segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ordens Martinistas Visiveis



domingo, 30 de agosto de 2009


Ótima postagem que encontrei no blog: http://illuminattis.blogspot.com



Martinismo


A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome Louis Cloude de Saint-Martin. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.



3 As ordens martinistas visíveis



1 Tradicional ordem martinista


2 Ordem martinista sinárquica


3 Ordem Martinista dos Elus Cohens


4 Ordem martinista de papus


5 Ordem Martinista Sufi



A senda martinista





Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois
“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”
Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.


Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis Claude de Saint-Martin:


“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”



Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da Reintegração. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.


O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo. Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um Homem de Desejo. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.


O martinismo é um caminho da Vontade. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.


Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.



Os ensinamentos martinistas




Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de Louis Claude de Saint-Martin e de Martinès de Pasqually. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:




Os símbolos místicos


A natureza tríplice do homem


O estudo esotérico do Gênesis


O livre-arbítrio e o destino


A lei quaternária


Reconciliação e reintegração


Os mundos visível e invisível


Os sonhos e a iniciação


A ciência dos números


A prece


Os ciclos da humanidade


A civilização e o Estado ideal


Arte, música e linguagem


A regeneração mística


O mundo elementar


O mundo dos Orbes


O mundo do Empíreo


O martinismo moderno




Após a transição de Louis Claude de Saint Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de Papus e Augustin Chaboseau que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da Ordem Martinista, composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ( Dr. Gerard Encause) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.



As ordens martinistas visíveis




No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:



Tradicional Ordem Martinista



A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa.
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :

1. V.E. Michelet

2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus)

3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar)

4. Gary L. Stewart

5. Cristian Bernard (Phenix)


Sucessões iniciáticas:

1. Papus & Chaboseau (linhagem em dobro)

2. o Charles Deter (Teder)

3. Blanchard

4. H.S.Lewis

1. Papus & Chaboseau (linhagem em dobro)

2. Charles Deter (Teder)

3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael)

4. Ralph Lewis.

O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: 1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e 1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.

Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:



Associado


Iniciado


S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)



Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício.

Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de "Conventículos Martinistas", onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.


O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.



Ordem Martinista Sinárquica



Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal.
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida).


No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior.

A linhagem de OMS atual:

1. Papus & Chaboseau (linhagem dobro)

2. Charles Detrè (Teder)

3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael)

4. Auguste Reichel (Amertis)

5. V. Churchill (Sar Vernita)

6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês)

O OM&S independente do Canadá, tem estas linhagens;

1. Papus & Chaboseau (linhagem dobro)

2. Charles Detrè (Teder)

3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael)

4. Auguste Reichel (Amertis)

5. V. Churchill (Sar Vernita)

6. Sar Sendivogius

7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). O tribunal de OM&S no Canadá, 1965, era compostos de:

1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton)

2. Sar Sendivogious,

3. Sar Petrus

A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.



Ordem Martinista dos Elus Cohens



Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens.

A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França:

1. Martinez de Pasqually 1767-1774

2. Caignet Lestere 1774-1779

3. o Sebastian las de Casas 1780

4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967:

1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967

2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 No seguimento Italiano :

1. Krisna Frater

2. Francesco Brunelli


Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim:

1º grau - o Mestre Elus-Cohen

2º grau - Cavaleiro do Oriente

3º grau - o Chefe do Oriente

4º grau - RÈaux-Croix

Outras fontes relatam assim:

1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers

2 - ordem de Cavaleiros maçons

3 - Eleitos sacerdotes do Universo

4 - RÈaux-Croix


A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation" em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris.



Ordem Martinista de Papus



É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos:


1. Papus (o Grande Mestre )

2. Pierre Augustin Chaboseau

3. Paul Adam

4. Charles Barlet

5. Maurice Barres

6. Burget

7. Lucien Chamuel,

8. de Stanislas Guaita

9. LeJay

10. Montiere

11. Josephin Peladan

12. Yvon Le Loup (Sedir)

13. Eduoard Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização.



Ordem Martinista Sufi



Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.


A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim:


1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803)

2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832)

3. (?)X

4. Henri Delaage (morreu 1882)

5. Dr. Gérard Encausse.


Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte:


1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803)

2. Abbe de la Noue (morreu 1820)

3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851)

4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880)

5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851)

6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse

7. Pierre Augustin Chaboseau.


Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis & Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.

Mateus S. Saraiva

Fonte: Magus Portae – A Senda para a Iniciação (de Mateus S. Saraiva) – clique aqui para conferir

