sábado, 4 de outubro de 2014

Fábula (iniciática) contada por Antoine de Saint-Exupéry na sua obra “O Pequeno Príncipe”, que instiga buscar a evolução da consciência humana e o desenvolvimento da espiritualidade.













Luiz Carlos Nogueira










Na Bíblia Sagrada, Jesus teria dito em Mateus 18:3, que “[...] se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.”

De fato essa é uma referência válida, porque as crianças veem as coisas de forma diferente, simples e sem malícia, o que, aliás só a mente dos adultos é capaz de engendrar para algum proveito próprio.  Digo isso para mostrar que na estória do Pequeno Príncipe (Principezinho - para os nossos irmãos de Portugal), o autor narra que quando tinha 6 anos havia visto em um livro sobre Floresta Virgem, a gravura de uma jiboia que tinha engolido algum animal inteiro, e no qual explicava que as jiboias engolem sem mastigar a presa inteira, e depois ficam imóveis e dormem por 6 meses enquanto acontece a digestão.

Assim o autor resolveu desenhar a jiboia com o animal que havia engolido. O desenho ficou assim:

Desenho 1





 Após terminar a sua “obra-prima”, mostrou-a às pessoas grandes, perguntando-lhes se o seu desenho lhes causava medo.  Mas as pessoas adultas lhe respondiam; “Por que é que um chapéu faria medo?”

Ora, é claro que para o menino-autor o seu desenho não representava um chapéu, mas sim uma jiboia digerindo um elefante, o que o obrigou a redesenhar mostrando o que havia no interior da jiboia, para que as pessoas grandes pudessem compreender. “Elas tem sempre necessidade de explicações” disse o autor do desenho. O segundo desenho ficou assim:

Desenho 2




A partir daí disse o autor: “As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.”

“Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo.E a geografia, é claro, me serviu muito. Sabia distinguir, num relance, a China e o Arizona. É muito útil, quando se está perdido na noite.”

“Tive assim, no correr da vida, muitos contatos com muita gente séria. Vivi muito no meio das pessoas grandes. Vi-as muito de perto. Isso não melhorou, de modo algum, a minha antiga opinião.”

“Quando encontrava uma que me parecia um pouco lúcida, fazia com ela a experiência do meu desenho número 1, que sempre conservei comigo. Eu queria saber se ela era verdadeiramente compreensiva. Mas respondia sempre: "É um chapéu". Então eu não lhe falava nem de jibóias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me ao seu alcance. Falava-lhe de bridge, de golfe, de política, de gravatas. E a pessoa grande ficava encantada de conhecer um homem tão razoável.”

Aprendendo a perceber as coisas e os fatos.
Ora, o que Antoine de Saint-Exupéry quis mostrar é que as pessoas devem se tornar capazes de perceberem as coisas e os fatos, para além da comum estupidez da inteligência humana, que apenas se reduz às coisas sociais, convertendo-se em instrumento de poder e de ilusão de impotentes, além de matar a inteligência e as habilidades que estão se despertando em cada ser humano, ainda que se mostre um elefante na barriga de uma jiboia, não será por isso que se fará desse ser humano um componente social aceitavelmente idiota.
A lição ontológica.
E o pequeno príncipe, expressa de maneira aparentemente ingênua, a lição ontológica do autor, sem dispensar a abordagem política, ética e econômica. E assim, se referindo ao personagem Sr. Carmesim, ele observa que esse senhor que “nunca respirou uma Flor”, que “nunca olhou para uma estrela”, que “nunca amou pessoa alguma”, que “mais não faz do que adições” e que se considera “um homem sério”. Portanto, não é necessário muito esforço para perceber que a vida desse homem, resume-se em querer ter cada vez mais e mais — ou seja, sua vida resume-se apenas no cálculo matemático de somar a materialidade; não há para ele outra dimensão ontológica. De tal sorte, quem não respira, não vê, não ama - só calcula, não tem vida interior própria do ser humano; sua paisagem interna é ária e sem luz. E o dia todo repetindo, observa o pequeno príncipe: “Sou um homem sério! Sou um homem sério!” e isso fá-lo inchar de orgulho. Mas não é um homem, é um cogumelo!”. Em outras palavras, o pequeno príncipe achou o Sr. Carmesim um estúpido — morto espiritualmente para a assimilação do sentido das coisas.

