sexta-feira, 8 de junho de 2018

O IRMÃO COLAR E O SUCESSO NA MAÇONARIA



Bento Adriano Monteiro Duailibi
MM – CIM 1366 – GOMS/COMAB
Grande Secretário de Cultura










                                       Todos nós que tivemos o privilégio de iniciar na  Sublime Ordem, ouvimos conceitos e também vários conselhos dos irmãos maçons com idade maçônica mais avançada, tais como: “somos eternos aprendizes”, “você foi escolhido”, “você ganhou uma família muito grande”, em fim frases de efeito que sempre nos remete a lembrança de nossa iniciação, conjugada com lições de humildade e benevolência.

                                   Nestes 18 anos que vivo na sublime ordem tenho reparado que alguns, por mais que persistam, não conseguem enxergar a fundo o real propósito da Maçonaria, e por mais que escutem sempre os mais conhecidos jargões, parecem que tem uma venda em seus olhos que já mais fora tirada.

                                       Tudo isso que ouvimos sempre que estamos em Loja, é muito válido para lembrar que todos somos isso mesmo: Maçom. Ocorre que há mais, muito mais...... quando da iniciação aprende – se que o que é “virtude no homem comum” é “obrigação no homem maçom”, isso sim deve ser fixado na mente do maçom dia após dia, sempre.

                                       E por quê? Bom isso nos remete a outra lição de que a  recordação deve ser diuturnamente observada, pois vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer progressos na maçonaria, não dever ser: crer nas minhas razões, impor minha vontade e fazer sucesso na maçonaria.

                                                Isso mesmo, há uma distorção dos valores tão fundamentais para que o homem maçom viva conforme os preceitos da sublime ordem.

                                          Hoje o que se deseja é fazer sucesso na maçonaria, nem que para isso passemos a importar do mundo profano as práticas nefastas da politicagem, da falta de ética, em fim de tudo que é ruim para a boa convivência e harmonia das relações sociais.

                                           Há irmãos que querem formar grupos para alcançarem objetivos pessoais dentro da estrutura de sua potência, querem impor representatividade através de críticas destrutivas e falta de pudor ao falar dos outros irmãos. Querem simplesmente o poder pelo poder, mas não estuda, não trabalha internamente a filosofia maçônica. Ainda que dependa muito do próprio irmão, é importante trilhar o caminho dos graus filosóficos ou superiores, seja qual rito for. Isso ajuda a lapidar e a instruir o maçom.

                                                    A realidade é que, no simbolismo além dos três graus tem surgido nos últimos tempos aquele denominado “irmão colar”. Esse irmão não se conforma em ser maçom, o que ele precisa é de um “colar”, pois sem tal parece que lhe falta o “ar” para viver na sublime Ordem.

                                            O que lhe interessa, é apenas isso, ter algo que o “destaque” perante seus irmãos e isso ele não entende que é através de suas atitudes, ética e modo de agir que se adquire, mas não, ele precisa do “colar”, do “cargo”, ou seja, da falsa impressão de que é superior.

                                        Em maçonaria, o que leva o irmão a se destacar não é o colar, nem o cargo, mas sim a sua jornada como homem maçom carregando consigo a pratica diária dos princípios desta ordem, o estudo, a frequência em loja, a vontade de ajudar os irmãos ou quem necessite. Enfim a vontade de “trabalhar” na e para a maçonaria.

                                       Mas infelizmente o “irmão colar” não vê e não sente que o progresso se faz e se conquista com os atos e atitudes, e que de forma gradativa o resultado vem naturalmente. Não, ele quer fazer sucesso a qualquer custo, nem que para isso a crítica destrutiva seja uma de suas armas, a falta de caráter outra, o desrespeito a irmão e falta de ética mais outra.

                                         O “irmão colar” é nefasto e destrutivo, não podendo ser visto nele as virtudes de um maçom, pois ele não conhece a sublime ordem, porque ele “entrou” na maçonaria (e aqui vai um jargão conhecido, porém válido) mas a maçonaria “não entrou nele”.

                                        Se prestarmos bem a atenção todos nós conhecemos um irmão assim, aquele que quer um cargo, quer aparecer sempre, sem jamais em sessão ficar “fora” do oriente, pois ele é “superior”, afinal ele é o “Irmão Colar”, e precisa fazer sucesso na Maçonaria.


sábado, 21 de abril de 2018

O Garuda, ou Águia de Fogo, da lenda mitológica hindu.




