sexta-feira, 11 de março de 2011

CUIDADO QUE O DIABO TAMBÉM VAI À MISSA!

Por Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com

Devo dizer antecipadamente que este artigo nada tem de pejorativo em relação às religiões e cultos. A abordagem do tema é de forma alegórica. Aliás, também devo dizer da importância das religiões na vida das pessoas. Se a humanidade trouxesse Deus no coração, as desgraças que as pessoas provocam seriam eliminadas. Isto é antes uma advertência para que cada representante religioso fique atento para cuidar da sua comunidade. E aqui vale lembrar da frase dita pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, porque é uma observação muito válida: "A mãe (ou o pai!) que leva o filho para a igreja, não vai buscá-lo na cadeia..."

Vivemos numa época em que se descobriu a ação do marketing, da propaganda apelativa e das abordagens diretas daqueles que querem introduzir um produto no mercado. E é por isso que digo: CUIDADO QUE O DIABO TAMBÉM VAI À MISSA. Aqui, ir à missa significa ir a qualquer culto religioso e freqüentar as escolas de evangelização.

Ora, o que se observa é que não se consegue colocar um produto onde já não há demanda. Nesse caso, tem-se que procurar outros segmentos sociais como alternativa de mercado.

Ora, no inferno é que não há mais nada para se fazer, no sentido de atrair novas almas. Para aumentar a população infernal, o diabo vai à busca dos “crentes” desinformados justamente onde eles se encontram: nas igrejas ou cultos de qualquer religião.

Não raro vemos jovens e adultos que não se conscientizaram, por exemplo, dos malefícios do cigarro (hoje também já se fuma o narguilé ou narguile, tido como “inofensivo”), porque o padre fuma, ou o representante de uma seita também fuma e ingere bebidas alcoólicas.

Quem discorda que essas coisas não servem de porta para as drogas psicoativas?

Quem é católico ou evangélico por certo conhece a frase que Jesus proferiu: “Vigiláte et oráte, ut non entrétis in tentationem”, ou seja, Vigiai e orai para que não entreis em tentação, cf. Marcos:15,1-46.

É preciso vigiar mesmo, porque os bandidos traficantes de drogas, são os que promovem a prostituição (a pedofilia é uma das modalidades ainda mais agressivas) dos jovens e até crianças porque estes ingressam nesse submundo infernal, aliciados por esses vermes sociais, para manter seus vícios em substâncias entorpecentes, quando também não assaltam e matam.

O pior de tudo é que temos políticos sem-vergonha, gentalha da pior espécie, fazendo apologia das drogas, e que de tão podres que são, torna-se impossível classifica-los com termos adequados. Por que isso interessa a esses políticos? É uma pergunta que fica para o leitor descobrir.

É preciso vigiar mesmo (só orar não resolve – “Ajuda-te que o céu te ajudará”), porque as igrejas de qualquer culto não estão livres dos demônios que para lá se aportam. Pois é lá nos seus redis que o diabo pode atacar facilmente as ovelhas, porque ninguém acredita que o “tinhoso” possa entrar nas casas de Deus. — Mas pode e entra se ninguém estiver cuidando. Esse é o trabalho dos pastores das ovelhas — cuidar.

Quem já não viu nos jornais e nas televisões, casos de padres, ministros evangélicos, pais de santo, etc. envolvidos com drogas e pedofilia? Na verdade esses são os diabos que profanam e agem nas casas de Deus, porque os “responsáveis maiores” às vezes dormem.

O diabo traveste-se de padre, de ministro evangélico, ou de qualquer outro ministro religioso ou chefe de seitas religiosas, para tirar proveito dos seguidores. E aqui eu peço ao leitor para exercitar sua imaginação e inteligência para bem entender este artigo impregnado de alegoria.

Torno a advertir que o que escrevo não tem o objetivo de atacar ou tampouco insinuar demérito a essas instituições religiosas, pelo contrário, como eu já disse, elas são importantes e contribuem para a formação espiritual, moral e ética das pessoas. Mas é preciso que estejam vigilantes e prontas para combater as ações diabólicas de elementos que as profanam.

Vou contar uma pequena história para ilustrar um pouco do que digo. Lembro-me muito de uma que me chamou a atenção e por isso ficou gravada na minha mente, embora eu ainda fosse muito jovem a li no livro de Giovani Bocaccio (1313-1375), intitulado “Decameron” (que continha, me parece, em torno de umas 100 histórias) (1349-52, revisado em 1370-71).O personagem tratava-se de um monge, mas poderia ter sido qualquer outro “religioso”.

Trabalho Jô Oliveira, quando ainda estudava desenho (reproduzido do livro Decameron)


A história é mais ou menos assim, como consigo me lembrar (as frases expressam a idéia do autor, porém não foram reproduzidas exatamente com estão do livro).