sábado, 19 de fevereiro de 2011

ENSINAMENTOS DE HERMES TRISMEGISTO

Por Luiz Carlos Nogueira
nogueirablog@gmail.com

Hermes denominado pelos egípcios como o mensageiro dos deuses, recebeu o titulo de “Trismegisto”, que significa o três vezes grande, o grande entre os grandes, o Mestre dos Mestres, teria vivido pelo ano 2.700 antes de Cristo, muito tempo antes de Moisés, e é considerado o Pai da Ciência Oculta, o fundador da Astrologia e descobridor da Alquimia. Os detalhes da sua vida perderam-se devido ao grande espaço de tempo decorrido do seu nascimento até nossos dias. As melhores autoridades o consideraram contemporâneo de Abraão, ao qual segundo algumas tradições judaicas afirmam, ensinou uma parte do seu conhecimento místico. Em todos os países da antiguidade, Hermes Trismegisto foi tido como fonte de sabedoria.
O emprego do vocábulo “hermético” em nossos dias, tem o significado de secreto, fechado de forma que nada escapa, inclusive o ar. Tal significado está baseado no fato de que os discípulos de Hermes nada deixavam escapar a respeito dos ensinamentos do seu Mestre, ao mundo profano ou ao vulgo incapaz de entendê-los.
Os preceito herméticos baseiam-se no domínio das forças mentais, em vez de domínio dos elementos materiais como muitos pensam. A alquimia ensinada por Hermes não é a da transformação dos metais em ouro - o que de fato ensinava era a alquimia mental - a transmutação das vibrações mentais negativas para outras positivas e construtivas.
Toda a filosofia hermética baseia-se em sete princípios :
1º ) O PRINCÍPIO DO MENTALISMO, em que se enuncia o seguinte aforismo : “O TODO é MENTE; o Universo é Mental”.
Assim o mundo fenomenal ou universo é uma criação mental DO TODO, em cuja mente vivemos, nos movemos e temos nossa existência. Esta afirmação pode ser encontrada no Novo Testamento em Atos dos Apóstolos (17:28).
Disso resulta a explicação de todos os fenômenos mentais e psíquicos, cuja compreensão possibilita ao indivíduo aplicar as leis do universo mental para a sua felicidade e adiantamento espiritual.
Este princípio explica a natureza da força, da energia e da matéria, e de como se subordinam ao domínio da mente. Esta é a chave de marfim com a qual o iniciado poderá abrir a porta do templo superior.
2º) O PRINCÍPIO DA CORRESPONDÊNCIA, afirmado na Tábua de Esmeraldas : “O que está em cima e como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima”.
Isto explica que existem planos que estão fora do nosso conhecimento, seja do universo material, como do mental e espiritual.
Nas últimas instruções de Jesus aos discípulos, a razão da sua saída do mundo, a promessa do Consolador, alude de certa forma a este princípio, quando disse conforme João (14:2) : “Na casa de meu pai há muitas moradas...”.
3º) O PRINCÍPIO DA VIBRAÇÃO, segundo que “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra”.
Este princípio explica que há diferentes manifestações de matéria, energia, mente e espírito, como resultantes das variadas ordens de vibração.
Desde a forma mais grosseira de matéria até o Grande Todo que Puro Espírito, tudo está em constante vibração atômica. A matéria é energia condensada. A mente e o pensamento produzem vibrações que podem afetar as condições ambientais, porque põem em movimento forças sutis da Natureza.
4º) O PRINCÍPIO DA POLARIDADE, que afirma que “Tudo é duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados”.
Os instrutores do hermetismo afirmam que o Espírito e a Matéria são simplesmente dois polos da mesma coisa, sendo os planos intermediários simplesmente graus de vibração.
A energia condensa-se e materializa. A matéria transforma-se em energia.
O ódio e o amor são mutuamente transmutáveis, assim como o medo e a coragem. Mas, o medo não poder ser mudado para o amor, nem a coragem no ódio,
Os estados mentais pertencem a inúmeras classes, e cada classe deles tem dois polos opostos, entre os quais a transmutação é possível. Por exemplo: o preguiçoso por tornar-se ativo, enérgico, procurando seguir para a polarização da qualidade desejada.
Baseados nesse princípio, muitos tratamentos mentais tem bons resultados. Para isto a transmutação só se opera entre coisas da mesma natureza, porém em graus diferentes.
5º) O PRINCÍPIO DO RITMO, em que “Tudo tem fluxo e refluxo: tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação.”
Este princípio está em relação com o princípio da polaridade, pois o ritmo se manifesta entre eles. A vibração vai primeiro para o lado de um polo e depois para o outro.
Ocorre sempre ação/reação; marcha/retirada; alta/baixa; dia/noite; inspiração/expiração; infusão/efusão. Sempre existe a vibração rítmica de um polo a outro. As marés da vida sobem e descem.
Dizem os hermetistas que é assim com todos os mundos e com todas as coisas viventes; nascem, vivem e morrem e depois renascem. É assim com todas as coisas de figura e forma; elas vibram da ação para a reação, do nascimento para a morte, da atividade para a inatividade voltam para trás. Até os grandes movimentos, as filosofias, os credos, os costumes, os governos, as nações e todas as outras coisas: nascer, crescer, amadurecer, decair morrer e depois renascer.
Em Eclesiastes (3:2 a 8) na Bíblia Sagrada dos Cristãos, esta influência hermética é percebida, porque enuncia que “Há, para todas as cousas, um tempo determinado por Deus”. Há tempo de plantar e há tempo para colher. Essa é a Lei.
As pessoas que têm conhecimento de si próprio, têm consequentemente domínio próprio e recusam-se a participar da vibração que desce, sustentando-se firmes na sua posição polarizada, porque aplicam a lei da neutralização.
6º) O PRINCÍPIO DA CAUSA E EFEITO, enunciado da seguinte forma: “Toda causa tem seu efeito; todo efeito tem sua causa; todas as coisas acontecem de acordo com a Lei; o acaso é simplesmente um nome dado a uma lei não reconhecida; existem muitos planos de causalidade, mas não escapa à Lei”.
Este princípio contém a verdade que a Lei e a Ordem promanam da mente do Todo e domina o Universo - Nada acontece por acaso ou por casualidade. Na verdade o puro acaso não existe. Se buscarmos a definição do vocábulo “acaso” no dicionário Webster, verificaremos que é “um suposto agente ou modo de atividade diferente da força, lei ou propósito; a operação de atividade de tal agente; o suposto efeito deste agente; um acontecimento fortuito, uma causalidade, etc”. - Mas ao exame racional e lógico é de se perguntar : E EXISTE ALGUMA COISA QUE PRODUZA MUDANÇAS OU VENHA A DAR EXISTÊNCIA A ALGO SEM O CONCURSO DE UM AGENTE OU SEM UMA CAUSA ? - NADA EXISTE E NADA OCORRE FORA DAS LEIS DO UNIVERSO OU FORA DA MENTE DO TODO. - O TODO É A PRÓPRIA LEI E A PRÓPRIA ORDEM DA EXISTÊNCIA.
Conforme a Lei da Causa e Efeito, colhe-se o que se planta. Há até um ditado popular que diz que “quem planta vento colhe tempestade”. Mas a Lei da Causa e Efeito não é um determinismo porque o Homem tem a possibilidade de comandar o seu destino de forma que não se transforme em autômato ou marionete no palco da vida. Ele tem um privilégio porque recebeu a inteligência e a razão, não para ser um fora da lei, mas para em sabendo manejá-las, fixar-se na vontade superior desprezando leis inferiores, evitando assim aproximar-se das polaridades negativas.
7º) O PRINCÍPIO DO GÊNERO, pois “o Gênero está em tudo; tudo tem os seus princípios masculino e feminino; o Gênero se manifesta em todos os planos”.
No sentido Hermético, o Gênero não se confunde com o sexo, como é ordinariamente aceito para as distinções físicas entre viventes macho e fêmea. O vocábulo “gênero” deriva do latim significando gerar, procriar , produzir.
O sexo é uma manifestação do Gênero no plano físico, ou seja no plano da vida orgânica e material. Mas o princípio criador do Gênero deve ser considerado pelo lado científico, de que o átomo é composto por corpúsculos, elétrons e íons, que giram uns ao redor dos outros. Assim a formação do átomo é devido ao agrupamento desses corpúsculos negativos ao redor de um positivo - e dessa forma são gerados ou criados. Por isto que se estabelece o mais antigo preceito Hermético, identificando o princípio masculino do Gênero com o polo positivo, e o feminino com o polo negativo da eletricidade.
A ciência prova que é no polo negativo de uma bateria que se manifesta a geração ou produção de energia, e por isso emprega o vocábulo Catódico, para designar o que vulgarmente chamamos de negativo. E é do polo Catódico que procedem abundante e incontáveis elétrons ou corpúsculos - os raios Catódicos que revolucionaram a ciência. Este polo é chamado de maternal porque é o produtor de todos os fenômenos estranhos ainda para nós, mas que sepultaram velhas teorias e montes de livros inúteis.
A união dos elétrons ou corpúsculos femininos com um corpúsculo masculino, inicia um processo de geração, pois as partículas femininas vibram com muita intensidade em torno e sob a influência da energia masculina, tendo como resultado o nascimento de um novo átomo.
Um corpúsculo feminino abandona o corpúsculo masculino e toma uma nova direção, procurando unir-se sob o impulso natural, com outro corpúsculo masculino, para criar novas formas de matéria e energia. A este processo a Ciência dá o nome de ionização - disso resultam os fenômenos da luz, calor, eletricidade, magnetismo, atração e repulsão.
O Princípio do Gênero também esta constantemente agindo e manifestando-se no Universo, na matéria inorgânica e no campo da força e energia.
Este Princípio também age no plano mental, embora não seja possível estender este assunto por razões de tempo, espaço e até porque considero que não me é licito entrar em detalhes, apenas faço alusão de que os hermetistas entendem a respeito da energia vibratória mental, dos pensamentos-sementes, que projetados pelo Princípio Masculino de uma pessoa, para o Princípio Feminino de outra pessoa, desenvolvem até à maturação, sendo responsáveis pelos fenômenos telepáticos, hipnóticos, de cura e outros, quando podem ser coordenados e harmonizados pela Força-Vontade.
Esta é uma força perigosa se mal utilizada ou dirigida, porque infelismente o Princípio Masculino nas pessoas médias é de muito lento agir e o entendimento da Força-Vontade também é vagaroso. Por isto é exigido alguns requisitos éticos, para agir com esta força.
Mas quando um grupo de pessoas age em harmonia e com o preparo suficientes, sua energia mental dá vida a pensamentos como entidades autônomas, capazes de produzir resultados bons para a comunidade.
Obs: Com exceção das citações bíblicas, que acrescentei para mostrar pontos de concordância que reputo como dois dos principais princípios herméticos, as demais informações foram extraídas do livro “O Caibalion”, dos Três Iniciados, traduzido por Lourenço Prado (Rosabis Camaysar) para a Editora Pensamento, SP, que poderá ser adquirido através do site Pensamento-Cultrix (clique aqui para acessa-lo).
Visite o site do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, clicando aqui.
Obtenha mais informações sobre os ensinamentos de Hermes Trismegisto, pela Venerável Ordem Hermética, acessando o site de José Laércio do Egito – para isso clique aqui.
Conheça ainda a Ordem Centrênica, para mais informações sobre o Hermetismo, clicando nos seguintes links:

