sexta-feira, 19 de março de 2021

DA CAMINHADA INFINITA

 

 

Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

 

 

 

"Caminante son tus huellas

 el camino y nada más;

 caminante, no hay camino,

 se hace camino al andar."

 (Antonio Machado, poeta andaluz)

 

 

A vida é uma caminhada infinita, que teve começo, mas acredito que não terá fim, porque a cada passo, mais se descortina um mundo novo, de aprendizado, de realizações, de evolução e de desafios que estimulam a própria caminhada e sua continuidade.

 

Deus nos apresenta duas alternativas para nossa evolução: o amor e a dor. No meu entendimento, essas são as únicas possibilidades. Das nossas escolhas encontraremos o norte, que vai nos premiar ou punir. Punição que se transforma de imediato em aprendizado, se assim entendermos e agirmos.

 

Nestes tempos de pandemia, com tanto stress, sofrimento, perda de parentes, amigos, penso que se faz necessária uma profunda reflexão, procurando entender o que está acontecendo e como reagir com aceitação e resignação. É neste momento que devemos recordar que “A Força Infinita está em cada um de nós”.

 

Com esse intento, fazendo uma pesquisa rápida pela internet, encontrei alguns ensinamentos com os quais contribuo para nosso aprendizado. Alguns de autoria desconhecida e outros com os autores mencionados.

 

“Na caminhada da vida, aprendi que nem sempre temos o que queremos.

Porque nem sempre o que queremos nos faz bem.

Foram preciso as dores, para que eu aprendesse com as lágrimas.

Foi necessário o riso, para que eu não me enclausurasse com o tempo.

Foram preciso as pedras, para que eu construísse meu caminho.

Foram fundamentais as flores, para que eu me alegrasse na caminhada.

Foi imprescindível a fé, para que eu não perdesse a esperança.

Foi preciso perder, para que ganhasse de verdade.

Foi no silêncio que fui ouvido com clareza.

Pois sem provas, não há aprovação.

E a vitória sem conquista é ilusão.

E a maior virtude dos fortes é o PERDÃO”.

(Autor desconhecido)

 

“Na caminhada da vida...

Sempre há muitos desafios, surpresas, tristezas e alegrias.

A vida é feita assim...

Às vezes nos deparamos com situações que nos afligem, nos fazem sentir e até mesmo chorar...

Mas saiba, por certo, que a cada momento da vida, cada lágrima caída, cada sorriso dado, estará tudo anotado no diário de Deus...

E pode ter certeza de que em nenhum segundo Ele esqueceu de anotar.

Anotou suas lutas, seus choros, mas, com um detalhe, Ele não esqueceu de anotar o dia de sua vitória!

Então deixe eu lhe dizer: não desista de seus projetos e sonhos, porque mesmo antes de eles serem projetados por você,

já foram projetados e anotados por Deus!”

(Autor desconhecido)

 

“Na caminhada da vida, aprendi que nem tudo acontece do jeito que queremos.

Porque nem sempre o que queremos é a vontade de Deus.

É preciso as pedras, para que eu construísse meu caminho.

Às vezes Deus se cala, e achamos que tudo acabou, mas foi no silêncio que Deus me deu a resposta.

Pois sem provas não tem aprovação, Acredite que tudo é no tempo de Deus.

Se Deus colocou obstáculos em sua vida, agradeça, porque foi Ele que confiou em você para passar por cada um deles com fé e sabedoria.

Creia que a sua benção que tanto espera vai chegar!”

(Michele Dumont)

 

“O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

(Cora Coralina)

 

São frases e pensamentos que, muitas vezes, inspiram quem os lê. Na realidade, penso que o que importa mesmo é quem nos tornamos. E a nossa participação é indispensável para nosso aprimoramento e evolução espiritual.

 

Querendo ou não, sabendo ou não, a caminhada nos leva para a frente, para o alto e para dentro. Sempre, “caminhando e cantando...”