Ora, mas que significado quis dar o pequeno príncipe quando disse “nunca respirou uma Flor”? Há diferença entre “cheirar” e “respirar”. Por exemplo, cheirar uma rosa é colocar-se em relação a ela exteriormente — esse ato dá-me o cheiro, mas não a rosa inteiramente; enquanto respirar a rosa significa interiorizá-la intelectualmente, o que significa possuir a intuição intelectual do que é uma rosa em relação a mim. O simples cheiro de uma rosa — em si mesmo — não expressa o que ela é.
A viagem iniciática para buscar a expansão da consciência.
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Embora sem compreender exatamente o que o unia a uma flor, o pequeno príncipe resolveu deixar o seu pequeno planeta e viajar pelo espaço e tempo, de tal forma que essa viagem iniciá-lo-ia na forma externa das relações políticas, até que por fim encontrasse alguém que o iniciaria na forma interna ou interiorizada das mesmas relações. Seria um movimento para alargar-lhe e aprofundar-lhe no ato de inteligência. A finalidade era de arrumar ocupações e de se instruir.
O asteroide 325 - O rei e o poder político.
Assim, o pequeno príncipe visitou seis asteroides mais próximos (de números 325 a 330), sendo que o primeiro deles (325) era habitado por um rei (monarca absoluto e universal), o protótipo do poder político exercente de uma relação exterior, de apenas sua vontade imperativa sobre os seus súditos, que para ele, todos os seres humanos do universo o eram. Com relação a esse rei, o pequeno príncipe constatou que embora suas ordens fossem razoáveis, “fazia questão fechada que sua autoridade fosse respeitada. Não tolerava desobediência”. “Eu não tolero indisciplina”, dizia o rei.
Todavia, deve-se tirar disso a lição de que um rei pode ser converter num tirano se não for inteligente e dar ordens não factíveis. É princípio da prudência que deve ser posto em prática, por exemplo, explicou o rei quando o pequeno príncipe ousou solicitar do rei uma graça:
“- Eu desejava ver um pôr-do-sol ... Fazei-me esse favor. Ordenai ao sol que se ponha. . .

- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem - ele ou eu - estaria errado?

- Vós, respondeu com firmeza o principezinho.

- Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

O vaidoso do segundo planeta ou do asteroide 326.

Nesse outro pequeno mundo, o pequeno príncipe começou a compreender, que cada um deles é habitado por algum ser de formação ontológica própria, ou seja, por uma característica própria. Assim, lá ele encontrou o vaidoso. O vaidoso vive em função do adulador, bajulador ou do admirador, sempre esperando que alguém o louve, o lisonjeie, de preferência numa plateia, para depois agradecer ao louvor. É desse tipo de pessoas que o adulador, o bajulador ou o admirador entre aspas, tiram proveito em seu próprio favor. Portanto, a existência do vaidoso depende da louvação e da fama. Segue-se daí, que os vaidosos só ouvem os elogios, por isso aquele infeliz habitante do asteroide 326, sem responder às ultimas perguntas do pequeno príncipe, disparou:

“- Não é verdade que tu me admiras muito? perguntou ele ao principezinho.

- Que quer dizer admirar?

- Admirar significa reconhecer que eu sou o homem mais belo, mais rico, mais
inteligente e mais bem vestido de todo o planeta.

- Mas só há você no seu planeta!

- Da-me esse gosto. Admira-me mesmo assim!”

O bêbado do asteroide 327.


Ao chegar ao planeta (3º) habitado por um bêbado, o pequeno príncipe o encontra sentado à uma mesa, com “uma coleção de garrafas vazias e uma coleção de garrafas cheias”, e aí seguiu-se este diálogo:

“- Que fazes aí? Perguntou ao bêbado, silenciosamente instalado diante de uma  coleção de garrafas vazias e uma coleção de garrafas cheias.

- Eu bebo, respondeu o bêbado, com ar lúgubre.