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

EXPLORANDO A BÍBLIA SAGRADA, EM BUSCA DOS CHAMADOS FENÔMENOS ESPIRITUAIS

Por Luiz Carlos Nogueira
nogueirablog@gmail.com




Afinal de contas, o ser humano pode ou não pode interagir com o mundo espiritual? Pode ele utilizar-se dos possíveis recursos daquele mundo e operá-los em seu benefício ou de outrem? O que dizer sobre os espíritos? As respostas para essas indagações podem estar contidas na Bíblia Sagrada dos Cristãos? Pode esse Livro milenar conduzir-nos a conclusões inquestionáveis, não obstante as dúvidas semânticas, que possivelmente ser-nos-ão apresentadas por razões diversas?

Será possível encontramos vestígios e/ou evidências de algumas verdades nesse Livro, ainda que no Concílio de Laodicéia, ocorrido no ano 364 d.C, como se tem noticia, por exemplo, que foram excluídos 68 dos 72 evangelhos, ficando o Novo Testamento resumido a apenas 4 deles?

Segundo algumas fontes de informações a quantidade dos livros apócrifos é maior do que o da Bíblia canônica, ou seja, dos 113 deles, 52 estavam relacionados ao Antigo Testamento e 61 relacionados ao Novo Testamento.

Pois bem, em busca dessas respostas é que decidi explorar esse Livro, que apesar de fragmentado, subsiste há séculos orientando a fé cristã.

DOUTRINA REENCARNACIONISTA

Para os partidários dessa doutrina, segundo Lucas 9:7-8-9, há informação de que “o tetrarca Herodes ouvia tudo o que se passava, e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dos mortos;” “E outros que Elias tinha aparecido; e outros que um profeta dos antigos (possivelmente referindo-se a Elias) havia ressuscitado”. De tal sorte Herodes disse: “A João mandei eu degolar: quem é pois este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava vê-lo.”

Bom, para os partidários dessa doutrina, a questão semântica do verbo ressuscitar, não pode ser tomada ao pé da letra sob a ótica da racionalidade e por questão de lógica, pois ressuscitar significa voltar da morte à vida, o que pelas leis da química e da física isso não é possível, ou seja, como é que as pessoas que já morreram há décadas passadas, poderiam reviver senão ressurgindo na carne — voltando a viver em outro corpo (de um recém-nascido), mas não naqueles corpos antigos que já desfizeram, tornando-se pó na terra.

PRECOGNIÇÃO, COMUNICAÇÃO PELO SONHO, VIDÊNCIA, REVELAÇÃO

Em Joel (2:28), temos a seguinte afirmação: “vossos filhos e vossas filhas profetizarão” – Isto quer significar precognição?

Logo a seguir lemos: “os vossos velhos serão instruídos por meio de sonhos” — Isto quer dizer comunicação pelo sonho?

E finalmente está escrito: “os vossos mancebos terão visões” – Isto significa vidência?

Remetendo-nos aos Atos dos Apóstolos (2:17), iremos verificar que lá está repetindo o que disse Joel no Antigo Testamento. — Isto é para confirmar esses mesmos dons espirituais?

Sigamos ainda o rastro dessas informações em Mateus (1:20 e 2:12) e veremos confirmada a revelação ou comunicação pelos sonhos.


A CURA POR MEIO DE OBJETOS MANETIZADOS

Em Atos dos Apóstolos (19:11 e 12), pode-se constatar o fenômeno da cura por meio de objetos magnetizados, pois, pela mão de Paulo, até os lenços e aventais que ele aplicava aos enfermos, curando-os e expulsando deles os espíritos.