Eis que havia um homem muito rico que vivia em Capsa, na Barbéria, que tinha uma filha muito atraente e bonita. Chamava-se Alibech, que embora não fosse cristã tinha vontade de servir a Deus. Essa moça tendo ouvido que o caminho para esse desiderato era converter-se à fé cristã, e que quem melhor podia servir a Deus, era aquele que rejeitava as coisas mundanas, especialmente os que se retiravam para a solidão do deserto de Tebaida (região do antigo Egito).

A moça era adolescente que devia ter por volta de 14 anos. Embalada pelo seu sonho ainda muito próximo da infantilidade, resolveu sair escondida, sem contar a ninguém o que tinha em mente e se encaminho para o tal deserto.

Embora sentindo muito cansaço, mas movida por intensa curiosidade, penetrou deserto a dentro e logo em poucos dias deparou-se com um casebre que era habitada por um homem santo, que surpreendido com a presença daquela menina em sua porta e naquele deserto, perguntou-lhe o que estava fazendo ali. Então ela lhe respondeu que se sentia inspirada por Deus e queria servir-Lo. Mas procurava quem lhe pudesse ensinar a forma mais conveniente.

Mas aquele ermitão temendo que o diabo viesse tenta-la para acolhe-la como discípula, ofereceu-lhe ajuda dando-lhe frutas silvestres e tâmaras para comer, água para beber e raízes de ervas, e depois lhe disse para ir embora e procurar perto dali um homem santo que lhe serviria de mestre muito melhor que ele, para que ela conseguisse atingir os seus propósitos. Saído desse lugar foi procurar o tal homem santo que procedeu na mesma forma e mandou-lhe que procurasse um outro mestre.

A mocinha prosseguiu sua viagem até que encontrou numa cela, um jovem eremita, que diziam ser muito devoto e bom. Seu nome era Rústico, e disse para a ela a mesma coisa que lhe haviam dito os outros. Depois, ao que parece o tal do Rústico quis colocar a prova os seus votos e resolveu acolher a adolescente, desistindo assim, mandá-la procurar um outro mestre ou como queiram chamar — um outro conselheiro espiritual.

Ao chegar a noite, Rústico preparou um leito com ramos de palmeiras para que ela dormir. Todavia, a presença da jovem despertou o instinto sexual que dormitava no jovem eremita, que passou então a pensar nos atrativos femininos da menina, esquecendo-se da sua disciplina, das suas orações e da sua busca de santidade. Rústico passou a pensar em como poderia agir para que a menina não descobrisse suas más intenções e seus desejos impuros para com ela.

Com perspicácia o eremita conseguiu saber que a jovenzinha nunca havia tido um homem, o que lhe favorecia executar um plano que ensaiou, ou seja, dizendo que iria ensina-la como servir a Deus, mesmo tempo em que podia se submeter a ele o eremita.

Falou-lhe muito que o diabo era inimigo de Deus e que o serviço que melhor ela prestaria ao Criador seria o de colocar o diabo no inferno, ou seja, fazendo-o voltar para o lugar ao qual Deus o havia condenado a ficar e de onde ele tinha escapado.

Entusiasmada a jovenzinha perguntou a Rústico como poderia ela fazer isso. Então o eremita disse, que ela iria saber muito em breve, e que para isso bastaria que a mesma o imitasse no que ele fizesse. Daí o eremita tirou as roupas ficando completamente nu. A mocinha o imitou fazendo o mesmo.

Isso feito Rústico se ajoelhou à frente dela como se a estivesse adorando. E vendo-a tão bela, apresentou-se a ressurreição da carne que ela assistiu como que encantada. De repente Alibech olhando para o eremita se espantou com o que viu e lhe disse mais ou menos isso (não me lembro exatamente das palavras): O que é isso que vejo levantar de ti e que eu não tenho? Imediatamente o eremita respondeu dizendo-lhe: eis que esse é o diabo do qual eu lhe falei. Ele me traz muito sofrimento, como por exemplo, agora, que estou tendo muita dificuldade de suportar!

E aí mocinha ingênua disse: que Deus seja louvado, pois nesse caso percebo que estou melhor que você porque eu não tenho esse diabo grudado em mim!

E o eremita replicou: mas em compensação, por outro lado, você tem uma outra coisa que eu não tenho!

Alibech retrucou: como assim?

Ora disse Rústico: você tem o inferno e decerto Deus lhe mandou aqui para proporcionar saúde à minha alma. Por conseguinte esse diabo continuará me atormentando se você não se compadecer de mim pelo meu sofrimento, permitindo que eu coloque o diabo no seu inferno. Isso me trará consolo além do que você estará agradando a Deus. Você não pensou que a sua vinda para cá com essa missão? O que você acha?