- Por que é que bebes? perguntou-lhe o principezinho.

- Para esquecer, respondeu o beberrão.

- Esquecer o quê? indagou o principezinho, que já começava a sentir pena.

- Esquecer que eu tenho vergonha, confessou o bêbado, baixando a cabeça.

- Vergonha de quê? investigou o principezinho, que desejava socorrê-lo.

- Vergonha de beber! concluiu o beberrão, encerrando-se definitivamente no seu
silêncio.”

Como se pode perceber, o pequeno príncipe tentou nesta última instância levá-lo ao limite lógico, ou seja — perguntando: de que o bêbado tinha vergonha? — pelo que este lhe respondeu: “Vergonha de beber!”

Essa foi uma tentativa de compreender a incompreensível estupidez humana, a ponto de não conseguir se remir da danação. A morte lógica do ser humano é não enxergar o óbvio. Posso estar enganado, mas, no caso, me parece é que não havia decisão de parar de beber, então não é aí que está o problema – o problema e que o bêbado não se apercebia do absurdo lógico que cometia, e ele satisfazia sua vontade — porquanto a bebida para ele era boa, embora nem tudo que é bom, faz bem à saúde física e mental. E indivíduo com a saúde física e mental doente por excesso de vícios, só tende a causar mal também à sociedade.

O asteroide 328 do Homem de Negócios


Nesse quarto planeta o pequeno príncipe se deparou com outro tipo de boçalidade — “o homem de negócios”, pois assim como o rei queria ter súditos para se sentir como tal, o homem de negócios precisava “ter”, “possuir” (ter posses, ter bens e dinheiro). Para ele, o “ter” era muito mais significativo do que “ser”, porque isso era a razão, ou seja, a única forma ontológica do “homem de negócios” “ser”.

Um ser humano desse tipo, se lhe for retirada a “ilusão da posse” — desaparece a sua substância ontológica. É por isso que se costuma dizer que a pior condenação penal para esse tipo e “mexer no seu bolso”.

Pois é, esse homem se sentiu incomodado com a presença do pequeno príncipe e [...] “O homem de negócios levantou a cabeça: (e disse):

Há cinqüenta e quatro anos que habito este planeta e só fui incomodado três vezes.

A primeira vez foi há vinte e dois anos, por um besouro caído não sei de onde. Fazia um barulho terrível, e cometi quatro erros na soma. A segunda foi há onze anos, por uma crise de reumatismo. Falta de exercício. Não tenho tempo para passeio. Sou um sujeito sério. A terceira... é esta! Eu dizia, portanto, quinhentos e um milhões...

- Milhões de quê?  Perguntou o principezinho [...]

Ah estrelas?

- Isso mesmo. Estrelas.

- E que fazes tu de quinhentos milhões de estrelas?[...]

Esse aí, disse o principezinho para si mesmo, raciocina um pouco como o bêbado -
No entanto, fez ainda algumas perguntas.

Como pode a gente possuir as estrelas?

De quem são elas? respondeu, ameaçador, o homem de negócios

- Eu não sei. De ninguém.

- Logo são minhas, porque pensei primeiro.

- Basta isso?

Quando achas um diamante que não é de ninguém, ele é teu. Quando achas uma ilha que não é de ninguém, ela é tua. Quando tens uma idéia primeiro, tu a fazes registrar: ela é tua. E quanto a mim, eu possuo as estrelas, pois ninguém antes de mim teve a idéia de as possuir.

Isso é verdade, disse o principezinho. E que fazes tu com elas?

Eu as administro. Eu as conto e reconto, disse o homem de negócios. É difícil. Mas eu sou um homem sério! [...]

Eis, portanto, a ironia sobre todo o sistema fiduciário, representando a ilusão de um valor irreal que o homem de negócios, aparentemente possuía nas estrelas do universo, para contá-las e gerenciá-las mediante registro em papéis que os guardava no cofre, como se fosse para negociar numa espécie de Bolsa Cósmica de Valores, a compra e venda de papéis de crédito que valeriam para a compra e venda de estrelas e galáxias. Não era ele o contador do qual o Grande Arquiteto do Universo dependeria para contabilizar o que Ele construiu de graça, mas que só tem valor ontológico. Essa alegoria significa que a ilusão de posse material do ser humano, não traduz um valor ontológico, porque o que é material — é transitório e fungível independente do tempo. De tal sorte, isso novamente vem confirmar a estupidez do ser humano.
              