Luiz Carlos Nogueira




Este ser da mitologia dos contos hindus, o Garuda, também conhecido como pássaro solar ou águia de fogo, cuja forma muito se parece com a Fénix das lendas gregas e egípcias, que segundo Joaquim Gervásio de Figueiredo (Dicionario de Maçonaria, Pensamento, 4ª Ed., São Paulo), era um belo pássaro solitário, fabuloso, do tamanho de uma águia, que viveu no deserto árabe um período de mil anos, findo o qual se consumiu no fogo, ressurgindo posteriormente de suas próprias cinzas, renovado, para reiniciar outra vida igualmente dilatada. Para os Rosacruzes, a Fênix simboliza a ressurreição na Eternidade; a roda da vida a girar incessantemente numa perpétua alternância entre a atividade e repouso, tal qual a do dia e da noite, e alude aos ciclos periódicos de manifestação cósmica e da reencarnação ou renascimentos da alma humana. Tem parentesco com a águia bicéfala da Maçonaria do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Mas, quanto a Garuda, muitas vezes também é descrito como tendo uma cabeça humana no lugar da do pássaro; assim como também é descrito como possuindo três olhos, ou com tendo braços e pernas. Tal criatura é bastante enorme, segundo se acreditava, que poderia até produzir uma grande área de sombra, fazendo parecer noite.
Segundo a lenda, o Garuda servia de montaria para Vishnu, deusa dos hindus, que a levava como nas aventuras de Harry Potter, dado o seu imenso poder que o colocava a seu serviço como um escudeiro real.
Dizia a lenda, que a mãe de Garuda havia feito uma aposta com a mãe dos Nagas, que pertenciam, conforme o épico do Mahabharata, a uma tribo de pessoas muito más e que, por isso, mereciam ser castigadas, sendo sacrificadas por cobras e também pelos ataques da ave Garuda.
A aposta, no caso, era sobre qual seria a cor de um cavalo lendário, que surgiria do mar. Assim, quem não acertasse a cor do animal, perderia a aposta e se tornaria prisioneira da vencedora. E aconteceu que a mãe de Garuda perdeu a aposta, tornando-se, por isso, prisioneira da mãe dos Nagas.

Quando Garuda ficou sabendo, imediatamente foi até aos Nagas e perguntou-lhes o que ele poderia fazer, para que libertassem sua mãe.
Os Nagas disseram-lhe que iriam precisar de um tempo para resolverem como isso poderia ser feito. Quando Garuda voltou para saber a decisão dos Nagas, estes disseram-lhe que o preço da liberdade da sua mãe, seria que ele, Garuda, deveria roubar a água da imortalidade dos deuses e lhes entregar.
O desespero de Garuda para liberta sua mãe, fê-lo voar até uma montanha extremamente alta, difícil de escalá-la, onde a água da imortalidade dos deuses era guardada por um exército de deuses e dois ferozes dragões o que tornava a tarefa muito difícil; todavia, Garuda estava determinado a cumpri-la a qualquer custo, e tendo lutado ferozmente contra todos, os venceu.
Daí apossou-se da água, o bastante que podia carregar de forma improvisada, retornando rapidamente para entregá-la aos Nagas, que conforme haviam acertado, libertaram a mãe de Garuda.
No entanto, os Nagas não tiveram a chance de beberem da água da imortalidade dos deuses, porque antes que isso acontecesse, os deuses chegaram abruptamente e a recuperaram, levando-a com eles de volta para a montanha.
Por conta desse episódio, os Nagas imaginaram que isso havia sido combinado, surgindo daí a eterna rixa entre Garuda e os Nagas.
O que se extrai desses contos, é que o Bem e o Mal estão sempre em eterna contraposição, e que a vida ressurge ciclicamente.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Tolerância







Por Narciso Momenti












Para esta matéria, utilizei-me de pesquisa bibliográfica, especificamente a literatura sobre a Tolerância, além de revista, Bíblia, dicionários maçônicos e Rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, além do auxilio de Irmãos Mestres Maçons, que enriqueceram nosso trabalho, pois o tema é rico em conteúdo e se traduz em ensinamentos que foram obtidos dentro das Lojas Maçônicas regularmente constituídas.

A internet também serviu como fonte de pesquisa, exclusivamente nos sites do Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito, e do Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (GOMS), tendo em vista a confiabilidade dos ensinamentos reconhecidos oficialmente pelos maçons.