A CURA PELA IMPOSIÇÃO E PELO TOQUE DAS MÃOS - ESTIMULO À PARANORMALIDADE PARA CURAR E FAZER BENEFÍCIOS


Podemos encontrar em Lucas (14:2,4); Marcos (3:2,5 – 7:32 a 35 – 8:22 a 25) e Mateus (8;2,3 – 20:30 a 34), a cura pela imposição e pelo toque das mãos, do homem hidrópico, do que tinha a mão mirrada, do leproso, do surdo e gago de Decápolis, do cego de Betsaida e do cego de Jericó.

“Então disse o Senhor a Moisés: Toma a Josué, filho de Num, homem em quem há o Espírito, e impõe-lhe a mão;”( Números 27:18)

Segundo Mateus (10:8) e Lucas (9.2 e 10:9), Jesus estimulava a paranormalidade dos seus apóstolos para curar os enfermos, expulsar os maus espíritos, sem nada cobrar porque receberam de graça os seus dons.

Curas presenciais:

Essas curas operadas pelos apóstolos de Jesus, como por exemplo a do homem coxo que estava à porta do templo; e também do que havia nascido coxo, estão registradas em Atos dos Apóstolos (3:1,8 e 14:8,10). Há registro de cura pelos dons espirituais, no Antigo Testamento (II Reis, 5:14), quando Eliseu curou Naamã de lepra.

Curas à distância:

Sobre a cura à distância, operada por Jesus no criado paralítico do Centurião de Cafarnaum e no filho de um régulo, encontramos registro em Mateus (8:5,13).


O FENÔMENO DA TRANSMUTAÇÃO


Esse fenômeno da transmutação pode ser visto em João (4:46), quando Jesus transformou a água em vinho.


A PSICOGRAFIA OU A ESCRITA AUTOMÁTICA

A questão da psicografia ou da escrita automática, está referida em II Crônicas (21:12), quando o Rei Jorão recebeu uma comunicação escrita pelo espírito do profeta Elias.


A MATERIALIZAÇÃO DE ESPÍRITOS

Em Daniel (5:5) temos registro de uma materialização parcial de um espírito, quando apareceu a mão de um homem escrevendo na parede do palácio, durante um banquete de mil pessoas, oferecido pelo Rei da Babilônia. Um anjo materializou-se totalmente aparecendo para Manué e sua mulher, conforme está escrito em Juízes (13:20). Aliás, Jesus mesmo materializou-se em várias oportunidades para os seus discípulos (Lucas 24:36-49) (João 20:11-18; 20:19-21 e 20:24-31), ou isso não aconteceu?


O FENÔMENO DA LEVITAÇÃO E DO TRANSPORTE – A PARANORMALIDADE DE EFEITOS FÍSICOS – E O ARREBATAMENTO


O fenômeno da levitação e do transporte, encontra-se em Ezequiel (3:14,15), pois o profeta levitou e foi transportado de um lugar para outro, indo ao cativeiro, a Tel-Abibe, junto ao Rio Quebar, onde ficou sete dias no meio dos que lá moravam. Eliseu fez flutuar o ferro de um machado que havia caído n’água do Rio Jordão (II Reis, 6:6) numa clara demonstração de paranormalidade de efeitos físicos.

Também podemos achar outro exemplo dos efeitos físicos de transporte ou telecinesia em I Reis (19:5,6), quando o profeta Elias recebeu alimentos em um botija de água no deserto, colocados à sua cabeceira, por um anjo.

Outro caso de arrebatamento está escrito em Atos dos Apóstolos (8:39) em que Felipe foi transportado a distância.

É também relatado em Mateus (14:25 a 32), em Marcos (6:48 a 51) e em João (6:19 a 20) o episódio de Jesus caminhando sobre as águas do mar, logicamente levitando. Na segunda epístola de São Paulo aos Coríntios (12:2) está escrito: “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu.” “3.E sei que tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe).” “4.Foi arrebatado ao paraíso: e ouviu palavra indefáveis, de que ao homem não é lícito falar.”

O FENÔMENO DA CLARIAUDIÊNCIA

A clariaudiência também é um fenômeno paranormal encontrado na Bíblia, conforme Lucas (3:22), quando se ouviu a voz do mundo invisível no momento em que Jesus estava recebendo o batismo.

Também está indicado em João (12:28), quando Paulo ouviu uma voz do além, anunciando que Jesus é glorificado.

Paulo ouviu a voz de Jesus na entrada de Damasco, pois assim está escrito em Atos dos Apóstolos (9:4): “Saulo, Saulo, por que me persegues?

Há ainda, um relato em Êxodo (19), de que Moisés ouvia a voz de Deus. E em Números (11:25) está registrado um caso de clariaudiência coletiva, em que setenta anciãos ouviram a voz do Senhor, quando o espírito os envolveu e eles profetizaram naquele momento.


OS FENÔMENOS PARANORMAIS DA LUMINOSIDADE E DA TRANSFIGURAÇÃO


Quanto aos fenômenos paranormais da luminosidade e da transfiguração, achamo-los em Mateus (17:1,2), e também em Marcos (9:1,33) e em Lucas (9:28,36) na ocasião em que 3 dos apóstolos se maravilharam diante dos efeitos luminosos da transfiguração de Jesus.

Em Atos dos Apóstolos (2:3), foram vistas línguas de fogo que desciam sobre a cabeça de cada um dos apóstolos.

No Livro de Nemias (9:12,19) fala-se da nuvem e da coluna de fogo. O resplendor da luz foi vista por Paulo antes da sua conversão ao cristianismo, conforme está escrito em Atos dos Apóstolos (9:3). Também em Êxodo (34:29,30) está escrito que a pele do rosto de Moisés resplandecia quando desceu do Monte Sinai.

Todos os fenômenos luminosos já observados atualmente, têm igual correspondência com os relatados na Bíblia, desde uma simples irradiação do perispirito em Moisés (Êx., 34:29, 30), e no Cristo (transfiguração), e a produção de luzes (Atos dos Apóstolos, 2: 3, e 9: 3), até as aparições completas que não se contam na Bíblia.

O FENÔMENO PSICOFISIOLÓGICO DO TRANSE E AS VISÕES

Encontramos o fenômeno psicofisiológico do transe, em Daniel (8:18), ou seja, quando ele ao ouvir a voz de um homem, caiu adormecido em transe hipnótico com o rosto na terra, assim como Paulo caiu em transe no caminho de Damasco (9:3,4,8). Em Gênesis (15:12) Abraão sofreu essa experiência caindo em sono profundo.

Daniel, por exemplo, provocava, por meio da prece, fatos mediúnicos? (Daniel 9:21,22)

O EXORCISMO E A POSSESSÃO ESPIRITUAL – EVOCAÇÃO DOS ESPÍRITOS

O exorcismo e a possessão espiritual aparece no relato de: Lucas (8:29), Marcos (5:8) e Mateus (8:28 e 9:34), quando Jesus estava em Gadareno, em frente à Galiléia, expulsou um espírito que estava possuindo um homem.

O que está bem claro, é que nos três primeiros séculos da nossa era, os cristãos sabiam das possibilidades de poderem se relacionarem com o mundo invisível ou com os espíritos, pois
dizia João (4:1): "Não acrediteis em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus,",

Os hebreus, acreditavam que a alma do homem, depois da sua morte, era restituída ao scheol, para dele jamais sair (job, 10: 21, 22), e não hesitavam em atribuir ao próprio Deus todas essas manifestações. Aliás, conforme a Bíblia, Deus intervinha a cada passo dado pelo Homem, e às vezes mesmo em circunstâncias estranhas para ser atribuída a um Deus amoroso.

Evocação dos espíritos

Saul faz evocar o Espírito de Samuel pela pitonisa de En-Dor (I Samuel, 28: 7-14.) (Livro de Jó, 4: 13-16)


A PARANORMALIDADE DA ADVINHAÇÃO E PREDIÇÃO DO FUTURO

A paranormalidade da advinhação e predição do futuro, está relatada na Bíblia II Reis (6:12), quando Eliseu adivinhou os conselhos do rei da Síria e quando predisse sobre a abundância de víveres (7). Também há evidência de que José fazia adivinhações usando um copo, conforme está em Gênesis (44:5). E Daniel era tido como o príncipe dos magos (Daniel 4:8,9), porque ninguém conseguia ocultar-lhe os seus segredos.

Ora, o povo antigo (como até hoje) tinha o costume de consultar os videntes sobre todos os fatos da sua vida intima, como também para achar objetos perdidos, sobre as suas alianças e empreendimentos de toda ordem, conforme se lê em Samuel (I, cap. 9:6,9): (Antigamente em Israel, indo alguém consultar a Deus, dizia assim: Vinde, vamos ao vidente; porque ao profeta de hoje, outrora se chamava vidente.)

Os sumos-sacerdotes proferiam julgamentos ou oráculos, utilizando-se de um objeto de natureza desconhecida, chamado urim e tumim, que colocava sobre o peito. (Éxodo, 28: 30. - Números, 27: 21.)

Era muito comum na antiguidade judaica, se recorrer à música para auxiliar a prática da mediunidade. Eliseu pediu para lhe trazerem um tocador de harpa para poder profetizar (II Reis, 3:15), e a obscuridade era considerada propícia a essa ordem de fenômenos, conforme disse Salomão falando do lugar santo, por ocasião da consagração do Templo (Crôn., II, 6:1): "O Senhor disse que habitaria nas trevas", pois é no santuário que as manifestações acontecem muitas vezes; “[...] então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor” (Crôn.,II., 5:13,14), e no santuário do Senhor Zacarias viu o anjo que lhe predisse o nascimento de seu filho. (Lucas, I, 9,10 e seguintes.)


A EXPULSÃO DE ESPÍRITOS PELA MÚSICA

A expulsão de espíritos pela música encontra-se referida em I Samuel (16:14,23), pois David tocava sua harpa para que o espírito mau se afastasse do rei Saul.


Assim devo concluir dizendo que é possível que muita coisa nesse sentido, talvez tenha passado desapercebida, por falta de maior tempo e acuidade na pesquisa. Não espero com este trabalho convencer a quem quer que seja, porque isso não mudaria em nada a minha vida. Apenas os fatos estão destacados de um livro (Bíblia) que não são todas as pessoas que gostam de lê-lo.

Consultem aqui, clicando nos links abaixo:

Bíblia Sagrada Evangélica Online

http://www.jesusvoltara.com.br/biblia.htm


Bíblia Sagrada Católica Online

http://www.bibliacatolica.com.br/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Iniciação e Busca do Saber - Por Carlos Raposo




"Forget all your Sorrows Don't live in the Past And Look to the Future Cos life goes too Fast
You know!" (Hard Road, Black Sabbath)

Os motivos que lançam quem quer que seja à iniciação são vários: sabedoria, encanto ou poder pessoal, ajuda ao próximo, evolução da humanidade ou ainda um fascínio qualquer, curiosidade, falta de outra coisa que fazer, ociosidade, etc. Enfim, tais motivos sempre oscilarão entre extremos que vão desde os mais nobres anseios até as mais vis e inconfessáveis perversões, habitantes dos mundos de Hades de nosso ser.

Parece existir, contudo, uma característica romântica bem peculiar e comum àqueles que anseiam por iniciação: todos procuram e almejam um conhecimento especial, um misterioso saber, algo capaz de transcender as possibilidades normais do ser humano. Diga-se ainda mais, pois além de seu inefável atributo transcendental, esse precioso conhecimento teria a capacidade de libertar quem o possuir dos diversos grilhões aos quais está atada a infeliz humanidade. Depois de adquirido tal conhecimento, o Iniciado, agora um espiritualizado Adepto, estaria livre para agir conforme sua desvelada natureza. Fazendo uso do bom e velho clichê, ele então usaria seus novos poderes conforme bem entendesse, seja para o bem seja para o mal.

Segundo o Evangelho de Tomás, Jesus, se referindo ao Saber, diz "Que aquele que busca não deverá deixar de buscar até que ele o encontre; quando o encontrar, se emocionará e assim contemplará e reinará sobre o universo". O padre espanhol Molinos, sobre o mesmo tema, também nos inspira, dizendo que "o espírito da sabedoria, enchendo os homens com doçura, governa-os com coragem e ilumina com excelência os que se submetem a sua direção". Por tal saber, uma soma enorme de homens e mulheres dedicam a própria vida, em uma busca às vezes alucinada, a qual tem produzido um considerável número de loucos e santos, tem causado tristeza e alegria, ira e paz, derrotas e glórias; mas sempre, em todos os casos, tem exigido muito sacrifício, tanto pessoal quanto coletivo. Pelas páginas da história, são fartos os relatos de martírio, são numerosos os nomes citados como exemplos de total resignação em favor de um saber qualquer. Mesmo quando o preço a ser pago pelo saber é a própria vida, ainda assim, isso não seria razão suficiente para inibir a demanda empreendida pelo buscador convicto. Como já afirmado, o mesmo ocorre em nível de coletividade, quando dificuldades imensas são superadas, apenas para se obter ou manter um conhecimento adquirido. Não será vão aqui citar o exemplo dado por uma comunidade inteira de Judeus residentes em algum ponto do sul da Arábia. Após a criação do Estado de Israel, essa comunidade, emigrando à terra considerada Santa pela religião hebréia, foi obrigada a se desfazer de praticamente todos os seus bens. Porém, presente entre as raras posses as quais seus membros se recusam a abandonar, estava o "Livro do Esplendor", o Zohar, obra cuja origem remonta ao século XIII, mas cujo estudo é mantido vivo até os nossos dias, por certa classe de cabalistas.

Enfim, o conhecimento e a tradição, o saber propriamente dito, serão sempre tidos como preciosos e reverenciados até o final dos tempos. A busca pelo saber, consequentemente, é da natureza humana. Não constituirá, portanto, um erro querer ou aspirar conhecimentos e dons espirituais, sejam estes quais forem. Pelo contrário, se de fato houvesse um número cada vez maior de pessoas verdadeiramente interessadas nos reais dons espirituais, muito estaria diferente neste mundo em que vivemos.

Onde houver a possibilidade de aprendizado, lá estará a humana criatura, experimentando, analisando e estudando, tentando assimilar tudo que for capaz. Mesmo se o Saber, continuando lá, em algum misterioso e reservado lugar, mesmo que ele esteja no mais recôndito esconderijo do espaço infinito, nos desafiando, tal como o insólito monólito de Kubrik, o homem nunca cessará a sua demanda.

Várias são as vias e modos de conhecimento. Umas das estradas mais freqüentadas ultimamente tem sido aquela taxada pelo incômodo rótulo "ocultismo". Essa é uma das formas que o homem encontrou para, livre de influências outras senão aquela advinda do próprio saber, preservar e transmitir o conhecimento; sendo o próprio ocultismo o resultado da elaboração de uma série de ensinamentos, os quais, quando reunidos e formando um todo, passam a assumir a denominação genérica de Ciência Arcana ou Filosofia Oculta. Uma série de ritos sistemáticos, as assim chamadas Iniciações, também foram associados à Ciência Arcana, sempre no intuito supremo de transmitir o saber. Deste modo, qualquer ser humano de boa vontade, que se faça digno e preparado para absorver seu simbolismo, poderia ter acesso aos mais profundos níveis de conhecimento ali oferecidos.

Mas parece que muitos não encontram no glamour oferecido pelas ditas Ciências Arcanas as respostas à necessidade de crescimento espiritual. Isso acontece com freqüência, pois normalmente espera-se da nobre Ciência um retorno imediato, uma resposta conclusiva e definitiva às questões básicas do viver e sobre o saber.

Por tal, esta Ciência costuma trazer em si mesma um curioso paradoxo: o caminho do fácil difícil. Ela é o caminho fácil, pois, provavelmente, não exista assunto mais debatido e em moda do que os temas esotéricos: quem quer que queira uma bola de cristal, pronto, manuais e mais manuais o ajudarão a ver tudo na tal bolinha; quem quer que queira um arzinho de iniciação, pronto, dúzias e mais dúzias de ordens rosacruzes e templárias de plantão virão afoitas oferecer seus serviços. Enfim, continuamente haverá oferta para qualquer tipo de curioso satisfazer parte de seus anseios místicos.

Também a Ciência Arcana é uma vereda difícil, pois, quem nela se aprofunda sabe que a senda do conhecimento é um caminho que logo se desvela bem mais custoso do que se supunha numa primeira análise. E como nos sugere Blake "as preces não lavram o campo e os louvores não os ceifam". Por tal, o caminho do sábio se revelará, cedo ou tarde, muito árduo.

A aventura iniciática de todos parece ter etapas bem definidas, quase sempre bem particulares a cada um dos buscadores.

Se abrimos a porta de nossa casa a qualquer um que por ventura ali esteja passando, poderemos receber tanto um impostor quanto um nobre, tanto um farsante quanto um Iniciado. E assim se dá com o Ocultismo, pois na ânsia de vermos resolvidas nossas contundentes questões transcendentais, abrimos a porta de nosso ser a qualquer chance que nos pareça pelo menos razoável.

Normalmente o tino daquele que está movido por tal ânsia, se vê direcionado a alguma das chamadas Escolas de Mistério, porquanto nelas é comum se encontrar os mais diversos tipos de apelos clamando por sua atenção, todos prometendo a conquista dos mais sublimes predicados espirituais.

Deste modo, o então iniciando, com o mesmo primaveril entusiasmo de um calouro, livre de qualquer tipo de conceitos e juízos místicos predefinidos, começa sua jornada na trilha dos mistérios. Infelizmente, algumas vezes, a euforia que o move é tão sinceramente desprovida de sentido crítico, que uma das principais virtude humanas, o bom-senso, quando em conflito com a ânsia de aprender, vai sendo aos poucos esquecida, dando paulatinamente lugar a toda sorte de incoerências doutrinárias de fundo místico-religioso.

É que o que normalmente acontece em grande parte de tais organizações raramente escapa do ilusório. Além disso, toda sorte de bordões do tipo "aqui não se doutrina, só se orienta", é usado tanto para condicionar os participantes a um ambiente de suposta harmonia e lúdica veracidade, quanto para camuflar as reais forças que movem e dão sustento a grande maioria das ditas ordens esotéricas.

Como conseqüência, à força da insistente doutrina que lhe é empurrada, invariavelmente um emaranhado de argumentos falhos e lugares comuns, todos devidamente mergulhados em uma variação sem fim de silogismos pueris, acaba por penetrar pela mente do candidato, corrompendo sua própria vontade e comprometendo suas ambições pessoais, doutrinando-o e "orientando-o", conduzindo-o a um condicionamento servil, apenas para o engrandecimento, em si, da organização. Tudo isso causa por fim, no antigo candidato, uma tosca combinação de apatia e dependência, gerando uma submissão de dar dó.

Vale ressaltar que isso, mesmo sendo uma razoável exposição do que normalmente acontece, é uma generalização, não correspondendo, portanto, ao que se passa em absolutamente todas as organizações existentes. Porém, o mais importante em todos os casos é ter consciência que independente do meio no qual o homem estiver, existe algo que, quando presente em seu espírito, dificilmente permitirá qualquer tipo de condicionamento servil, impedindo que o Ser seja maculado pela influência do ambiente. Esse algo é a atitude do candidato. E isso, repetindo, será o mais importante.

Para tal, necessário é, tão somente, que o buscador tenha total e plena confiança em si próprio, nunca esperando, de forma alguma, como nos aconselha Maquiavel, pensar poder se recobrar de uma queda apenas porque acredita que encontrará quem o levante, ou mesmo o carregue.

Caso o candidato esteja de fato ciente daquilo almejado e caso todo o peso do simbolismo venha lhe tocar, mesmo de modo leve e sutil, ele então saberá que nada poderá conduzi-lo, que a ninguém caberá a tarefa de orientá-lo em definitivo, pois todos estarão juntos no mesmo anseio primevo de busca pelo saber.

Este estado de consciência provocará, então, uma atitude especial, fazendo com que o buscador assuma um definitivo compromisso consigo mesmo (melhor seria dizer um inquestionável estado perceptivo) entendendo assim as diversas situações e fatos, pertinentes aos vários ambientes nos quais ele estiver, como se fosse um simples e perene acordo entre ele e a sua divindade pessoal. Em certos Círculos, tal ajuste, ou acordo, é conhecido pela denominação "A Última das Juras".

Intuirá também que o saber não é algo definido e estático, mas sim uma variedade infinita de impressões que, ao mesmo tempo, moldam e se adaptam ao Sábio. Ele saberá que seu ser estará em eterno movimento (uma verdadeira metamorfose ambulante, como bem o diria nosso querido Raul Seixas), aprendendo pelo experimento, pela observação e estudo, e ensinando tão somente pelo exemplo vivo no qual o buscador se tornou.

Deste modo ele fará as vias do simbólico lótus, o qual nascendo na vasa e permanecendo com suas raízes imersas em lodo e lama, ali mesmo encontra o alimento necessário a lhe permitir o rompimento das estruturas, das superfícies para, a partir daí, unicamente seguindo os desígnios de sua própria natureza, buscar a luz do sol.

Devemos, desta forma, estar bem atentos e conscientes do que representa para nossa vida o meio no qual nascemos e crescemos. Assim poderemos identificar e avaliar as informações por nós recebidas, e delas extrair tudo o que de fato precisamos para nosso avanço espiritual.

O meio no qual está inscrito o buscador, contudo, e apesar dessas restrições, tem papel deveras importante em sua formação. Em sociedades como a de nosso querido e maltratado país, por exemplo, quando praticamente toda a população se vê as voltas com a ignóbil e estéril falta de opção, "tupi-or-not-tupi", "ser ou ser" cordeiro, fica muito difícil crer, ou até mesmo imaginar, que o bom e sofrido cidadão de nível mediano, devido unicamente a retração de inteligência que lhe é brutalmente imposta, tenha sequer a capacidade de avaliar as parcas informações que recebe. Uma lástima.

Um outro agravante muito sério é erguido pelos fatores econômicos. Salvo raríssimas exceções (e, felizmente, elas existem), quase tudo que gira pelo universo da humanidade está necessariamente de acordo com o que é ditado pelos óbvios padrões de nosso mundo, cada vez mais neurótico-capitalista. De modo que se algo não dá lucro (e quanto maior melhor), não serve para existir. Será difícil supor que o misticismo - seja ele de qual tipo for, tenha ele o apelo que tiver - escape destas duras diretrizes.

E quando se observa, mesmo de relance, as estruturas de algumas entidades "filantrópicas" - no caso do Brasil, entidades "filantropicais" -, nota-se os claros indícios do oportunismo mascarado pelo grande álibi do chavão "caridade" ou "ajuda" ao próximo. Outra lástima bem desagradável.

Todavia, mesmo com toda a dificuldade existente, a necessidade premente de se saber falará mais alto no coração humano e no espírito do sincero buscador. E, por fim, como já dito, o sentimento determinativo de seu sucesso na senda estará na atitude e no apreço que ele tiver em relação ao que considera Sagrado. A busca do saber sempre será uma forte parte ativa da essência humana. E provavelmente todos terão, de uma forma ou de outra, chance de adquirir a tão almejada sapiência.

Porém, também seja dito, se é certo que a muitos será dada a chance de conquistá-la, igualmente é certo que nem tantos suportarão as conseqüências impostas pelo estado "saber".

Em que se pese toda a diversidade de conceitos e opiniões a respeito de como acontece a busca do saber, além das realizações e desilusões inerente à própria demanda do conhecimento, lembro de uma pequena e curiosa lenda atribuída àqueles fantásticos gigantes mitológicos de um olho só, os Ciclopes; a qual retrata, com notável precisão, a cábula que pode estar vinculada ao saber. Segundo essa lenda, conta-se que os Ciclopes eram seres alegres e felizes. Nessa época, eles possuíam os dois olhos, como todos os outros seres da região em que viviam.

Movidos por sua natureza investigativa, diz-se que os Ciclopes saíram em sua busca do conhecimento e da sabedoria maior. Assim, durante a jornada repleta de acontecimentos e aventuras, após muito procurarem, eles se depararam com um Grande Mestre, o Senhor dos Mundos Obscuros.

Os Ciclopes, então, contaram ao Mestre os seus anseios e perguntaram se este poderia, de alguma forma, ajudá-los. O Mestre, agindo de acordo com sua sinistra natureza, declarou possuir tal saber, o conhecimento dos conhecimentos, o maior dos segredos entre todos os segredos. "E este segredo será de vós. Tudo porém tem um preço!", disse com majestade o temível Grande Senhor dos Mundos Obscuros.

Entusiasmados diante da real possibilidade de conseguirem o tão almejado segredo, os Ciclopes, se declararam dispostos a pagar o preço necessário, fosse qual fosse seu valor, para finalmente terem a posse do cobiçado conhecimento. Nenhum esforço seria medido por eles para pagar o preço devido.

O Senhor dos Mundos Obscuros, então, propôs trocar o grande segredo por um olho dos Ciclopes.

A barganha foi feita e o logro obtido.

Os Ciclopes, assim, com um só olho, e de posse do Supremo Conhecimento, logo retornariam da longa jornada, à região de origem deles.

Os outros habitantes daquela região logo notaram o diferente aspecto dos gigantes. Porém, o que mais se fazia perceber naquelas colossais criaturas não eram os novos e estranhos traços das suas faces, mas sim a terrível mudança do estado de espírito deles. Onde antes estavam a alegria e a felicidade, agora habitam a tristeza e a sisudez.

Os demais moradores da região dos Ciclopes, acostumados com a habitual cortesia daqueles soberbos seres, não entendiam os motivos da drástica mudança de atitude. "O que terá acontecido a eles?" perguntavam atônitos entre si. Até que um dos gigantes, contou como fora a jornada em busca do conhecimento. Contou a respeito do anseio de sua raça pelo saber e pelo Sumo Conhecimento. Falou como eles decidiram partir na demanda de suas altas aspirações e também como ocorreu o fatídico encontro com o Grande Mestre. Narrou como se sucedeu a barganha que lhes fora proposto pelo terrível Mestre dos Mundos Abissais e, finalmente, sobre o tão desejado Saber, o Conhecimento que afinal lhes fora entregue: "o maior dos segredos, entre todos os segredos", disse de forma tristonha e melancólica o imenso Ciclope.

Foi quando alguém, dentre aqueles que escutavam o gigante, perguntou: "mas porque agora, ó colossal criatura, andais triste como o crepúsculo, porque agora os dias e as noites não têm mais importância para ti e por qual motivo a própria vida já não exerce encanto sobre todos da tua nobre raça, e justamente agora que vós possuís tão precioso saber?"

Ao que respondeu o Ciclope que o Saber que lhes fora conferido, era muito especial mas também deveras cruel; o maior dos segredos, entre todos os segredos; tão terrível quanto o seu Guardião, o Mestre dos Mundos Obscuros. Este era o Único Saber, e este consistia apenas do conhecimento preciso e completo de como e quando ocorreria a própria morte. A nobre raça dos Ciclopes agora estava condenada a nascer já perfeitamente ciente de como e quando se daria a própria morte. Desta feita, nada mais importava para aquelas grandes criaturas da região. Nada mais tinha importância. Por isso a tristeza e a melancolia agora seriam suas únicas e eternas companheiras.

O fardo era demais. E se fosse permitido a eles apenas mais um desejo, todos, sem exceção, escolheriam algo muito simples: ignorância...

Mas é claro que essa lenda apenas expõe um lado da questão. O triste lado da questão, é verdade. E devemos estar cientes disso. Contudo também é verdade que, embora dando o que pensar, essa lenda nunca inibirá (amém!) a ambição da humanidade pelo saber.

E mais, muito antes que qualquer conhecimento ou objetivo final seja alcançado, devemos estar atentos ao presente, a jornada, que é a própria vida. Pois que o grande aprendizado está, em si, no caminho a ser percorrido, no passo a passo e não apenas naquilo a ser, por fim, alcançado.

Se em todo o processo invocamos anjos ou demônios, se elevamos as mãos aos céu e oramos ao Deus Pai ou se, ajoelhados, entoamos aos gritos as "Litanias de Satã", de Baudelaire, ao final, isso até parecerá pouco ter importado. Assim, tristezas e alegrias devem se comungadas com o mesmo respeito e gratidão. Também valerá cultivar um respeito, não muito exagerado, é certo, por tudo no caminho. Não exagerar na seriedade é uma boa dica que vem de Hemingway, pois, segundo ele, as sementes do que seremos já nascem conosco, porém sempre pareceu que os que não levam a vida totalmente a sério têm as sementes cobertas por um solo generoso e bem adubado. E essa também é a nossa opinião.

E ainda no que diz respeito as tristezas que estão presentes na senda, não se ocupar em demasia com elas é um bem que se aprende, afinal, a vida é rápida e o futuro sempre existirá com possibilidades promissoras. E, como nos ensina Borges, ditosos são aqueles que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.

Também vale ressaltar que o espírito de busca deverá continuamente estar alimentado por aquele fogo primaveril de quem inicia a jornada. De outra feita, correremos o sério risco de nos perder nas estéreis conjecturas do labirinto de nossa própria mente, sucumbindo, lentamente, ao entorpecimento do entusiasmo que é causado, duplamente, pelo peso de certas conquistas e de algumas descobertas.

Se todos nós que queremos, com todas nossas forças, desvendar os mistérios de nossa própria existência, estamos ou não apenas revivendo histórias já contadas e recontadas por outros tantos, isso na verdade nunca será de relevância. A busca pelo saber, por si só, o saber pelo saber, isto basta a muitos.

Tão pouco também terá valor a tola suposição de ser o saber maior uma lúdica e vã quimera, pois o Homem continua sendo o maior de todos os seres fantásticos.

"Ai de mim! da Filosofia,

Medicina, jurisprudência,

E, mísero eu! da teologia,

O Estudo fiz, com máxima insistência.

Pobre e simplório aqui estou,

E sábio como antes sou!"

Assim grita o Fausto de Goethe, quando inicia sua jornada em busca do saber maior. E mesmo sendo ele, um grande Doutor, entre tantos outros doutores, com toda a sua humana sapiência, partiu em busca dos mistérios da existência. Sejamos ou não pequenos Faustos em agonia, nós nunca escaparemos desta dupla aventura: de impor à vida os desígnios de nossas vontades e, em contrapartida, de receber as suas injunções.

Outrossim, foi deixado de propósito para este final as eternamente válidas e simples palavras de Pessoa, nos dizendo que "tudo vale a pena, se a alma não é pequena".

Carlos Raposo é escritor, pesquisador da História das Religiões, Filosofia Oculta e das Ciências Herméticas. Desde 1980 participou ativamente de várias Organizações de natureza mística, mágica e iniciática, sejam elas Herméticas, Maçônicas, Rosacrucianas, Thelêmicas, Teosóficas, Templárias ou Gnósticas. Após vários anos de estudo, prática e dedicação em diversas Ordens, por opção estritamente pessoal, tem se dedicado tanto ao estudo do Budismo Tibetano e do Taoísmo, quanto ao 'Ofício de Pedreiro', trabalho este exercido juntamente com outros Adeptos da Arte Real.

Nos anos 90 foi editor chefe da Revista Safira Estrela, a Revista da Filosofia Oculta, cujas edições estão esgotadas. Esta publicação, foi bastante apreciada pelo meio ocultista brasileiro, devido a seu caráter intenso, independente e ousado, abordando temas polêmicos, sempre objetivando a divulgação com qualidade do ocultismo e do esoterismo.

Atualmente, Carlos Raposo é responsável pelo Site Atemagicka e colaborador da Revista Sexto Sentido. Também atua como moderador das seguintes Listas de Discussão: Arte Magicka, uma das maiores Listas brasileiras de temática ocultista e da Lista Arte Real, cujo escopo abarca temas Maçônicos de modo geral.