Levando em conta o que o eremita lhe disse, a mocinha consentiu de boa fé, dizendo: Bendito seja Deus, pois já que possuo o inferno, vamos colocar o seu diabo nele quando você quiser!

Bendita também seja você, disse-lhe o eremita, então vamos tratar disso imediatamente para que esse diabo me deixe em paz! Assim a jovem foi conduzida à cama e ensinada como se colocar na posição adequada para aprisionar o “cramulhão” (como se costuma chamar o diabo, capeta, tinhoso, chifrudo, etc.).

Como a mocinha nunca havia aprisionado algum diabo no seu inferno, no princípio sentiu-se incomodada, mas Rústico lhe disse: filha, isso não será sempre assim. E para que a mocinha não abandonasse o leito, o eremita colocou-lhe o diabo várias vezes. E pelo fato de repetir o ato varias vezes fez com que a jovem se acostumasse, sentindo-se à vontade para receber o demônio com prazer, a ponto de dizer para Rústico: agora posso ver que os homens de Cpsa diziam a verdade, ou seja, que servir a Deus é uma coisa muito gratificante!

Bem a história vai um pouco além, mas já é o suficiente para que o leitor possa refletir sobre o assunto.

Vejam também este trecho publicado na Tribuna de Betim, como o “diabo” não escolhe as igrejas religiosas de qualquer culto: “A cada dia se agrava a situação de vulnerabilidade das Igrejas evangélicas. As situações inexplicáveis e sem sentido - para muitos evangélicos - ainda estão crescendo mesmo assim!!


A moda agora é o estupro, pedofilia e violência sexual com crianças evangélicas. As presas destes satanistas, são escolhidas a dedo em público cristão; de preferência em pleno culto religioso.”

Ninguém, nem as instituições religiosas, políticas, etc., estão livres dos “diabos” que as infestam. ENTÃO PRECISAMOS VIGIAR ALÉM DE ORAR.

quarta-feira, 9 de março de 2011

CIGARRO, BEBIDAS ALCOÓLICAS E DROGAS. APOLOGIA QUE MERECE COMBATE – Por Luiz Carlos Nogueira

Recebi este e.mail de um amigo e não podia deixar sem resposta, devido ao seu conteúdo.



VEJAM PRIMEIRO O TEOR DO E.MAIL SOB O TÍTULO:



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NOME DELETADO DO REMETENTE

para bcc: mim

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E...........................

para


cco

lcarlosnogueira@gmail.com

data

8 de março de 2011 23:52

assunto

Fui parabenizado por um comentário (oh!)

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assinado por

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Em 8 de março de 2011 23:52, E........................... escreveu:

Num site de cometários era a crucificação do fumantes o tema mais quente.

Muitos comentários abestados surgiam à rodos e fui o primeiro a defender os fumantes de uma forma educada, sugestiva e rebatendo a ira, a revolta dos internautas contra os fumantes.


De repente, começou aparecer uma linha defensora de pessoas argumentando defesa desses que sofrem preconceitos dos hipócritas.


Eis um dos comentários postado por uma senhora que sempre está no campo virtual dos debates...



Fumar… saudade do tempo em que se podia contar com o livre arbítrio! Que fumar é prazeroso (como todas as drogas, diga-se de passagem – se assim não fosse, não existiriam usuários) só um outro fumante vai reconhecer. Os que deixaram, acabaram invejosos e hipócritas, gerando comentários mesquinhos como muitos que li aqui. Mas, pergunto aos alvoroçados de plantão: se eu fumar,agora, um pacote de 20 maços de cigarro, sozinha, e depois sair de carro por aí, eu só prejudiquei a mim mesma, correto? E os paladinos da saúde, que não passam sem a sua cervejinha, se beberem e dirigirem, o que provavelmente aconteceria? Eu hoje sofro preconceito dobrado: por fumar e por não beber. E vejam bem, eu nunca vi um fumante fazendo pressão para que um ex-fumante volte a fumar ou para convencer alguém a começar. Agora, o que eu vejo e vivencio de bebedores forçando a barra é impressionante. Fica a sugestão: usem dessa convicção antitabagista contra os bebedores contumazes que a vida vai melhorar. Porque os tabagistas já têm leis, informação, preconceito, tudo o que precisam pra usar do SEU livre-arbítrio,e se continuam, é opção deles; então respeita e deixa o vivente ser feliz. E o bebedor? Criança compra bebida em qualquer lugar, tem propaganda na TV toda hora; isso é exemplo? Eu quero direitos iguais:não pode fumar? Fumar faz mal à saúde, deixa fedorento, amarela o dedo? Então não pode beber também!!! Beber também fede, faz mal a saúde e deixa os amigos chatos e perigosos! Que me atire a primeira pedra, Iaiá, aquele que criticou os fumantes e que concorda em abrir mão do “prazer” da sua geladinha!
Em tempo, parabéns ao comentário do E??????????????.