Optamos pelo tema, pois, o grau 15 nos revela que o Cavaleiro do Oriente é um maçom instruído e tolerante. Busca a liberdade através da instrução, pois a liberdade exige tolerância, porque o homem não goza a liberdade se outros não respeitarem o justo uso que dela fizer.

O dicionário de Cândido de Figueiredo (1899) registra a versão tradicional de "indulgência" e de "consentir tacitamente", acrescentando inclusive como inovação a palavra "tolerantismo", para significar a tolerância por parte do Estado a todas as manifestações religiosas.

Laudelino Freire, em seu Dicionário da Língua Portuguesa (1939), além do sentido de condescendência e indulgência, também a define como a "boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas".

No dicionário do Aurélio (1983) tolerância é definida como "tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos".

Rizzardo da Camino, no Dicionário Maçônico (2013) define tolerância: Do latim tolerare, que significa “Suportar”. Traduz, outrossim, os atos comuns de “consentir”, “condescender”, “admitir” e “aceitar”.

Duas grandes obras são referências obrigatórias para o entendimento do sentido moderno de tolerância: a Carta acerca da tolerância de John Locke, em 1689 e o Tratado sobre a tolerância, publicado por Voltaire em 1763.

John Locke defende nesta carta que as ações dos cidadãos, principalmente as religiosas, devem ser defendidas pelo Estado, desde que essas ações não contrariem a sua função principal: defender a vida, a liberdade e a propriedade. A reivindicação por tolerância tem como pressuposto a separação entre Estado e Igreja, ideia revolucionária para o cenário político de então.

O filósofo francês Voltaire define o termo Tolerância da seguinte forma: "É o apanágio da humanidade. Nós somos feitos de fraquezas e erros; a primeira lei da natureza é perdoarmo-nos reciprocamente as nossas loucuras" (p. 289).

O Irmão Nêodo Ambrosio de Castro, do Oriente de Juiz de Fora – MG, descreve: “A tolerância de que fala o filósofo francês visa à supressão da violência, tendo sido instaurada como lei prévia ao contrato, razão pela qual se considera um ‘atributo da humanidade’. Não se trata apenas de uma estratégia em ordem à pacificação; trata-se de um elemento constitutivo da verdadeira natureza humana, a qual se entende agora como uma estrutura de valores universais e trans-históricos cujo cerne reside na liberdade”.

Meus Irmãos, contudo, devemos lembrar que a tolerância não implica em compactuar ou transigir com o erro. Não é permitir a violação do direito ou ruptura da ordem jurídica ou mesmo atitudes de corrupção moral. A tolerância não é uma condescendência, mas sim a compreensão, aceitação e o reconhecimento do direito que têm àqueles que não pensam como nós, de se expressarem de forma diferente ou contrária às nossas crenças. A tolerância indiscriminada implica em complacência covarde evidenciando uma clara conduta de conivência inaceitável e transgressora dos princípios religiosos estabelecidos. Reconhecer o direito de o nosso semelhante ser diferente, não nos obriga ser igual a ele.

No Ritual do Aprendiz maçom, quando na iniciação de um novo irmão, o Orador da Loja, faz a leitura da Declaração de Princípios da Maçonaria, um deles “Proclama que os homens são livres e iguais em direitos, e que a tolerância constitui o principio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um”.

Já num dos rituais dos graus mais avançados, encontramos uma frase pronunciada por Zorobabel, transcrevendo o que lhe disse o Rei Ciro, quando na sua presença: “Ide reedificar o Templo; que ele seja o Templo da Liberdade, para todas as opiniões, e da tolerância, que é o alicerce da Fraternidade”.

É treinando seus adeptos que a Maçonaria combate intolerância, tirania, fanatismo, brutalidade e ignorância. O fato de desenvolver a tolerância, não significa que ela seja subserviente e sucumba diante da posição de homens mal-orientados, mas bem intencionados, pois se assim fosse, ela já teria caído no esquecimento há bastante tempo. No exercício da tolerância e em seu treinamento a Maçonaria ensina que tolerância exige a definição de limites. Quando o maçom filosofa, faz exercícios na arte de pensar, especula e teoriza dentre as mais variadas linhas de pensamento, aí ele exercita a tolerância. Respeita e defende o que o outro maçom diz e pensa, a tal ponto que afirma ser capaz até de sofrer consequências para defender o pensamento de seu irmão.

