza
para determinados países. Isso sim é favorecer a uma tribo.
- Então, por que não
se encontra livros em Esperanto em livrarias comuns e não vê anúncios na
TV de cursos de Esperanto?
O processo histórico do Esperanto fez com
que ele crescesse sem o apoio de nenhuma super potência, de uma empresa ou de
qualquer poder econômico e fez ainda com que fosse até perseguido por
supostamente colocar em risco interesses diversos àqueles da humanidade como um
todo. Por isso, esperantistas foram mortos por Hitler nos mesmos campos de
extermínio onde morreram judeus e outras minorias, por isso as ditaduras tanto
de direita quanto de esquerda e os totalitaristas o perseguiram também. O
Esperanto precisou renascer depois da segunda guerra mundial e vem se
desenvolvendo à medida que os países vão se democratizando. A Internet é também
um grande marco no desenvolvimento do Esperanto.
Por isso, em uma história ainda tão curta
e tão conturbada, lutando pelo direito à democracia linguística, pela igualdade
entre os homens nas relações internacionais, por valores humanistas e pela
proteção da diversidade cultural, contra interesses econômicos e de dominação
históricos, é natural que ainda não tenha comprado espaços comerciais nas TVs e
que venha conquistando pouco a pouco espaços nas grandes livrarias. Com a
Internet, soluções como TVs na Internet, e livrarias virtuais, vieram atender
às necessidades de divulgação do Esperanto. E para o futuro tem mais.
- O mundo precisa de
uma língua como o Esperanto?
Como você já deve ter percebido por tudo
que foi escrito até aqui, sim. E precisa urgentemente. Tanto nas relações
diplomáticas quanto nas relações interpessoais em escala mundial, o problema da
língua-ponte não está resolvido.
- Mas, o Inglês já não
é a língua internacional?
Vejamos dois aspectos: técnico e prático.
No aspecto técnico a resposta é não. O Inglês é uma língua nacional travestida
de internacional. É uma língua tecnicamente impossível de ser falada para
muitas etnias, por isso
94% do planeta não fala Inglês. Uma língua nada fonética, com 12 sons para
a letra “a”. Tente, por exemplo,
conversar com um japonês ou um grego em Inglês e você perceberá que a dificuldade
é muito grande. E mencionei dois países onde o Inglês é bem difundido. Pense no
caso brasileiro onde as crianças já nascem ouvindo músicas em Inglês, são
bombardeadas pela língua inglesa por todos os lados, recebem aulas de inglês na
escola regular desde muito cedo, em certos casos desde o ensino infantil, e
quando saem do Ensino Médio, não sabem falar inglês. Por que? Porque é uma
língua antípoda à língua portuguesa. É de origem anglo-saxônica enquanto o
Português é de origem latina. É foneticamente difícil e sua gramática, embora
relativamente fácil, é cheia de exceções e idiossincrasias.
Na prática o Inglês é uma língua
comercialmente bastante usada no mundo capitalista ocidental. Mas não em todo o
mundo. Falei da China que vem ensinando o Esperanto e vem também ensinando o
Inglês. Mas, eles aprendem o Esperanto com mais facilidade, mais rapidamente e
a língua é mais simpática por ser neutra. Então por que aprendem Inglês?
Porque, embora tenha ordenamento político comunista, entraram no jogo capitalista
para ganhar. E o jogo pede conhecimento do Inglês, já que Estados Unidos tem
“mando” do jogo capitalista. Para a China, ganhar nesse jogo é questão de
sobrevivência já que existe lá uma super população para alimentar. Mas isso não
quer dizer que se a China obtiver o “mando” desse jogo continuará trabalhando
com o Inglês. E nem conseguirá ensinar Mandarim para o mundo. Nem para todos os
chineses conseguiram ensinar.
Então, o Esperanto seria uma opção digna. E eles já desenvolvem o ensino do
Esperanto por lá.
Se o Inglês tivesse alcançado seu objetivo
em ser a língua internacional a ONU não gastaria o equivalente a três vacinas
contra poliomielite por palavra traduzida em suas assembléias. A foto abaixo
ilustra o problema. Vemos a rainha da Inglaterra fazendo um pronunciamento na
ONU e até mesmo os membros da mesa precisam de tradução simultânea.
- Se eu aprender
Esperanto vou conseguir um emprego melhor?
Por enquanto, não. Para tentar um emprego
melhor no Brasil, você deve aprender Inglês ou Espanhol ou a língua que
interessar à empresa onde você quer oportunidade. Se quiser trabalhar na
Volkswagen, melhor aprender Alemão. Na Argentina está em alta fazer curso de
Português. Quem domina o Português na Argentina está conseguindo melhores
empregos devido ao bom momento econômico brasileiro. Também é importante dizer
que apenas aprender uma língua estrangeira não garante a obtenção de um emprego
melhor. É necessário estudar e cuidar do currículo. Esse negócio de mágica só
existe em comercial feito pra vender cursos de línguas.
Com relação ao Esperanto, hoje, o que
posso garantir é que você ampliará seu leque de contatos, em nível
internacional e terá com ele uma ferramenta única de comunicação sem barreiras.
E isso abra perspectivas.