MINHA RESPOSTA AO E.MAIL RECEBIDO:

Fulano,


cada pessoa prefere aquilo que acha ou julga que lhe convém. Cada intelecto processa uma compreensão da vida de forma não unânime. Uns preferem percorrer os caminhos do hedonismo, outros preferem trilhar pelos caminhos da espiritualidade. Assim é a vida. Cada personalidade alma se encontra onde quer estar. São escolhas que fazemos. Cada pessoa adota uma conduta que julga fazê-la feliz. Quem está contente com o que é, qual é a vantagem de guerrear? Todavia, dizem os místicos que há escadas na vida, através das quais podemos subir ou descer. Quem não decidir se deve subir ou se descer, fica no meio do caminho e não vai a lugar nenhum. É assim que eu entendo as coisas, por exemplo usando uma comparação mais grosseira, todos nós sabemos que não é possível fazermos uma mistura homogênea de óleo e água, que fique tão perfeita a ponto de não distinguirmos uma substância da outra, como também não se pode juntar pólos positivos com pólos negativos dos imãs, pois — ambos se repelem. Como estudantes Rosacruzes, penso não ser proveitoso ficarmos diante de um dilema com o do “Ser ou não ser”. Eis a questão como proposta por William Shakespeare (R+C).

Não sou católico ou evangélico, mas para ilustrar, há uma expressão que se tornou popular e que está no Evangelho de Mateus, Capítulo 6, versículo 24, disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a mamon.”

Portanto, por todas essas coisas, confesso-lhe com toda a honestidade que eu acho muito difícil ser um estudante Rosacruz. Quando me afiliei na Ordem, fui com um propósito: vencer minhas paixões, submeter a minha vontade (entenda, submeter a mim mesmo e não a quem quer que seja), para conseguir progressos na senda espiritual que ela me oferece. Mas no dia-a-dia vivo sempre esbarrando nas dificuldades a serem superadas dentro da minha condição humana. E uma das coisas que sempre persegui foi livrar-me das trevas da ignorância (buscando conhecimentos), porque conforme dizem os espiritualistas: “A ignorância é a nutriz do erro e a mãe de todos os vícios”. Por conta disso a humanidade se corrompe, guerreia e se destrói. Desculpa-me estar colocando tudo isso, mas estou tentando dar coerência ao que penso, mas como não sou dono da verdade a reflexão é livre.

No entanto, só para concluir, devo-lhe dizer que assisti com angústia, meu pai e um amigo (bem mais novo do que eu) morrerem de câncer na laringe (com muito sofrimento), porque foram fumantes. Assim não faço festa para nenhuma apologia do tabaco e das drogas (inclusive o alcool) porque só desgraçam a vida dos seres humanos.

Fraternalmente – Luiz Carlos Nogueira

domingo, 6 de março de 2011

Wagner e o Santo Graal






Richard Wagner (retrato por

Caesar Willich ca. 1862.)

O ROSACRUZ | INVERNO 2010 - Edição nº 273


por EDNA MAY CROWLEY, SRC


Após quarenta anos de trabalho prodigioso e às vezes sofrendo tempestuosa oposição, Richard Wagner foi reconhecido pelo mundo musical como o maior criador dentro da história da arte musical. Mas é o mundo místico que enxerga em Parsifal, sua última ópera, a revelação do Cálice Sagrado.


Para compreender Parsifal, precisamos primeiro abordar as óperas dos anéis. Em maioria, os historiadores acentuam que Wagner extraiu os enredos das óperas dos anéis do épico germânico Nibelungenlied (“O Anel dos Nibelungos”). Mas a penetrante visão de Corrine Heline, em seu livro Música Esotérica de Richard Wagner, revela que as óperas dos anéis representam Água, Ar, Terra e Fogo. Das Rheingold (O Ouro do Reno) representa a Senda da Água; Die Walküre (A Valquíria) a Senda do Ar; Siegfried, a Senda da Terra; e Die Gotftterdammerung (O Crepúsculo dos Deuses), a Senda do Fogo. Por isso, tem-se a certeza de que Wagner teve acesso a ensinamentos místicos.


Iniciação à Luz


As óperas dos anéis supostamente “formam um imenso caleidoscópio do esenvolvimento assado, presente e futuro da espécie humana. Gotftterdammerung representa as trevas da materialidade e revela a senda da iniciação do amor, que levará a humanidade de volta à Luz do Espírito”.