O maçom é condicionado na prática a combater a tolerância absoluta porque sabe que uma tolerância universal é moralmente condenável exatamente porque esqueceria as vítimas em casos intoleráveis de violência e abuso dos tiranos. Isto é, existem situações em que a tolerância em excesso perpetuaria o martírio das pobres vítimas. Dentro dos limites ditados pela moral, tolerar seria aceitar o que poderia ser condenado, seria deixar fazer o que se poderia impedir ou combater. Nesta linha podem-se tolerar os caprichos de uma criança ou as posições de um adversário, mas em nenhuma circunstancia o despotismo alienante de uma pessoa ou instituição.

A tolerância só vale dentro de certos limites, que são os da sua própria salvaguarda e da preservação de suas condições e possibilidades. Se o maçom enveredasse por uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendesse a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes seriam aniquilados, e com eles acabaria também a própria tolerância.

Ser tolerante não significa ser "vaquinha de presépio" e aceitar posturas irresponsáveis, mesmo que não intencionais como algo natural e que deve "passar batido". E também, ser Fraterno significa ter respeito e ser respeitado, saber ser enérgico com o Irmão que comete um deslize com relação aos seus pares - especialmente num Grupo cuja finalidade precípua é a de debater assuntos em níveis elevados de interesse da comunidade maçônica, visando sempre o conhecimento e a evolução. Sem qualquer resquício de puritanismo ou de demagogia, mas fato é, que o cuidado e a cautela quando se referem a nossa Ordem devem ser redobrados, até porque a Maçonaria já sofreu muita perseguição ao longo da história e toda e qualquer ação que possa por em risco a dignidade da nossa Instituição deve ser prontamente repelida. Isso sim é sinal de responsabilidade, comprometimento e acima de tudo de fraternidade. Antes de falar, escute. Antes de escrever, pense. Antes de gastar, ganhe e antes de julgar, espere.

A tolerância como virtude depende do ponto de vista daqueles que não a têm. O justo é guiado pelos princípios da Justiça e não pelo fato do injusto não poder se queixar.

A tolerância é o que permite aos homens da Maçonaria viver em harmonia, onde, se esta última não existir, certamente não há tolerância com limites. Em consequência não existe amor, a única solução de todos os problemas da humanidade. E onde não existe amor também não se manifesta o Grande Arquiteto do Universo, o Deus que cada um venera a sua maneira, pois este só está onde as pessoas se tratam como irmãos, demonstram e praticam o mais profundo amor entre si.

“O Amor é paciente e prestativo, não é invejoso nem ostenta, não se incha de orgulho e nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita nem guarda rancor. Não se alegra com a injustiça e se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. – Primeira Epístola do apóstolo Paulo aos Coríntios, Capítulo 13, Versículos 4 a 7.

Concluindo meus irmãos, entendo que o Tolerar envolve “sacrifício” e “perda aparente”; é a condição de alguém demonstrar afeto e amor para com o semelhante, ainda mais se esse semelhante for um maçom. A tolerância é o atributo virtuoso máximo que a maçonaria cultiva e que lhe dá o retorno máximo. Dizeres de um sábio: “O mal que te faço não te faz mal; o mal que me fazes, esse é o que te faz mal”.

A tolerância é a boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às próprias, e também suportar as faltas alheias. Constitui uma dádiva preciosa e frágil, que deve ser cultivada para solidificar a noção de fraternidade, igualdade e liberdade.

A prática da tolerância é difícil, mas é ai que está o seu valor — tolerar alguém.

Bibliografia:
- Bíblia Sagrada de Estudo - Novo Volume I;
- Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire (1939)
- Dicionário Aurélio (1983);
- Dicionário de Cândido de Figueiredo (1899);
- Dicionário Maçônico – Rizzardo da Camino (2013) – Ed. Madras;
- Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia - Nicola Aslan;
- Revista Astréa;
- Rito Escocês Antigo e Aceito – 1º ao 33º - Rizzardo da Camino – Ed. Madras;
- Ritual do GR.`. 1 do REAA do GOMS;
- Ritual do GR.’. 15 do Sup. Cons. Do Gr 33 do REAA da Maçonaria para a Rep. Fed. do Brasil; e
- Internet - http://www.goms.org.br/ - http://sc33.org.br
 Narciso Momenti – Gr.’. 15 do R\E\A\A\

sexta-feira, 23 de março de 2018

As vantagens de ter 50 anos, ou mais.