 

 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

O PRIMEIRO DIA




[15:17, 29/06/2020] Heitor Freire




No Antigo Testamento, Segundo o Gênesis, a Criação do mundo se deu ao longo de sete dias. No primeiro, Deus disse: “Faça-se a Luz. E a Luz foi feita” (Gn 1,3). A Criação prosseguiu nos dias seguintes, até que no sétimo dia Deus viu o seu trabalho concluído e destinou esse dia ao descanso. “Deus então abençoou e santificou o sétimo dia” (Gn 2,3). Esse preceito foi observado desde então pelo povo judeu, por Jesus Cristo e pela Igreja primitiva em seus primórdios: “O sábado foi feito para servir ao homem, e não o homem para servir ao sábado. Portanto, o Filho do Homem é senhor até mesmo do sábado” (Mc 2, 27-28).


No período em que Constantino I (306-337 d.C.) se tornou imperador de Roma, o cristianismo era visto como uma ameaça aos romanos e, por isso, muitos imperadores que o antecederam perseguiam os cristãos. Em 323, Constantino I se converteu ao cristianismo e passou a promover a nova religião, financiando a construção dos templos.  Apesar de o cristianismo ter sido fortalecido e divulgado em Roma, não se tornou a religião oficial do Estado, que continuou com o paganismo.


Constantino I acabou por entrar para a história como primeiro imperador romano a professar o cristianismo. Segundo a tradição, na noite anterior à batalha da Ponte Nílvia contra Magêncio, perto de Roma, Constantino I sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim: “In hoc signo vinces” (Com este sinal, vencerás).


Segundo a lenda, o rei Afonso I de Portugal também viu o signo, adotando-o como símbolo nacional e como um lema a ser seguido. Esta lenda é narrada em Os Lusíadas, de Camões. O mesmo símbolo seria mais tarde adotado por João III da Polônia, pela nobreza da Irlanda e por outros povos.


Deve-se a Constantino I a proclamação do domingo como dia de descanso – ele tomou essa resolução no ano de 321 d.C. O domingo era considerado o Dia do Deus Sol, divindade oficial do paganismo e do Império naquela época. Antes do advento do cristianismo, esse dia correspondia ao dies Solis, isto é "dia do Sol" (Sunday, em inglês), em honra da divindade do Sol Invicto.


No entanto, o culto ao Sol Invicto ainda permaneceria em Roma (assim como o uso da denominação dies Solis), até a promulgação do célebre édito de Tessalônica, em  fevereiro de 380, quando o imperador Teodósio I estabeleceu que a única religião de Estado seria o cristianismo de Niceia e baniu qualquer outro culto. Assim, em novembro de 383, o dies Solis passou a ser denominado oficialmente dies dominica (Dia do Senhor) em todo o Império Romano.


A Igreja difundiu o entendimento de que o domingo passaria a ser o dia santificado porque foi nesse dia que Jesus ressuscitou. Ou seja, foi um ato político respaldado por Teodósio, com um efeito tão forte que foi, tempos depois, difundido e adotado por todo o mundo dito civilizado.


Na língua portuguesa, a origem dos nomes dos dias da semana vem da Idade Média. O domingo, derivado do latim "dies Dominica", dia do Senhor, é considerado hoje o último da semana para os cristãos. Mas naquela época, era no dia da missa que havia maior aglomeração de pessoas e, por isso, os agricultores se reuniam em torno da igreja para vender seus produtos – o primeiro dia de feira. O dia seguinte, consequentemente, era a segunda-feira. E daí por diante até chegar ao sábado, cuja origem é o termo hebraico shabbatt, o último da semana para os judeus.


Apesar de ser considerado o “primeiro” dia de feira, aradoxalmente o domingo passou a ser tratado como se fosse o último dia da semana, o que de forma alguma lhe subtraiu a origem e seu significado esotérico, pois é verdadeiramente o primeiro dia da semana, dia em que foi feita a Luz. Para aqueles que compreendem esse significado, o domingo é o dia correto em que se deve iniciar qualquer atividade a qual se queira dar continuidade.