Se encararmos as óperas de Wagner como graus de desenvolvimento espiritual, sua ordem seria esta:


Tannháuser, Lohengrin, Tristão e Isolda e Parsifal. À medida que as óperas eram criadas, cada qual trazia consigo maior promessa da possibilidade do épico final – a majestosa, a incomparável Parsifal, sobre a qual se afirmou: “Pela música excelsa de Parsifal, o homem pode construir uma ponte de ouro sonora por meio da qual pode comungar com as hostes angélicas e arcangélicas.”1


O mundo musical registra que Lohengrin e Parsifal foram baseadas nas lendas medievais do Santo Graal. Afirma-se que Wagner obteve o texto para essas óperas na obra do poeta épico e minnesinger (poeta-cantor) alemão Wolfram von Eschenbach (1170-1220).


O primeiro autor que se sabe ter dado tratamento literário à lenda do Rei Artur foi Chrestien de Troyes, da França (fins do século XII). Mas a primeira referência conhecida, data do ano 600 d.C.


Essas lendas originaram-se das estórias tradicionais de heróis irlandeses e galeses. Antes do ano 1000 surgiram entre os bretões, que as difundiram no Oeste da Europa, parcialmente através dos minnesingers. Os minnesingers da Alemanha, correspondentes aos Troubadors (trovadores) do Sul da França, floresceram nos séculos doze e treze. Os maiores foram Walther von der Vogelweide e Wolfram von Eschenbach. Mais tarde, os meistersingers sucederam os minnesingers.


O Rei Artur


Afirma-se que o Rei Artur pode ser colocado aproximadamente entre 495 e 537 d.C. O mundo místico, porém, tem motivos para crer que o conhecimento do Cálice Sagrado (o Graal) data de séculos antes do Rei Artur e séculos antes de Cristo.


Por ordem do Imperador Napoleão III, a ópera de Wagner Tannhauser foi encenada no teatro de ópera de Paris em março de 1861.


Foi vaiada e forçada a sair do palco pelos membros do Jockey Club, que condenaram a produção de uma ópera que não continha o costumeiro balé no meio do segundo ato.


Wagner recusou-se a inserir um balé, para não quebrar a continuidade da ópera.


Nessa época Wagner estava em penosas dificuldades financeiras, dependendo da caridade de alguns amigos, principalmente de Liszt. A partir de 1850, sua lista de obras literárias aumentou rápida e intensamente, incluindo todos os poemas de todas as suas óperas posteriores, com exceção de Parsifal.


Em 1864, Luís II da Bavária ofereceu-lhe o cargo de Diretor Real em Munique, dando-lhe ainda amplo apoio para seus projetos teatrais. O teatro de ópera de Bayreuth, construído somente para a produção das óperas de Wagner, foi completado em 1876, e a tetralogia dos anéis, que Wagner chamou de Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos) foi apresentada nesse ano.

Parsifal

“A Tentação de Sir Parsifal”, por Arthur Hacker.


Parsifal, a última ópera de Wagner, foi encenada em 26 de julho de 1882. Causou forte impressão, e dessa época em diante os festivais de Bayreuth, realizados em intervalos irregulares, tornaram-se local de inúmeras peregrinações musicais.


Após o falecimento de Wagner, em 1883, sua segunda mulher, Cosima, que era a filha de Franz Liszt, levou adiante o empreendimento de Bayreuth. No teatro de ópera de Bayreuth, a orquestra ficava oculta da platéia por um enorme peitoril que se inclinava na direção do palco. E o que era mais surpreendente: ninguém podia aplaudir. Wagner desejava que a platéia passasse pelas mesmas experiências sublimes que estavam sendo encenadas.


Não obstante, seus nobres temas eram uma afronta para uma sociedade materialista e sensual. Embora eles ficassem furiosos e ofendidos, proibissem de serem apresentadas suas obras e se revoltassem quando encenadas… Wagner não capitulava!


Ele sobreviveu aos anos difíceis e enfrentou o doloroso fato de que seu grande talento não era reconhecido. Chamavam-no de teimoso, mal-humorado, egoísta, abusivo em suas exigências, um monstro e um idiota. Mas Wagner não desistia! Ele estava certo, e sabia disso! E, por fim, triunfou.


As honras que lhe foram concedidas superaram em muito as desfrutadas por qualquer outro compositor. O tempo provou que suas obras não só revolucionaram a trajetória da ópera, mas reverberaram em todo o campo da arte musical. Assim, sua obra de arte do futuro, que fora tão duramente atacada, acabou tornando-se vitoriosa. Ao criador dessa obra é bem apropriado aplicarmos as palavras de Shakespeare: “Ele de fato vence o pequeno mundo como um gigante”.


O desabrochar da espiritualidade


Analisemos o drama das duas óperas mais reveladoras, Lohengrin e Parsifal.


A Princesa Eisa, heroína de Lohengrin, exemplifica a personalidade-alma evoluída o bastante para desposar o Ser Divino (a Grande Luz) exemplificado por Lohengrin, o cavaleiro do Santo Graal.


O fato de Eisa sonhar com um cavaleiro em reluzente armadura indica que ela está pronta para ascender a um grau maior de evolução. Lohengrin surge num bote puxado por um cisne. Feitos os planos de casamento, Lohengrin pede que Eisa tenha fé – que não lhe pergunte o nome nem de onde ele vem. Eisa concorda. Tudo parece bem e os preparativos para o casamento são feitos. Mas a dúvida vence a fé. Eisa faz as fatais perguntas, e perde assim seu lugar na Grande Luz.


Enquanto ainda soam os acordes da marcha nupcial, Lohengrin tristemente anuncia aos presentes que o casamento não mais ocorrerá. Canta então uma das declarações mais dramáticas de todas as óperas – a narrativa de Lohengrin Em Terras Distantes. Fala sobre Monsalvat e sobre os cavaleiros que aí guardam o Santo Graal. Revela que seu pai é Parsifal, que reina sobre tudo, e que ele é Lohengrin. Lohengrin então parte num bote agora puxado por uma pomba branca.


Afirma-se que a ópera Parsifal está mais próxima da “Música das Esferas” que qualquer outra obra composta por mãos mortais.


Wagner sentia que essa obra estava além de sua época e pediu que ela fosse apresentada em Bayreuth só cinquenta anos depois de sua morte. Ele a chamava de Peça de Festival Sacro. Apesar da resoluta oposição da Sra. Wagner, a ópera Parsifal foi apresentada no Metropolitan Opera House de Nova lorque em 1903. Os direitos autorais expiraram em 1913, e seguiram-se produções em Berlim, Paris, Roma, Bolonha, Madri e Barcelona.


A estória de Parsifal leva à verdadeira realidade do “centro divino”. Só Wagner deu a essa revelação mística tratamento dramático tão reverente e significação tão sublime. Os seguintes eventos, que ocorreram antes da abertura dessa ópera, ajudam a esclarecê-la melhor.


O Graal


O Graal é o cálice em que bebeu Cristo na Última Ceia com seus discípulos. Esse cálice sagrado, junto com a lança sagrada, corria o risco de cair em mãos infiéis.


Mensageiros devotos confiaram o cálice e a lança a um cavaleiro de imaculada moral chamado Titurel, que construiu um esplêndido santuário chamado Monsalvat (O Monte da Salvação) numa inacessível rocha dos Pireneus, e reuniu uma companhia de cavaleiros de irrepreensível honradez. Esses cavaleiros devotaram-se a preservar o Graal. Uma vez por ano uma pomba descia do Céu para renovar o poder sagrado do Graal e de seus guardiões.


Titurel, chefe dos cavaleiros, percebendo a chegada da velhice, nomeia seu filho, Amfortas, seu sucessor. O cavaleiro Klingsor, que vive perto do castelo de Monsalvat, deseja reparar seus erros à medida que a velhice se aproxima. Tenta juntar-se à Ordem do Graal, mas é rejeitado. Como vingança, consulta um espírito maligno, Kundry, e planeja arruinar os cavaleiros. Invoca o auxílio de um grupo de sirenas, chamadas meninas-flores, metade mulher e metade flor, que viviam num jardim mágico.


Descobrindo que muitos dos cavaleiros tinham perdido a dignidade por causa do fascínio das moças-flores, Amfortas decide fazer uma investigação. Leva consigo a lança sagrada, confiando em que esta o protegeria da magia das sirenas. Mas ai… ! – não só ele é subjugado pelo feitiço de Kundry, como Klingsor toma-lhe a lança e nele produz um ferimento incurável.


Com profunda infelicidade, Amfortas retorna ao Castelo de Monsalvat, sofrendo eterno remorso e perpétua agonia pelo ferimento. Entretanto, como sacerdote-mor, é forçado a celebrar os Ritos Sagrados, sentindo-se o tempo todo indigno.


Em vão busca desesperadamente um remédio para a ferida e perdão por seu pecado. Por fim, numa visão, uma voz lhe proclama que só um “tolo ingênuo” (alguém


Uma das inúmeras concepções

imaginárias do Santo Graal.


que ignore o pecado e resista à tentação) poderá lhe trazer alívio, e que mensageiros celestiais guiarão essa pessoa a Monsalvat. Inicia-se então a ação da ópera Parsifal.


Parsifal chega


Ferindo um cisne, sem saber que este estava sob a proteção do rei, Parsifal é arrastado por dois cavaleiros ante Gurnemanz (um veterano cavaleiro do Graal), que o repreende.


Essa ação ocorre perto do Castelo de Monsalvat.


Os cavaleiros percebem que Parsifal pouco sabe sobre si mesmo.


Conhecera um cavaleiro chamado Sir Lancelot, na floresta perto de casa. Contrariando os desejos da mãe, seguira-o até ali.


Lembrava-se de que a mãe chamava-se Herzelied (“Tristeza do Coração”).


Kundry, que entra em cena com um novo medicamento para a ferida de Amfortas, dá mais informações. O pai do jovem era Gamuret. Após a morte do pai em batalha, a mãe afastou o filho do convívio dos homens, para que não tivesse a mesma sina do pai. A mãe já faleceu, e Parsifal era um andarilho.


Kundry (Kundralina) é o estranho ser que parece ter duas naturezas. Ela aparece alternadamente como serva devota do Graal e, sob a influência mágica de Klingsor, como uma mulher de terrível beleza que, por fascínio, leva à ruína todos os cavaleiros que caem sob seu poder. Essa maldição é uma punição por um crime que cometera numa existência prévia, quando, como Herodíade zombara de Cristo na cruz. Quem a encontre adormecida pode chamá-la a seu serviço; sob o feitiço de Klingsor, ela é bela; no castelo dos cavaleiros, ela é como um feio animal.


Alguns dos cavaleiros protestam contra sua presença, mas Gurnemanz a defende.


Ocorre a Gurnemanz que Parsifal pode ser o tolo ingênuo enviado para curar a ferida de Amfortas. Enquanto conduz Parsifal ao grande aposento em que o Graal será desvelado no rito anual, Parsifal é tocado pela beleza e deslumbramento do lugar, e diz: “Eu quase não ando, mas estranhamente pareço correr”.


Gurnemanz responde: “Meu filho, percebes que aqui tempo e espaço são unos, e tudo é Deus”.


Parsifal presencia a retirada do véu do Cálice. O esplendor flamejante do Graal enche o aposento e, enquanto os cavaleiros e damas ajoelham-se em êxtase, Parsifal contempla o Cálice como se não fosse tocado pela cena. Mais tarde, interrogado por Gurnemanz, está tão deslumbrado, que não consegue falar. Enraivecido, Gurnemanz empurra-o para fora do aposento, e bate a porta, fechando-a.


No mundo de fora, Parsifal resiste às meninas-flores e rejeita Kundry, então com sedutora beleza. Enraivecido, Klingsor atira em Parsifal a lança sagrada, que, em vez de feri-lo como fizera com Amfortas, flutua sobre sua cabeça, e Parsifal dela se apodera. Parsifal expulsa a magia maligna de Klingsor para sempre. O poder de Klingsor é anulado, e seu palácio entra em total ruína.


Parsifal vagueia pelo mundo exterior


Embora Kundry use de magia para condenar Parsifal a uma vida de perambulação, ele sai pelo mundo não tanto pelo poder da magia, mas porque ainda tem muito a aprender.


Anos depois, numa bela manhã de primavera, Sexta-feira da Paixão, aliás, Parsifal regressa. Durante sua ausência, Amfortas recusava-se a descobrir o Graal, de que os cavaleiros recebiam sustento e vigor, pois sempre que o fazia a ferida e a agonia voltavam.


Sobre a ferida de Amfortas, Corrine Heline afirma: “A incurável ferida de Amfortas é o sofrimento do ser humano, provocado por ele ter caído na vida sensorial– que trouxe consigo necessidades, doença, discórdia, morte e todos os grandes sofrimentos que pesam sobre os habitantes da terra. Essa ferida só pode ser curada pela redenção através de purificação da natureza sensorial inferior e pela transmutação de suas forças nas faculdades da alma”.


Amfortas, em crucial agonia, delirante, anseia pela morte. Mas é obrigado a viver para cuidar do Graal. Pela morte do pai, ele é quem deve desvelar o Graal. Como a agonia é maior que suas forças, roga aos cavaleiros que o matem.


A essa altura Gurnemanz revela a Parsifal o triste estado dos cavaleiros no castelo. Kundry se encontra no papel de serva do Castelo do Graal. Ela lava os pés de Parsifal na fonte sagrada, e os enxuga com os cabelos (reminiscência de Madalena). Parsifal a batiza.


O Graal é desvelado. Kundry morre ajoelhando-se ante o altar, simbolizando isso a completa e derradeira dedicação da personalidade ao serviço da alma.


Parsifal, entrando no grande aposento com Gurnemanz e Kundry, não é percebido. Amfortas está prestes a desvelar o Cálice; Parsifal toca-lhe a ferida com a lança sagrada curando-o. Uma pomba branca desce e paira sobre a cabeça de Parsifal.