Destarte, penso que a única posse que o ser humano pode ter — é a posse e a herança de si mesmo.


O asteroide 329 onde o pequeno príncipe encontrou O acendedor de candeeiros de iluminação pública


Chegando ao quinto planeta, que curiosamente era o menor de todos, o pequeno príncipe se deparou com o acendedor de candeeiros, cuja permanente função era de acender e apagar os candeeiros de iluminação pública. Todavia nesse planeta, mal cabia um lampião e o acendedor de lampiões, motivo, portanto e pelo qual isso era incompreensível para o pequeno príncipe, — afinal para que serviriam um lampião e um acendedor de lampião, num planeta sem casa e sem gente e suspenso no espaço sideral?

Como o planeta era extremamente pequeno e realizava a rotação em torno do seu próprio eixo, o seu único habitante tinha que acender e apagar o candeeiro cada vez mais rápido, a cada minuto.

Por conseguinte, o pequeno príncipe perguntou ao homem que acendia o candeeiro, por que ele fazia isso? Faço-o — respondeu-lhe, porque esse é meu mister — qual seja, a tarefa que executava a cada momento, sem perquirir o sentido dela, mas apenas a realizava sem descanso e sem poder fazer o que mais gostava na vida que era — dormir.

Não obstante sua tarefa não tivesse aparentemente um sentido cósmico, como o Mito de Sísifo, o pequeno príncipe disse para consigo mesmo: “- Talvez esse homem seja mesmo absurdo. No entanto, é menos absurdo que o rei, que o vaidoso, que o homem de negócios, que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, mais uma flor. Quando o apaga, porém, é estrela ou flor que adormecem. É uma ocupação bonita.
E é útil, porque é bonita.”

Albert Camus em “O Mito de Sísifo – Ensaio Sobre o Absurdo”, fez uma observação a respeito da realização de um trabalho absurdo, ridículo e sem sentido objetivo e prático:
“Os deuses tinham condenado Sísifo a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caía de novo por seu próprio peso. Eles tinham pensado, com as suas razões, que não existe punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.”
Porém, no caso do acendedor de candeeiro o pequeno príncipe observou sobre o trabalho que aquele personagem executava, dizendo: [...]“No entanto, é o único que não me parece ridículo.
Talvez porque é o único que se ocupa de outra coisa que não seja ele próprio.”[...]

O asteroide 330 habitado por um velho que escrevia livros enormes — “o geógrafo”.

O sexto planeta era dez vezes maior e era habitado por um velho que escrevia livros enormes e dizia ser um geógrafo. Assim, logo que o pequeno príncipe chegou o geógrafo  exclamou: “— Bravo! Eis um explorador!”

“- Que livro é esse? perguntou-lhe o principezinho.

Que faz o senhor aqui?

- Sou geógrafo, respondeu o velho.

- Que é um geógrafo? perguntou o principezinho.

- É um sábio que sabe onde se encontram os mares, os rios, as cidades, as
montanhas, os desertos.

É bem interessante, disse o principezinho. Eis, afinal, uma verdadeira profissão! E
lançou um olhar, em torno de si, no planeta do geógrafo. Nunca havia visto planeta tão majestoso.

- O seu planeta é muito bonito. Haverá oceanos nele?

- Como hei de saber? disse o geógrafo.

- Ah! (O principezinho estava decepcionado.) e montanhas?

- Como hei de saber? disse o geógrafo.

- E cidades, e rios, e desertos?

- Como hei de saber? disse o geógrafo pela terceira vez.

- Mas o senhor é geógrafo

- É claro, disse o geógrafo; mas não sou explorador.”