É muito comum as pessoas dizerem: “Na segunda-feira vou deixar de fumar, vou começar uma dieta, vou parar de beber, etc”, e esse propósito não prosperar. Por quê? Por que começa no dia inadequado. Para se iniciar qualquer atividade o dia certo é o primeiro dia, ou seja, o domingo. Quando eu decidi deixar de fumar, tomei essa decisão num domingo e nunca mais fumei. Comigo funcionou, e deixo a dica para quem quiser tentar.


“Se compreendes, as coisas são como são. Se não compreendes, as coisas são como são”.

Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

A PEDRA ANGULAR







Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis, advogado, membro do Instituto Histórico e Geográfico/MS.




Pedra angular era o nome dado à pedra fundamental utilizada nas antigas construções, caracterizada por ser a primeira a ser assentada na esquina de um edifício, formando um ângulo reto entre duas paredes. A partir da pedra angular, eram definidas as colocações das outras pedras, alinhando toda a construção. É o elemento essencial que dá existência àquilo que se chama de fundamento da construção.

Assim, a pedra angular representa o alinhamento de toda uma obra. É o que, metaforicamente representam, para nós, cristãos, os ensinamentos de Jesus. Em Lucas 20:17, temos: “Jesus olhou bem nos olhos de cada pessoa e indagou: ‘Então, qual é o significado do que está escrito: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra angular’”?

“Jesus é a pedra que foi rejeitada por vós, os construtores, a qual foi posta como pedra angular. Não existe salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possam ser salvos”. Atos 4:11

Disse Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

Tudo isso vem a propósito de identificarmos verdadeiramente o que Jesus representa e o que Ele ensinou a todos nós que nos dizemos cristãos. Digo “dizemos” porque muitos assim se manifestam, mas para ser de verdade, o comportamento de cada um deve, naturalmente, estar de acordo com os ensinamentos d’Ele.

Atitude é tudo o que pode definir o comportamento de um cristão verdadeiro. Os ensinamentos de Jesus foram divulgados urbi et orbi por Paulo, que quando se dirigia a Damasco para combater os cristãos, no caminho teve uma revelação que mudou sua vida e a de grande parte da humanidade, por seu legado  que se perpetuou no tempo e propagou no espaço o significado do trabalho que Jesus desenvolveu em nosso benefício.

Entre todas as Suas qualidades divinas, a que mais me impressiona é a humildade. Jesus é o Mestre dos Mestres, que deve ser devidamente reverenciado por toda Sua majestade. No entanto, sendo quem É, fez-se humano para aqui na horizontalidade nos ensinar como proceder. A humildade é a rainha das virtudes e ela está presente em cada um dos Seus atos.

Nestes tempos de perplexidade que estamos vivendo, em que todos os procedimentos estão sendo colocados em xeque, com inversão total de valores emerge soberana a majestade da presença divina de Jesus, a Sua Luz a nos indicar o caminho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (João 14:6).

Mais do que nunca cabe a nós a prática dos ensinamentos de Jesus. Constantemente estamos todos recebendo mensagens de todas as partes, exortando-nos a uma mudança de hábitos, deixando a ignorância, arrogância, prepotência, soberba, egoísmo, e a indiferença pelas práticas do amor, da solidariedade e da caridade. Pois com essa mudança estaremos todos contribuindo para o verdadeiro despertar da humanidade e para a nossa própria evolução e libertação. O momento é este. Não podemos deixar para depois. A mudança de atitudes, seguindo a orientação de Jesus, é fundamental.

O amor, finalmente triunfará e iremos todos olhar nossos semelhantes como irmãos verdadeiros, todos, filhos de Deus, contribuindo com nossas energias para uma harmonização global. Cumpriremos o Seu mandamento divino: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.

Penso que devemos agradecer por estes momentos de transição porque Jesus está no comando. A pedra angular continua orientando e alinhando nossos atos. Obrigado.

terça-feira, 21 de abril de 2020

A QUESTÃO DA MORTE





Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis, advogado e membro do Instituto Histórico e Geográfico/MS.



À medida que o tempo passa e as experiências vão se avolumando e enriquecendo a minha vida, em que olho para trás e constato com satisfação que minha passagem por este maravilhoso planeta azul me permitiu a oportunidade de contribuir efetivamente para a realização de uma unidade familiar, em que cada uma das minhas filhas criou a sua própria célula familiar, chega um momento em que o sentimento do cumprimento da missão assumida se manifesta com uma frequência constante, então começa a aparecer no canto da minha tela um lembrete que se torna cada vez mais presente: a inexorabilidade da partida.

A qualquer momento, não sei quando, chegará a hora de partir para novas realizações no plano espiritual, de voltar para a pátria celestial, e ali assumir novas missões em função do nosso plantio aqui na Terra.   

E com essa perspectiva natural e inevitável, comecei a conjecturar a respeito da morte, de sua finalidade, dos benefícios que proporciona – embora para uma grande maioria que não consegue alcançar esse entendimento, ela seja um castigo – e das suas consequências.

A atual pandemia alterou muitos usos e costumes – alguns arraigados, como a realização de velórios, que na realidade não representam nenhum acréscimo ao falecido. O que este fez já está feito, tanto de bom como de mau; qualquer coisa que se faça nesse momento não vai acrescentar nada ao cidadão que ali se encontra com o rosto maquiado, vestindo um terno, muitas vezes com sapato novo – no Rio Grande do Sul, tem até um ditado: “Fulano se faz de morto para ganhar sapato novo” –, sendo que essa indumentária em nada vai contribuir para uma entrada triunfal no mundo espiritual.

Quantas famílias – quem sabe até por arrependimento – gastam somas elevadas para comprar o melhor caixão para o falecido.

Em vez de tristeza, ansiedade e desesperança provocadas pela morte, deveríamos aceitá-la como um dado perfeitamente natural da vida. E, para isso acontecer, é preciso que se fale da morte, e não que se usem palavras ou expressões substitutas que amenizem o seu significado. Isso significa admitir que, assim como outros processos – como o nascimento –, a morte é um estágio da vida, o qual sabemos que virá implacavelmente para todos nós.

Então entender essa situação como natural, aceitando-a, representa uma libertação. A propósito disso, transcrevo a seguir uma página, atribuída a Santo Agostinho:

A morte não é nada.

“A morte não é nada.

Eu somente passei para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.

Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.

A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?

Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi.”


sexta-feira, 8 de junho de 2018

O IRMÃO COLAR E O SUCESSO NA MAÇONARIA



Bento Adriano Monteiro Duailibi
MM – CIM 1366 – GOMS/COMAB
Grande Secretário de Cultura










                                       Todos nós que tivemos o privilégio de iniciar na  Sublime Ordem, ouvimos conceitos e também vários conselhos dos irmãos maçons com idade maçônica mais avançada, tais como: “somos eternos aprendizes”, “você foi escolhido”, “você ganhou uma família muito grande”, em fim frases de efeito que sempre nos remete a lembrança de nossa iniciação, conjugada com lições de humildade e benevolência.

                                   Nestes 18 anos que vivo na sublime ordem tenho reparado que alguns, por mais que persistam, não conseguem enxergar a fundo o real propósito da Maçonaria, e por mais que escutem sempre os mais conhecidos jargões, parecem que tem uma venda em seus olhos que já mais fora tirada.

                                       Tudo isso que ouvimos sempre que estamos em Loja, é muito válido para lembrar que todos somos isso mesmo: Maçom. Ocorre que há mais, muito mais...... quando da iniciação aprende – se que o que é “virtude no homem comum” é “obrigação no homem maçom”, isso sim deve ser fixado na mente do maçom dia após dia, sempre.

                                       E por quê? Bom isso nos remete a outra lição de que a  recordação deve ser diuturnamente observada, pois vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer progressos na maçonaria, não dever ser: crer nas minhas razões, impor minha vontade e fazer sucesso na maçonaria.