O Herói


Parsifal acena suavemente com o Graal ante os cavaleiros, que estão com os olhos voltados para cima. Gurnemanz e Amfortas, rei e sacerdote depostos, ajoelham-se ante Parsifal, Rei Sacerdote da Ordem de Melquisedeque, Senhor das Eras. Parsifal é coroado rei e permanece no castelo como líder dos cavaleiros.


Temos, assim: (1) A Vinda de Parsifal; (2) A Tentação de Parsifal; (3) A Coroação de Parsifal. Essa sequência encontra paralelo nas três etapas dos antigos mistérios. Foi Pitágoras, o grande filósofo místico do século VI a.C., que apresentou a música e os números como potências de forças divinas.


Os estudantes da escola-templo de Pitágoras passavam por três Graus sucessivos (Preparação, Purificação, Perfeição), para conseguirem a derradeira descoberta do centro divino no homem: eles mesmos.


Do ponto de vista místico, portanto, a ópera de Wagner Parsifal projeta na era moderna a essência da sabedoria de Pitágoras.


Pela luz dessa sabedoria, discernimos o plano de Wagner, de desvelar o Graal, para trazê-lo à visão humana. A Opera Parsifal ainda é encenada anualmente na Sexta-feira da Paixão, no Metropolitan Opera House, de Nova Iorque.


Nota: 1. Heline, Corinne, Esoteric Music of Richard

Wagner, Los Angeles, New Age Pres, 1948.


Visite o site da Ordem rosacruz-AMORC, acessando este link:http://www.amorc.org.br

sábado, 5 de março de 2011

Esquecer-se de que a Bíblia é um livro humano, com características humanas.




de Norman Geisler & Thomas Howe




Exceto pequenas seções, tal como os Dez Mandamentos, que foram escritos "pelo dedo de Deus" (Êx 31:18), a Bíblia não foi verbalmente ditada. Seus escritores não foram secretários do Espírito Santo. Eles foram autores humanos, que empregaram estilos literários próprios, com suas próprias idiossincrasias, ou seja, com o seu jeito de ver as coisas. Esses autores humanos às vezes tomaram informações de fontes humanas para o que escreveram (Js 10:13; At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). De fato, cada livro da Bíblia é uma composição feita por um escritor humano; foram cerca de quarenta autores.


A Bíblia evidencia também estilos literários humanos diferentes; da métrica melancólica de Lamentações até a exaltada poesia de Isaías; da gramática elementar de João ao complexo grego do livro de Hebreus. As Escrituras manifestam ainda perspectivas humanas. No Salmo 23, Davi falou do ponto de vista de um pastor. Os livros de Reis foram escritos tendo uma abordagem profética, e Crônicas, a partir de um ponto de vista sacerdotal. Atos manifesta um enfoque histórico, e 2 Timóteo, o coração de um pastor.


Os escritores bíblicos escreveram sob a perspectiva de um observador quando se referiram ao nascer do sol (Js 1:15) ou ao pôr-do-sol. Eles também revelam padrões humanos de pensamento, inclusive lapsos de memória (1 Co 1:14-16), bem como emoções humanas (Gl 4:14). A Bíblia revela interesses humanos específicos. Por exemplo, Oséias possuía um interesse rural, Lucas, uma preocupação médica, e Tiago, um amor pela natureza.

Entre os autores da Bíblia há um legislador (Moisés), um general (Josué), profetas (Samuel, Isaías e outros), reis (Davi e Salomão), um músico (Anafe), um boieiro (Amós), um príncipe e homem de estado (Daniel), um sacerdote (Esdras), um coletor de impostos (Mateus), um médico (Lucas), um erudito (Paulo) e pescadores (Pedro e João). Com tal variedade de ocupações entre os que escreveram a Bíblia, é simplesmente natural que seus interesses e diferenças pessoais possam estar refletidos em seus escritos.


Como Cristo, a Bíblia é completamente humana, mas mesmo assim sem erros. Esquecer-se da humanidade das Escrituras pode levar-nos a impugnar falsamente sua integridade por esperarmos um nível de expressão maior do que é o usual num documento humano. Isso vai ficar mais claro quando abordarmos os próximos erros em que incidem os críticos.


Copyright © 1999 Editora Mundo Cristão. Todos os direitos reservados. Reproduzido com a devida autorização. O livro de Norman Geisler & Thomas Howe do qual este texto foi extraído, "Manual Popular de Duvidas, Enigmas e Contradições", pode ser encomendado da Editora Mundo Cristão selecionando a capa do livro ao lado:




Fonte: Hermenêutica – Interpretando as Escrituras à luz de Jesus – clique aqui para conferir