- Então, Esperanto pra
quê?
Do ponto de vista pessoal, para seu
crescimento cultural e humano. O conhecimento do Esperanto faz com que
comecemos a pensar mundialmente de verdade e nos possibilita conhecer muito
mais o mundo do que o conhecimento de qualquer língua nacional estrangeira. A
questão não é só fazer amigos, mas a troca cultural que esses amigos acabam
propiciando por estarem em todos os cantos do planeta. O Esperanto abre portas
para que você conheça culturas e povos por dentro e não apenas da vitrine dos
roteiros turísticos.
Se estendermos nosso olhar a partir do
aspecto pessoal para o de nossa sociedade, veremos que o Esperanto é um tesouro
a ser explorado.
Do ponto de vista da sociedade humana, o
Esperanto promove a proteção à diversidade linguística e consequentemente à
diversidade cultural, que é uma riqueza da humanidade a ser preservada. Já há
algum tempo é uma preocupação dos países europeus a proteção de suas línguas
locais. Na Alemanha, por exemplo, é proibida a exibição em cinemas de filmes
falados em qualquer língua que não seja o Alemão. Todos os filmes tem que ser
dublados. O problema da contaminação cultural invasiva é muito evidente na
Europa, onde os países são pequenos e muito próximos. O Esperanto promove a
democracia linguística nas relações internacionais, principalmente as
diplomáticas por ser uma língua neutra de igual propriedade de todos os povos
do mundo.
- Esperanto é muito
difícil?
Não. É muito fácil se comparado a qualquer
outra língua. Por um lado possui uma gramática lógica e sem exceções, com
apenas 16 regras fundamentais. Por outro lado, essa gramática lógica faz com
que você aprenda mais vocabulário em menos tempo. Você aprende uma palavra e
pode criar muitas outras, expressar muitas ideias a partir dela, devido ao
conjunto de prefixos e sufixos que funcionam como um jogo de montar. Esses
afixos são regulares também e por isso o “jogo” é automaticamente compreendido
por quem fala Esperanto. A revista “News Week” de 11 de agosto de 2003,
publicou matéria onde afirmou que o Esperanto é pelo menos 10 vezes mais fácil
de aprender do que o Inglês. Mas, Esperanto é língua. Não dá pra aprender
dormindo. Requer menos esforço, menos tempo, quanto mais línguas o aluno souber
mais fácil fica de aprender. E se não souber língua estrangeira alguma, aprendendo
Esperanto, aumentará sua facilidade para prendê-las. Mas requer alguma
dedicação, claro.
- E esse projeto do
Senador Cristovam Buarque?
Existe um projeto de Lei do Senador
Cristovam Buarque, um homem reconhecidamente envolvido com a educação, que propõe
a introdução do Esperanto como matéria opcional no ensino médio. A aprovação
desse projeto e a posterior e necessária adesão das escolas para o ensino do
Esperanto, representaria um ganho enorme para nossos alunos, tanto no
aprendizado de línguas, quanto no aprendizado humanista.
- Mas, seria bom para
o enisno?
Podemos afirmar, com base em pesquisas
científicas como a publicada pelo Ministério da
Instrução Pública da Itália, que aprendendo Esperanto você aprenderá Inglês
ou qualquer outra língua com mais facilidade e mais rapidamente, porque o
Esperanto é um facilitador comprovado para o aprendizado de línguas. O que
incluí a própria língua nacional. Ou seja, aprender Esperanto ajuda no
aprendizado do Português. Estudos demonstram também que o jovem que aprende
Esperanto, melhora seu raciocínio lógico matemático e aumenta seu interesse por
Geografia e História.
Além disso, o Esperanto é reconhecido pela
UNESCO como um importante instrumento para o fomento de uma cultura de paz. O
que é urgente nos dias atuais.
• No Culturoscópio você encontra o texto
"Esperantono Ensino: uma Janela para o Mundo" com informações
detalhadas sobre esse tema. Vale a pena ler. Clique
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- E tem professor em
quantidade suficiente pra ensinar Esperanto?
• Clique
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"Os Elefantes Africanos Voam Melhor", que responde a essa questão.
(*) Pedro
Jacintho Cavalheiro, é mestre em Arte, pela Escola de Comunicações e Artes
da Universidade de São Paulo, especialista em autenticação de obras de arte
(história da arte técnica). Designer de Produto, graduado e Designer Gráfico.
Também graduado e licenciado em Arte, Desenho e História da Arte. Patrimônio
Artístico é sua outra especialidade. Foi Jornalista e Repórter Fotográfico.
Professor universitário em disciplinas relacionadas à arte e história da arte,
tendo já incursionado pelas questões ambientais e lecionando em curso de
pós-graduação em Gestão Ambiental. Doutorando em Metodologia Nuclear, sobre sua
aplicação à autenticação de obras de arte (arqueometria). É dedicado à
linguística e professor de Esperanto. Quando jovem cantou, atuou, e segundo ele
próprio, arranhou instrumentos musicais e hoje é artista plástico, cinéfilo e
teatrófilo.
Fonte: Blog “Culturoscópio” – Clique
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Fonte: Blog “Culturoscópio”
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