Por Bento Adriano Monteiro Duailibi









  


Palavras do meu amigo Bento Adriano Monteiro Dualibi, na data do seu aniversário, que nos convidam à reflexão. Leiam: "As vantagens de ter 50 anos, ou mais.



Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.

Enquanto fui envelhecendo tornei-me mais amável para mim e menos crítico de mim mesmo. 

Eu me tornei meu próprio amigo...

Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava.
 
Eu tenho o direito de ser desarrumado, de ser extravagante. 

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.

Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas e dormir até meio-dia?

Eu dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 70 & 80 e se eu, ao mesmo tempo, desejar chorar por um amor perdido... 

Eu vou. 

Se eu quiser, vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, apesar dos olhares penalizados dos outros no "jet set".

Eles também vão envelhecer. 

Eu sei que sou às vezes esquecido, mas há algumas coisas na vida que devem mesmo ser esquecidas.
 
Eu me recordo das coisas importantes. Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.

Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. 

Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril, e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.

Sou abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. 

Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo.

Você se preocupa menos com o que os outros pensam.

Eu não me questiono mais. 

Eu ganhei o direito de estar errado. Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. 

Eu gosto da pessoa que me tornei. 

Não vou viver para sempre, mas enquanto ainda estou aqui, não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será.

E, se me apetecer, vou comer sobremesa todos os dias. 
ENTENDEU ???"

terça-feira, 31 de outubro de 2017

UM CONTO MUITO POSSÍVEL DE ACONTECER NA REALIDADE — ME ENSINE A SER UM MESTRE MAÇOM.





Luiz Carlos Nogueira










Certa vez um homem deslumbrado, pediu para seu amigo e compadre, que era maçom, para ser iniciado numa Loja Maçônica. O peticionário era um sujeito bom, correto e de boa conduta, mas não tinha muita instrução; e por conta disso não era dado a adquirir conhecimentos através da literatura.

O amigo, por óbvio perguntou-lhe: por que você quer ingressar na Maçonaria? O que nela lhe atrai?

Em resposta o bom homem disse: é que eu acho bacana identificar-se como maçom; todos ficam admirados e intrigados. Quem assim o faz, parece-se muito importante e admirado.

Isso obrigou o amigo a dizer-lhe: Não posso indicar-lhe para ingressar na Maçonaria, porque ela é muito complexa para um homem como você, que embora seja um bom homem, de boas virtudes, não teria como chegar a ser um Mestre Maçom. Você necessita de mais tempo para se ilustrar e entender o que está me pedindo.

A Maçonaria sempre foi alvo de muita desconfiança, de muito ataques por conta da ignorância das pessoas. Você teria primeiro que se tornar apto para entender esses inconvenientes, de forma a poder explicar algumas das finalidades dessa organização mundialmente conhecida, suas bases filosóficas, sociais e espirituais. Até mesmo para absorver seus ensinamentos para o seu próprio bem e de outrem.

Redarguindo, o “autoproposto” (vamos chama-lo assim), disse: mas você me conhece há bastante tempo e sabe que sou inteligente e você pode me ensinar a ser maçom e até chegar a ser um mestre.

Sem conseguir pronunciar uma negativa que demovesse o “autoproposto” do seu intento, o maçom disse: está bem, vou ver o que posso fazer, mas antes preste muita atenção no que vou lhe perguntar, para que você mesmo sinta se realmente tem aptidão intelectual para compreender e responder-me acertadamente.

Pois bem, suponhamos que o Papai-Noel exista e, por estar muito velhinho, contratou um ajudante para distribuir os presentes no Natal. Por conseguinte ambos entraram pela chaminé da primeira casa e, quando já estavam na sala, junto à Árvore de Natal, o Papai-Noel estava com o rosto limpo e o ajudante com o rosto sujo. Quem foi lavar o rosto primeiro?

O “ autoproposto” demorou um pouco pensando e disse: ora, foi o ajudante que estava de rosto sujo.

Sorrindo o Maçom disse: está vendo amigo como você não foi capaz de compreender a realidade? Assim, para estudar e compreender a Maçonaria requer vontade, persistência, discernimento, inteligência e perspicácia.

Então perguntou-lhe o “autoproposto”: Mas como assim amigo?

Como o Papai-Noel estava de rosto limpo e olhou para o ajudante de rosto sujo, pensou que seu próprio rosto também estava sujo, assim foi logo se lavar. Porém, o seu ajudante que estava de rosto sujo, vendo que o Papai-Noel estava com o rosto limpo, logo supôs que ele também estava de rosto limpo e não foi se lavar.