                                                Isso mesmo, há uma distorção dos valores tão fundamentais para que o homem maçom viva conforme os preceitos da sublime ordem.

                                          Hoje o que se deseja é fazer sucesso na maçonaria, nem que para isso passemos a importar do mundo profano as práticas nefastas da politicagem, da falta de ética, em fim de tudo que é ruim para a boa convivência e harmonia das relações sociais.

                                           Há irmãos que querem formar grupos para alcançarem objetivos pessoais dentro da estrutura de sua potência, querem impor representatividade através de críticas destrutivas e falta de pudor ao falar dos outros irmãos. Querem simplesmente o poder pelo poder, mas não estuda, não trabalha internamente a filosofia maçônica. Ainda que dependa muito do próprio irmão, é importante trilhar o caminho dos graus filosóficos ou superiores, seja qual rito for. Isso ajuda a lapidar e a instruir o maçom.

                                                    A realidade é que, no simbolismo além dos três graus tem surgido nos últimos tempos aquele denominado “irmão colar”. Esse irmão não se conforma em ser maçom, o que ele precisa é de um “colar”, pois sem tal parece que lhe falta o “ar” para viver na sublime Ordem.

                                            O que lhe interessa, é apenas isso, ter algo que o “destaque” perante seus irmãos e isso ele não entende que é através de suas atitudes, ética e modo de agir que se adquire, mas não, ele precisa do “colar”, do “cargo”, ou seja, da falsa impressão de que é superior.

                                        Em maçonaria, o que leva o irmão a se destacar não é o colar, nem o cargo, mas sim a sua jornada como homem maçom carregando consigo a pratica diária dos princípios desta ordem, o estudo, a frequência em loja, a vontade de ajudar os irmãos ou quem necessite. Enfim a vontade de “trabalhar” na e para a maçonaria.

                                       Mas infelizmente o “irmão colar” não vê e não sente que o progresso se faz e se conquista com os atos e atitudes, e que de forma gradativa o resultado vem naturalmente. Não, ele quer fazer sucesso a qualquer custo, nem que para isso a crítica destrutiva seja uma de suas armas, a falta de caráter outra, o desrespeito a irmão e falta de ética mais outra.

                                         O “irmão colar” é nefasto e destrutivo, não podendo ser visto nele as virtudes de um maçom, pois ele não conhece a sublime ordem, porque ele “entrou” na maçonaria (e aqui vai um jargão conhecido, porém válido) mas a maçonaria “não entrou nele”.

                                        Se prestarmos bem a atenção todos nós conhecemos um irmão assim, aquele que quer um cargo, quer aparecer sempre, sem jamais em sessão ficar “fora” do oriente, pois ele é “superior”, afinal ele é o “Irmão Colar”, e precisa fazer sucesso na Maçonaria.


sábado, 21 de abril de 2018

O Garuda, ou Águia de Fogo, da lenda mitológica hindu.




Luiz Carlos Nogueira




Este ser da mitologia dos contos hindus, o Garuda, também conhecido como pássaro solar ou águia de fogo, cuja forma muito se parece com a Fénix das lendas gregas e egípcias, que segundo Joaquim Gervásio de Figueiredo (Dicionario de Maçonaria, Pensamento, 4ª Ed., São Paulo), era um belo pássaro solitário, fabuloso, do tamanho de uma águia, que viveu no deserto árabe um período de mil anos, findo o qual se consumiu no fogo, ressurgindo posteriormente de suas próprias cinzas, renovado, para reiniciar outra vida igualmente dilatada. Para os Rosacruzes, a Fênix simboliza a ressurreição na Eternidade; a roda da vida a girar incessantemente numa perpétua alternância entre a atividade e repouso, tal qual a do dia e da noite, e alude aos ciclos periódicos de manifestação cósmica e da reencarnação ou renascimentos da alma humana. Tem parentesco com a águia bicéfala da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Mas, quanto a Garuda, muitas vezes também é descrito como tendo uma cabeça humana no lugar da do pássaro; assim como também é descrito como possuindo três olhos, ou com tendo braços e pernas. Tal criatura é bastante enorme, segundo se acreditava, que poderia até produzir uma grande área de sombra, fazendo parecer noite.
Segundo a lenda, o Garuda servia de montaria para Vishnu, deusa dos hindus, que a levava como nas aventuras de Harry Potter, dado o seu imenso poder que o colocava a seu serviço como um escudeiro real.
Dizia a lenda, que a mãe de Garuda havia feito uma aposta com a mãe dos Nagas, que pertenciam, conforme o épico do Mahabharata, a uma tribo de pessoas muito más e que, por isso, mereciam ser castigadas, sendo sacrificadas por cobras e também pelos ataques da ave Garuda.
A aposta, no caso, era sobre qual seria a cor de um cavalo lendário, que surgiria do mar. Assim, quem não acertasse a cor do animal, perderia a aposta e se tornaria prisioneira da vencedora. E aconteceu que a mãe de Garuda perdeu a aposta, tornando-se, por isso, prisioneira da mãe dos Nagas.

Quando Garuda ficou sabendo, imediatamente foi até aos Nagas e perguntou-lhes o que ele poderia fazer, para que libertassem sua mãe.
Os Nagas disseram-lhe que iriam precisar de um tempo para resolverem como isso poderia ser feito. Quando Garuda voltou para saber a decisão dos Nagas, estes disseram-lhe que o preço da liberdade da sua mãe, seria que ele, Garuda, deveria roubar a água da imortalidade dos deuses e lhes entregar.
O desespero de Garuda para liberta sua mãe, fê-lo voar até uma montanha extremamente alta, difícil de escalá-la, onde a água da imortalidade dos deuses era guardada por um exército de deuses e dois ferozes dragões o que tornava a tarefa muito difícil; todavia, Garuda estava determinado a cumpri-la a qualquer custo, e tendo lutado ferozmente contra todos, os venceu.
Daí apossou-se da água, o bastante que podia carregar de forma improvisada, retornando rapidamente para entregá-la aos Nagas, que conforme haviam acertado, libertaram a mãe de Garuda.
No entanto, os Nagas não tiveram a chance de beberem da água da imortalidade dos deuses, porque antes que isso acontecesse, os deuses chegaram abruptamente e a recuperaram, levando-a com eles de volta para a montanha.
Por conta desse episódio, os Nagas imaginaram que isso havia sido combinado, surgindo daí a eterna rixa entre Garuda e os Nagas.
O que se extrai desses contos, é que o Bem e o Mal estão sempre em eterna contraposição, e que a vida ressurge ciclicamente.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Tolerância







Por Narciso Momenti












Para esta matéria, utilizei-me de pesquisa bibliográfica, especificamente a literatura sobre a Tolerância, além de revista, Bíblia, dicionários maçônicos e Rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, além do auxilio de Irmãos Mestres Maçons, que enriqueceram nosso trabalho, pois o tema é rico em conteúdo e se traduz em ensinamentos que foram obtidos dentro das Lojas Maçônicas regularmente constituídas.

A internet também serviu como fonte de pesquisa, exclusivamente nos sites do Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito, e do Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (GOMS), tendo em vista a confiabilidade dos ensinamentos reconhecidos oficialmente pelos maçons.

Optamos pelo tema, pois, o grau 15 nos revela que o Cavaleiro do Oriente é um maçom instruído e tolerante. Busca a liberdade através da instrução, pois a liberdade exige tolerância, porque o homem não goza a liberdade se outros não respeitarem o justo uso que dela fizer.

O dicionário de Cândido de Figueiredo (1899) registra a versão tradicional de "indulgência" e de "consentir tacitamente", acrescentando inclusive como inovação a palavra "tolerantismo", para significar a tolerância por parte do Estado a todas as manifestações religiosas.

Laudelino Freire, em seu Dicionário da Língua Portuguesa (1939), além do sentido de condescendência e indulgência, também a define como a "boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas".

No dicionário do Aurélio (1983) tolerância é definida como "tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos".

Rizzardo da Camino, no Dicionário Maçônico (2013) define tolerância: Do latim tolerare, que significa “Suportar”. Traduz, outrossim, os atos comuns de “consentir”, “condescender”, “admitir” e “aceitar”.

Duas grandes obras são referências obrigatórias para o entendimento do sentido moderno de tolerância: a Carta acerca da tolerância de John Locke, em 1689 e o Tratado sobre a tolerância, publicado por Voltaire em 1763.

John Locke defende nesta carta que as ações dos cidadãos, principalmente as religiosas, devem ser defendidas pelo Estado, desde que essas ações não contrariem a sua função principal: defender a vida, a liberdade e a propriedade. A reivindicação por tolerância tem como pressuposto a separação entre Estado e Igreja, ideia revolucionária para o cenário político de então.

O filósofo francês Voltaire define o termo Tolerância da seguinte forma: "É o apanágio da humanidade. Nós somos feitos de fraquezas e erros; a primeira lei da natureza é perdoarmo-nos reciprocamente as nossas loucuras" (p. 289).

O Irmão Nêodo Ambrosio de Castro, do Oriente de Juiz de Fora – MG, descreve: “A tolerância de que fala o filósofo francês visa à supressão da violência, tendo sido instaurada como lei prévia ao contrato, razão pela qual se considera um ‘atributo da humanidade’. Não se trata apenas de uma estratégia em ordem à pacificação; trata-se de um elemento constitutivo da verdadeira natureza humana, a qual se entende agora como uma estrutura de valores universais e trans-históricos cujo cerne reside na liberdade”.

Meus Irmãos, contudo, devemos lembrar que a tolerância não implica em compactuar ou transigir com o erro. Não é permitir a violação do direito ou ruptura da ordem jurídica ou mesmo atitudes de corrupção moral. A tolerância não é uma condescendência, mas sim a compreensão, aceitação e o reconhecimento do direito que têm àqueles que não pensam como nós, de se expressarem de forma diferente ou contrária às nossas crenças. A tolerância indiscriminada implica em complacência covarde evidenciando uma clara conduta de conivência inaceitável e transgressora dos princípios religiosos estabelecidos. Reconhecer o direito de o nosso semelhante ser diferente, não nos obriga ser igual a ele.

No Ritual do Aprendiz maçom, quando na iniciação de um novo irmão, o Orador da Loja, faz a leitura da Declaração de Princípios da Maçonaria, um deles “Proclama que os homens são livres e iguais em direitos, e que a tolerância constitui o principio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um”.

Já num dos rituais dos graus mais avançados, encontramos uma frase pronunciada por Zorobabel, transcrevendo o que lhe disse o Rei Ciro, quando na sua presença: “Ide reedificar o Templo; que ele seja o Templo da Liberdade, para todas as opiniões, e da tolerância, que é o alicerce da Fraternidade”.

É treinando seus adeptos que a Maçonaria combate intolerância, tirania, fanatismo, brutalidade e ignorância. O fato de desenvolver a tolerância, não significa que ela seja subserviente e sucumba diante da posição de homens mal-orientados, mas bem intencionados, pois se assim fosse, ela já teria caído no esquecimento há bastante tempo. No exercício da tolerância e em seu treinamento a Maçonaria ensina que tolerância exige a definição de limites. Quando o maçom filosofa, faz exercícios na arte de pensar, especula e teoriza dentre as mais variadas linhas de pensamento, aí ele exercita a tolerância. Respeita e defende o que o outro maçom diz e pensa, a tal ponto que afirma ser capaz até de sofrer consequências para defender o pensamento de seu irmão.

O maçom é condicionado na prática a combater a tolerância absoluta porque sabe que uma tolerância universal é moralmente condenável exatamente porque esqueceria as vítimas em casos intoleráveis de violência e abuso dos tiranos. Isto é, existem situações em que a tolerância em excesso perpetuaria o martírio das pobres vítimas. Dentro dos limites ditados pela moral, tolerar seria aceitar o que poderia ser condenado, seria deixar fazer o que se poderia impedir ou combater. Nesta linha podem-se tolerar os caprichos de uma criança ou as posições de um adversário, mas em nenhuma circunstancia o despotismo alienante de uma pessoa ou instituição.

A tolerância só vale dentro de certos limites, que são os da sua própria salvaguarda e da preservação de suas condições e possibilidades. Se o maçom enveredasse por uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendesse a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes seriam aniquilados, e com eles acabaria também a própria tolerância.

Ser tolerante não significa ser "vaquinha de presépio" e aceitar posturas irresponsáveis, mesmo que não intencionais como algo natural e que deve "passar batido". E também, ser Fraterno significa ter respeito e ser respeitado, saber ser enérgico com o Irmão que comete um deslize com relação aos seus pares - especialmente num Grupo cuja finalidade precípua é a de debater assuntos em níveis elevados de interesse da comunidade maçônica, visando sempre o conhecimento e a evolução. Sem qualquer resquício de puritanismo ou de demagogia, mas fato é, que o cuidado e a cautela quando se referem a nossa Ordem devem ser redobrados, até porque a Maçonaria já sofreu muita perseguição ao longo da história e toda e qualquer ação que possa por em risco a dignidade da nossa Instituição deve ser prontamente repelida. Isso sim é sinal de responsabilidade, comprometimento e acima de tudo de fraternidade. Antes de falar, escute. Antes de escrever, pense. Antes de gastar, ganhe e antes de julgar, espere.

A tolerância como virtude depende do ponto de vista daqueles que não a têm. O justo é guiado pelos princípios da Justiça e não pelo fato do injusto não poder se queixar.

A tolerância é o que permite aos homens da Maçonaria viver em harmonia, onde, se esta última não existir, certamente não há tolerância com limites. Em consequência não existe amor, a única solução de todos os problemas da humanidade. E onde não existe amor também não se manifesta o Grande Arquiteto do Universo, o Deus que cada um venera a sua maneira, pois este só está onde as pessoas se tratam como irmãos, demonstram e praticam o mais profundo amor entre si.

“O Amor é paciente e prestativo, não é invejoso nem ostenta, não se incha de orgulho e nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita nem guarda rancor. Não se alegra com a injustiça e se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. – Primeira Epístola do apóstolo Paulo aos Coríntios, Capítulo 13, Versículos 4 a 7.

Concluindo meus irmãos, entendo que o Tolerar envolve “sacrifício” e “perda aparente”; é a condição de alguém demonstrar afeto e amor para com o semelhante, ainda mais se esse semelhante for um maçom. A tolerância é o atributo virtuoso máximo que a maçonaria cultiva e que lhe dá o retorno máximo. Dizeres de um sábio: “O mal que te faço não te faz mal; o mal que me fazes, esse é o que te faz mal”.

A tolerância é a boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às próprias, e também suportar as faltas alheias. Constitui uma dádiva preciosa e frágil, que deve ser cultivada para solidificar a noção de fraternidade, igualdade e liberdade.

A prática da tolerância é difícil, mas é ai que está o seu valor — tolerar alguém.

Bibliografia:
- Bíblia Sagrada de Estudo - Novo Volume I;
- Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire (1939)
- Dicionário Aurélio (1983);
- Dicionário de Cândido de Figueiredo (1899);
- Dicionário Maçônico – Rizzardo da Camino (2013) – Ed. Madras;
- Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia - Nicola Aslan;
- Revista Astréa;
- Rito Escocês Antigo e Aceito – 1º ao 33º - Rizzardo da Camino – Ed. Madras;
- Ritual do GR.`. 1 do REAA do GOMS;
- Ritual do GR.’. 15 do Sup. Cons. Do Gr 33 do REAA da Maçonaria para a Rep. Fed. do Brasil; e
- Internet - http://www.goms.org.br/ - http://sc33.org.br
 Narciso Momenti – Gr.’. 15 do R\E\A\A\