Ora, como se entende nestas últimas três linhas, é que o escritor geógrafo para realizar seu trabalho depende dos exploradores, ademais ele completa essa afirmativa:

“Há uma falta absoluta de exploradores(*). Não é o geógrafo que vai contar as cidades, os rios, as montanhas, os mares, os oceanos, os desertos. O geógrafo é muito importante para estar passeando. Não deixa um instante a escrivaninha.
 (*) (Nota deste blogueiro: exploradores, no caso, significa aqueles que realizam investigações de campo)

Mas recebe os exploradores, interroga-os, anota as suas lembranças. E se as lembranças de alguns lhe parecem interessantes, o geógrafo estabelece um inquérito sobre a moralidade do explorador.

- Por quê?

- Porque um explorador que mentisse produziria catástrofes nos livros de geografia. Como o explorador que bebesse demais.”

É nesse escritor geógrafo que podemos perceber as perversidades reunidas, de todos os outros habitantes dos planetas já descritos, a saber: de um “rei ou monarca absoluto e universal” que dominava, mas desconhecia os seus domínios, administrava um conhecimento que não era seu porque, só podia acreditar e ter fé no que os outros lhe informavam, sem, no entanto, saber se era verdade. Assim também, como o “vaidoso” que para ser admirado se escorava no seu estatuto que era falso e sem substância. Como “o bêbado” que colecionava o que supunha serem verdades, como as garrafas cheias ou mesmo vazias, mas que se satisfazia com o vício porque lhe parecia bom. E quanto ao “Escritor Geógrafo”, este nunca poderia sentir e gozar da substancialidade da sua ciência, porquanto a mesma consistia somente de possibilidades ilusórias, portanto não satisfatórias para o espírito, vez que tinha somente os relatos dos exploradores geográficos e mais nada. Assim também, como “o homem de negócios” que só amontoava riquezas que não eram suas e sem contato com as mesmas, pois aparentemente as possuía nas estrelas do universo, para contá-las e gerenciá-las mediante registro em papéis que os guardava no cofre, como se fosse para negociar numa espécie de Bolsa Cósmica de Valores, a compra e venda de papéis de crédito que valeriam para a compra e venda de estrelas e galáxias.


Eis o sétimo planeta — o pequeno príncipe chega à Terra – “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

É pois, no planeta Terra, onde habitam outros seres e não só gente perversa, que o pequeno príncipe vai conviver por algum tempo para ampliar o seu horizonte antropológico.
A Terra não é um planeta qualquer! Contam-se lá cento e onze reis (não esquecendo, é claro, os reis negros), sete mil geógrafos, novecentos mil negociantes, sete milhões e meio de beberrões, trezentos e onze milhões de vaidosos isto é, cerca de dois bilhões de pessoas grandes.”

Ora, talvez seja esse o problema da Terra — é que enquanto nos asteroides ou pequenos planetas aqui mencionados, os vícios eram singulares, aqui eles se multiplicam de forma avassaladora.

Mas por incrível que possa parecer, foi na Terra que o nosso pequeno herói ouviu a seguinte sentença inserida no trecho deste diálogo:

“- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se
lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...”


Enfim, concluo este modesto ensaio baseado no livro “O Pequeno Príncipe”, de autoria de Antoine de Saint-Exupéry, traduzido por Dom Marcos Barbosa, ilustrado com aquarelas pelo autor, para a 25ª edição da Livraria AGIR Editora, São Paulo, 1983, com o seguinte comentário extraído da Wikipédia: “Le Petit Prince
 pode parecer simples, porém apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geógrafo, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O personagem principal vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, uma formosa flor de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranquilidade do mundo do pequeno príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.
O romance mostra uma profunda mudança de valores, e sugere ao leitor quão equivocados podem ser os nossos julgamentos, e como eles podem nos levar à solidão. O livro nos leva à reflexão sobre a maneira de nos tornarmos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que fomos e somos.”


“Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”


 Antoine de Saint-Exupéry

“A perfeição não é alcançada quando não há mais nada a ser incluído, mas sim quando não há mais nada a ser retirado.”

 Antoine de Saint-Exupéry

“O essencial é invisível aos olhos.”

 Antoine de Saint-Exupéry


Nota: (No Brasil diz-se: O Pequeno Príncipe, em Portugal: O Principezinho. Na tradução mantive o termo fiel ao que está no livro)