Além do mais, não poderia duas pessoas que tivessem passado por uma chaminé, terem saído, uma limpa e outra suja. Os dois teriam que ter se sujado.

Destarte o “autoproposto” se convenceu com a explicação e agradeceu ao maçom seu compadre, dizendo que agora compreendia que ainda não estava preparado para ingressar na Ordem Maçônica.



(Conto inspirado no livro Lendas Judaicas, de Ilan Brenman, Ed. Salesiana, 2009)

sábado, 27 de agosto de 2016

O JARDINEIRO DO CÓSMICO






  

Luiz Carlos Nogueira







Lá estava ele, nos jardins da Loja Campo Grande MS – AMORC, com um regador na mão, tesoura de poda e outros apetrechos, cuidando das suas flores, trazendo de vez em quando, uma nova árvore para plantar, para fazer sombra junto às mais antigas que embelezam aquele recanto espiritual de paz. Eu estava voltando a frequentar aquela confraria disseminadora de luz, quando conheci aquele jardineiro dedicado.

Mas como nosso contrato de vida terrena tem um prazo para estarmos neste planeta, e o contrato desse jardineiro findou no dia 26 de agosto de 2016, ele foi chamado para uma nova empreitada nos jardins do Cósmico, para semear estrelas, lustrar o Sol, refrescar a Lua e pavimentar as galáxias.

Provavelmente ele também espalhará sementes de flores, das mais variadas cores e fragrâncias, para caírem na Terra e germinarem com as primeiras chuvas. Não haverá de se esquecer das rosas que tanto nos fascinam, especialmente quando orvalhadas e desprendendo seus aromas peculiares, que parecem nos dar novas energias.

Esse, agora,  jardineiro do Cósmico,  que tive a honra de conhecer, foi também um médico de almas (psicólogo), um bom amigo, um bom frater.


Mauro Lázaro Pinto, envio-lhe meu abraço espiritual. Até outra vez.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

VISITAR DOENTES: DEVER DO CRENTE E NÃO CRENTE - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA

 




Entre o reduzido número de amigos de meu pai, contava-se um frade.

Conhecera-o em soalheira tarde de Verão, quando foi encarregado de realizar reportagem sobre certo santo, de certa Ordem Religiosa.

E de tal modo ficaram amigos, que durante longos anos, visitava-o no seu conventinho.

Chegaram a trocar presentes e debater assuntos transcendentes, de interesse de ambos.

A amizade era notada por todos, e de tal jeito, que aos poucos tornou-se conhecido e amigos de quase todos os irmãos da comunidade, inclusivo o Superior e o Provincial.

Um dia, a doença que o levaria à morte, atirou-o para Casa de Saúde, onde permaneceu semanas acamado e com poucas esperanças de vida.

Nas suas horas de solidão e desespero, pedia para telefonarem aos amigos, para que o fossem visitar, já que se sentia só, perdido e desanimado num quarto de hospital.

Apareceram familiares, principalmente o primo Júlio – sempre prestável, sempre pronto a fazer pequenos favores, e a visitar e animar doentes.

Além do Júlio, poucos mais apareceram…Os inadiáveis afazeres não lhes permitiam….

Lastimoso, contava aos filhos e à empregada, que, por tanto tempo haver servido a nossa casa, tornou-se membro da família:

 - “Parece impossível, nem o Frei X, que mora tão perto, apareceu…”

Mais tarde – no interregno que a doença lhe deu, – foi ao convento visitar o amigo “atarefado”.

Não estava. Atendeu o porteiro, que prestimoso, foi chamar “um senhor padre”.

Ao abordar a hospitalização, meu pai referiu-se ao facto de Frei X, não ter aparecido, devido a não ter transporte disponível. (Desculpa que lhe deu, pelo telefone.)

Em resposta, ouviu:

- “Não tinha transporte?! … A Casa tem carro. Eu próprio o levaria, com muito gosto, no meu automóvel! …

Uma das obras de caridade do cristão é visitar presos e doentes.

Que haja receio de confortar presos, compreende-se, mas que não se visite doentes, mormente conhecidos e amigos, é falta de Amor cristão e humanamente imperdoável.

O desprezo. A indiferença, e principalmente a ingratidão, costuma doer mais que a doença, mesmo quando é grave e mortífera.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal