quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O QUE É TEOSOFIA? O QUE É A SOCIEDADE TEOSÓFICA?



O que é Teosofia?


Teosofia - Uma Sabedoria Viva
Para que se possa compreender satisfatoriamente a S.T. e o seu trabalho é necessário entender o significado da palavra Teosofia. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a S.T. não é uma religião, e a Teosofia não é um credo. Este fato já está evidenciado no primeiro objetivo da S.T..
A origem da palavra Theosophia é grega e significa primária e literalmente Sabedoria Divina. Foi cunhada em Alexandria, no Egito, no século III d.C. por Amônio Saccas e seu discípulo Plotino que eram filósofos neo-platônicos. Fundaram a Escola Teosófica Eclética e também eram chamados de Philaletheus (Amantes da Verdade) e Analogistas, porque não buscavam a Sabedoria apenas nos livros, mas através de analogias e correspondências da alma humana com o mundo externo e os fenômenos da Natureza. Assim, em conformidade com seu terceiro objetivo, a S.T., enquanto sucessora moderna daquela Escola antiga, almeja tal busca da Sabedoria não pela mera crença, mas pela investigação direta da Verdade manifesta na Natureza e no homem. Dizia Blavatsky: o verdadeiro Ocultismo ou Teosofia é a Grande Renúncia ao eu, incondicional e absolutamente, tanto em pensamento como em ação – é Altruísmo. Teosofia é sinônimo de Verdade Eterna, Divina, Absoluta,Paramarthika Satya ou Brahma-Vidya, que são seus equivalentes muito mais antigos na filosofia oriental. Teosofia, portanto, é uma Sabedoria Viva, o ideal que o verdadeiro teósofo busca alcançar e manifestar em sua vida diária como serviço à Humanidade.
A adjetivação teosófica na denominação da S.T. significa, desta forma, uma sociedade cujos objetivos refletem esta Sabedoria, ou que nesta têm sua inspiração. Isto não que dizer que todos os membros da S.T. possuam esta Sabedoria ao tentar realizar tais objetivos. Quer dizer, apenas, que uma sociedade teosófica é uma sociedade cujos objetivos podem trazer benefícios imensos ao mundo, desde que compreendidos e realizados apropriadamente.


O que é a Sociedade Teosófica
 



    

A Sociedade Teosófica (S.T.) foi fundada em Nova Iorque, E.U.A., em 17 de novembro de 1875, por um pequeno grupo de pessoas, dentre as quais se destacavam uma russa e um norte americano: a Sra. Helena Petrovna Blavatsky e o cel. Henry Steel Olcott, seu primeiro presidente.
Em 1878 o cel. Olcott e a Sra. Blavatsky partiram para a Índia. Em 3 de abril de 1905, foi estabelecida legalmente a sede internacional da S.T. no bairro de Adyar, na cidade de Chennai (antiga Madras), estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, onde permanece até hoje.
    Organização e atividades
        
    Com mais de um século de existência, a S.T. espalhou-se por cerca de sessenta países em todos os continentes. Internacionalmente, a S.T. está organizada basicamente em Seções Nacionais, e estas, por sua vez, compõem-se de Lojas e Grupos de Estudos.
    A maioria das Lojas e Grupos de Estudos da S.T. realiza reuniões públicas com palestras, cursos, debates e outros eventos deste tipo, bem como atividades de confraternização entre os seus membros e simpatizantes, sempre em conformidade com seus três objetivos. Além disto, em geral, contam com bibliotecas para facilitar estudos e pesquisas.
    Não há religião superior à Verdade
        
    Este é o lema da Sociedade Teosófica (S.T.), o qual foi traduzido do sânscrito –Satyan nasti para Dharmah. A palavra Dharma foi traduzida como religião, mas também significa, entre outras coisas, doutrina, lei, dever, direito, justiça, virtude. Portanto, em sentido amplo, o lema da S.T. afirma que não há dever ou doutrina superior à Verdade.
    A Fraternidade Humana: primeiro objetivo
        
    Desde os primeiros dias de sua fundação, ainda no século passado, a S.T. estruturou-se sobre o amplo princípio humanitário da Fraternidade Universal; "uma instituição que se fizesse conhecida em todo o mundo e cativasse a atenção das mentes mais elevadas".
    Encontra-se nos escritos daqueles primeiros tempos a afirmação de que é a Humanidade que é a grande órfã, a única deserdada sobre esta Terra – e é dever de todo homem capaz de um impulso altruísta fazer algo, por menor que seja, pelo seu bem-estar. Por esta razão, o seu primeiro objetivo está formulado da seguinte maneira:
    Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.
    A busca da Verdade: segundo e terceiro objetivos
        
    Os demais objetivos da S.T. apontam na direção de uma livre e corajosa investigação da Verdade e estão formulados como segue:
    Encorajar o estudo de Religião Comparada, Filosofia e Ciência;
    Investigar as leis não explicadas da Natureza e os poderes latentes no homem.
    Liberdade de pensamento
        
    Uma vez que a investigação da Verdade somente pode ser de fato empreendida numa atmosfera de liberdade, a S.T. assegura aos seus membros o direito à plena liberdade de pensamento e expressão, dentro dos limites da cortesia e de consideração para com os demais.
    Como a Sociedade Teosófica espalhou-se amplamente pelo mundo civilizado, e como membros de todas as religiões tornaram-se filiados dela sem renunciar aos dogmas, ensinamentos e crenças especiais de suas respectivas fés, é considerado desejável enfatizar o fato de que não há nenhuma doutrina, nenhuma opinião, ensinada ou sustentada por quem quer que seja, que esteja de algum modo constrangendo qualquer de seus membros, nenhuma que qualquer deles não seja livre para aceitar ou rejeitar. A aprovação dos seus três objetivos é a única condição para a filiação.
    Independência da Sociedade Teosófica
        
    Uma vez que a Fraternidade Universal e a Sabedoria são indefiníveis e ilimitadas e, desde que há completa liberdade de pensamento e ação para cada membro da Sociedade, esta busca sempre manter seu próprio distintivo e único caráter, permanecendo livre de filiação ou identificação com qualquer outra organização.




Conheça a Sociedade Teosófica no Brasil, acessando o seu site ofical através deste link:


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

ENSINAMENTOS DE PLOTINO SOBRE O UNO (DEUS)
















Luiz Carlos Nogueira
















Plotino (em grego: Πλωτῖνος; Licopólis, 205 - Egito, 270) foi um filósofo neoplatônico, autor de Enéadas, discípulo de Amônio Sacas por onze anos e mestre de Porfírio.


Porfírio (Tiro, ca. 232  Roma, ca. 304), foi um filósofo neoplatônico e um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados do mestre na obra Tratado das Enéadas[1], em seis capítulos, compostos de 9 tratados, razão pela qual se chamou “Enéadas”, porquanto nove, em grego, é ennéa.


Assim, da 9ª Enéada na ordem cronológica, correspondendo à Enéada VI 9 na ordem estabelecida por Plotino, extraímos:


“O Uno não é a Inteligência, mas está antes da Inteligência. Pois a Inteligência é algo que faz parte dos seres, mas o Uno não é algo, uma vez que está antes do algo. E o Uno também não é o Ser, pois o Ser tem, de certo modo, uma forma, que é a do Ser; mas o Uno é privado de forma, mesmo de forma inteligível. Uma vez que a natureza do Uno gera todas as coisas, ele não é nenhuma delas. Assim, não se pode dizer nem que ele é alguma coisa, nem é qualificado ou quantificado, nem que é  a Inteligência ou a Alma. Ele não é movido, mas tampouco está em repouso; não está num lugar, nem no tempo. Ele está em si mesmo, tendo a forma da unicidade. Ou melhor: é sem forma (amorphon), anterior a toda forma, anterior ao movimento e anterior ao repouso, pois tais coisas se encontram no Ser, e são elas que fazem com que ele seja múltiplo.”

“Só podemos chamá-lo de Uno com a finalidade de indicar sua natureza indivisível e, também, a fim de unificar a nossa Alma. Quando o chamamos de Uno, não queremos dizer isso no sentido de um ponto geométrico ou de unicidade aritmética. A verdadeira Unidade é a fonte de todas as quantidades, que não poderiam ter vindo à existência se o Ser e o que está além do Ser não as tivesse antecedido. De modo que não é para isso que devemos dirigir nosso pensamento, pois o ponto e a unicidade (em sua simplicidade e em sua ausência de magnitude e divisão) são apenas uma analogia das realidades superiores.”

“[...] tais definições não passam de nossas próprias percepções e estados que tentamos exprimir, nós que circulamos exteriormente ao seu redor, às vezes nos aproximando, às vezes nos afastando d’ele devido ao enigma no qual está envolvido.”

“A maior causa dessa dificuldade decorre do fato de a compreensão do Uno não poder se dar nem pelo raciocínio (logismoi), nem pela percepção intelectual —, mas por uma presença que é superior a qualquer raciocínio.[...]”


Da 11ª Enéada na ordem cronológica, correspondendo à Enéada V 2 na ordem estabelecida por Plotino, extraímos:

O Uno é todas as coisas e não é nenhuma delas. Ele é o princípio (Archê) de todas as coisas; e, se não é nenhuma delas, no entanto é todas as coisas de um modo transcendente, pois, de certo modo, elas estão no Uno. Ou melhor, nem todas as coisas estão nele, mas estarão. Então, como todas as coisas provém do Uno, que é simples e não tem em si multiplicidade alguma e nem mesmo dualidade alguma?  É pelo fato de nada haver nele que todas as coisas provém dele. Para quer o Ser possa existir, o Uno não é Ser, mas sim o gerador do Ser. Podemos dizer que este é o primeiro ato da geração: nada possuindo e nada buscando em sua perfeição, o Uno transbordou e sua superabundância produziu algo diverso dele mesmo. [...]”


Conheça a Ordem Rosacruz – Amorc, acessando o seu site oficial através do link: http://www.amorc.org.br/ .

Missão Rosacruz
"A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, que tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz."




[1] Tratado das Enéadas/Plotino, tradução, apresentação, introdução e notas de Américo Sommerman. — São Paulo: Polar Editorial, 2000

domingo, 23 de setembro de 2012

O POR QUE DA IMPOSIÇÃO DO CELIBATO AOS PADRES CATÓLICOS

















Luiz Carlos Nogueira

















Segundo Éliphas Lévi[1] em sua obra ocultista Dogma e Ritual de Alta Magia:  “A Igreja ignora a Magia[2]. porque ela ou tem que ignorar isto ou tem que perecer...; contudo ela não reconhece ao menos que o seu  misterioso Fundador foi saudado no berço dele por Três Magos, ou seja, pelos embaixadores hieráticos das três partes do mundo conhecido e os três mundos analógicos da filosofia oculta. Na Escola de Alexandria, a Magia e Cristianismo uniam as mãos debaixo dos patrocínios de Amônio Saccas e de Platão; [..]”


E em sua outra obra “História da Magia”, Éliphas Lévi fala sobre essa Magia: “Há muito tempo se confunde Magia com as prestidigitações dos charlatães, com as alucinações dos enfermos e com os crimes de certos malfeitores excepcionais. Muita gente, aliás, facilmente definiria a Magia com a arte de produzir efeitos sem causa. E, segundo esta definição, o povo dirá, que o bom senso que o caracteriza, mesmo em suas maiores injustiças, que a Magia é um absurdo. A Magia não poderia ser aquilo que dela fazem aqueles que não a conhecem. Não cabe aliás, a ninguém fazer dela isso ou aquilo; ela é o que é; em si mesma é como a matemática, pois é a ciência exata e absoluta da natureza e de suas leis.”


“A Magia é uma ciência dos magos antigos; e a religião cristã, que impôs silêncio aos oráculos mentirosos e eliminou todos os prestígios dos falsos deuses, reverencia ela própria os magos que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Salvador do mundo em seu berço. A tradição ainda atribui a esses magos o título de reis, porque a iniciação à Magia constitui uma verdadeira realeza e porque a grande arte é chamada por todos os adeptos de: ‘Arte Régia’, ou ‘Santo Reino’ (Sanctum Regnum).”


Por conta disso e pela ignorância das massas, condena-se o Vaticano pela imposição disciplinar aos padres, no tocante ao celibato/castidade. No entanto, a observância da disciplina é uma condição indispensável para o exercício do sacerdócio.



Para Éliphas Lévi, os fundamentos pelos quais se obriga o celibato/castidade, não poderiam ser minudenciados pela Igreja Católica, sob pena de ser obrigada a assumir sua relação com as práticas da Alta Magia, técnicas essas que pertencem à esfera da ciência noética, conhecidas deste os tempos antigos. A sua revelação ao vulgo poderia produzir conseqüências mais desastrosas do que a criticada imposição do celibato aos seus padres.


Além disso, segundo esse ocultista: “As operações mágicas são o exercício de um poder natural, mas superior às forças ordinárias da Natureza. ...Para fazer milagres (ou, o natural extraordinário) é preciso estar fora das condições comuns da humanidade...”


“O Mago deve ser impassível, sóbrio e casto, desinteressado, impenetrável e inacessível para qualquer espécie de preconceito ou terror. Ele deve estar sem defeitos corporais e reservado contra todas as contradições e todas as dificuldades. O primeiro e mais importante de operações mágicas é o conseguimento desta preeminência rara.”


No entanto, dentre todas essas práticas o celibato é as mais difícil porque exige o domínio da natureza humana mais fortemente impregnada, para permitir o exercício dos poderes mágicos de excelência, como por exemplo, curar enfermos e até ressuscitar pessoas (como Jesus fazia e afirmava: João, 14:12- Vós podeis fazer o que eu faço e muito mais) que tenham passado pela transição (morte) recente e cujos corpos ainda estejam com as funcionalidades orgânicas suficientes para que possam retornar à vida sem sequelas.


Em sua “História da Magia”, Éliphas Lévi diz: Conformando-se às regras da força eterna, o ser humano pode se assemelhar ao poder criador e se tornar criador e conservador com ele. Deus não limitou a escada luminosa de Jacó a um número reduzido de degraus. Tudo o que a natureza fez inferior ao ser humano ela submete a ele. Cabe a ele aumentar seu domínio, elevando-se sempre! Assim a extensão e mesmo a perpetuidade da vida, a atmosfera e suas tempestades, a terra e seus filões metálicos, a luz e suas prodigiosas miragens, a noite e seus sonhos, a morte e seus fantasmas, tudo isso obedece ao régio cetro do mago, o bastão pastoril de Jacó, à vara fulminantes de Moisés. O adepto se faz rei dos elementos, transformador dos metais, árbitro das visões, diretor dos oráculos, senhor da vida, e isso na ordem matemática da natureza e em conformidade com a vontade das Inteligência Suprema. Eis a Magia em toda a sua glória! Mas quem ousará no nosso século depositar fé nestas palavras? Para aqueles que queiram estudar sinceramente e autenticamente saber, chegou o tempo em que tudo deve ser dito e nos propomos a tudo dizer.”


Assim, segundo os ocultistas, os padres realizam a Magia, quando celebram as missas conectando os homens com a mente cósmica, expedindo bênçãos (transmissão de energia) e aliviando as mentes conturbadas pela remissão dos seus pecados, mediante o reconhecimento dos seus erros, e prescrevendo penitências para esse efeito.


Vale observar que no Oriente a Ioga Tântrica também trabalha com as energias sexuais, que para os seus praticantes são energias geradoras e regeneradoras, com as quais realizam os fenômenos que o vulgo considera como sobrenaturais. Para produzir essa energia os praticantes da Ioga Tântrica Branca se submetem a uma autodisciplina, de sorte que possam controlar seus orgasmos, cujas energias eles endereçam para os seus acumuladores internos, alojados nos seus corpos.


Tal energia sexual, como explicam os ocultistas, são utilizadas para produzir algum efeito específico nas operações chamadas mágicas ou metafísicas, como já mencionamos anteriormente. Por conseguinte, as relações sexuais prejudicam o sacerdócio, porque corrompem a qualidade dessa energia, seja por conta da sujeição ou exposição às doenças venéreas ou sexualmente transmissíveis, assim como às emanações de ordem psicológicas, como a tristeza, a ansiedade, a luxúria e as desilusões.


Nota: Este artigo tem por finalidade apenas de trazer uma informação ao leitor, de como os ocultistas explicam a questão do celibato. Portanto, não se trata de opinião deste blogueiro.



[1] Há quem diga que o nome de nascimento de Éliphas Lévi  era Alfred Charles Constant e que, posteriormente  mudou o nome para Éliphas Lévi Zohed, nome esse em hebraico, por influência da Kabbalah.
[2]  A Magia era chamada pelos antigos magos, de Santo Regnum, ou seja, o Santo Reino (Reino de Deus).  E os reis desse conhecimento oculto para as massas são os padres que praticam seus sacrifícios e preces.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ESTAR ACORDADO É ESTAR VIVO









[...]
“Já houve um pastor que vivia
Imerso em tão altos pensamentos
Como os montes onde os rebanhos
Davam-lhe calor e alimentos”

[..]
“Milhões estão despertos para o trabalho físico, mas apenas um em cada milhão está suficientemente desperto para o efetivo exercício intelectual, e apenas um em cada cem milhões para a vida poética ou divina. Estar acordado é estar vivo. Até agora nunca encontrei um homem inteiramente acordado. [...]”

(Thoreau, Henry David, Walden ou a Vida nos bosques e a Desobediência Civil, tradução de Astrid Cabral. — 7ª Ed. São Paulo: Ground, 2007)

domingo, 9 de setembro de 2012

DEIXEI DE SER PEDREIRO













Por Luiz Carlos Nogueira





   




Deixei de ser pedreiro e vou tentar ser garimpeiro,
procurando pedras justas, perfeitas e brilhantes,
que não precisam ser diamantes, para serem o bastante.

Com uma bateia pequena, vou colher seixos de menos;
separá-los com cuidado, para achar tais pedras ocultas.
E numa loja bem montada, serão todas expostas, mas não para venda.

Pois o brilho delas que atrai, mostrará que são tesouros,
recolhidos não dos abrolhos, mas bem do fundo, quem sabe
até do interior da terra, como se refere a frase bem feita:

“Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem”
(V.I.T.R.I.O.L - “visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta”)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O MEDO DE SER CRISTÃO - Por Humberto Pinho da Silva



    
                                                  






Apesar da maioria das pessoas que vivem no nosso País serem crentes, e muitas católicas praticantes, não se ouve a sua voz nem se deslumbra a influência na sociedade.


A razão desse silêncio é facílimo de explicar: os católicos envergonham-se da sua Fé.


Envergonham-se, porque não há - ou poucos são, - os jornalistas, escritores, artistas plásticos, cançonetistas e políticos, que se declarem crentes; e sabemos o motivo dessa insólita atitude: sempre que o fazem, são taxados de retrógrados ou piegas.


Vivemos numa época em que os valores morais, os bons costumes, a religiosidade, são considerados preconceitos, próprios de mentalidades tacanhas, de ignorantes e analfabetos.


Quem se indigna, levante a voz contra desvarios, maus exemplos de novelas televisivas, infâmias que certa imprensa difunde, quem não pensar como a maioria, é execrado, marginalizado, varrido da elite bem falante, que possui acesso à mass-media.


Ortega y Gasset afirma in “ Revolta das Massas”:” Quem não pensa como toda a gente, corre o risco de ser eliminado.”


E como ninguém aceita ser riscado do convívio dos iluminados, dos que têm poder e conseguem construir ou destruir carreiras promissoras, refugia-se no silêncio, escondendo valores e Fé que professa.


Isso é mau. É mau, porque se os católicos não falarem, não divulgarem a Fé, aos poucos esta extingue-se.


É a minoria, como se sabe, que forma a opinião da maioria. Esta apenas repete o que ouve e vê.


As ideias, tanto boas como más, “ enchem o ar”, como ondas de rádio. Ninguém as vê, ninguém sabe por onde andam, mas entram sorrateiramente na alma de cada um.


Os receptores, aos milhares, encontram-se prontos a receber a mensagem e a difundi-la, mas se não houver emissor, se não houver quem difunde, quem a pode escutar?


Gabriel Marcel em: “ Os Homens Contra o Homem”, assegura: que a opinião pública é coisa mais maleável do mundo. A publicidade sabe que isso é verdade, e também os enganadores, que procuram aniquilar valores que sempre orientam o nosso povo, sabem, que paulatinamente, tudo de santo, de honesto, que o coração conserva, será destruído.


Mas se a calamidade que desabou, minando a juventude, retirando  pudor e dignidade à mulher, persiste, é devido aos crentes envergonharem-se de a rebater; e não a rebatem, porque se encontram desunidos e amam mais os homens que a Deus.


Urgente é levar Cristo aos cristãos. Urgente é sair a terreiro, pelejar os desacertos que querem impingir, em nome da liberdade e direitos da mulher. È urgente levantar bem alto, em unicíssimo, a voz contra os atentados à dignidade humana.


Está na hora dos crentes, que o são: professores, artistas, escritores, jornalistas, políticos, se unirem e clamarem bem alto: BASTA!


Basta de ter medo! Basta o receio de ser diferente! Basta de ser duplo: cristão no templo, no resguardo da comunidade, e agnóstico no mundo! Basta de ter medo dos que querem destruir os nobres valores do nosso povo!


Basta!




HUMBERTO PINHO DA SILVA   - Porto, Portugal

 
 
Matéria enviada pelo autor por e.mail, para ser publicada – Confira-a no Blog PAZ, clicando aqui.
http://solpaz.blogs.sapo.pt/

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Deísmo – uma das suas formas conceptuais


 

 

 

Luiz Carlos Nogueira

nogueirablog@gmail.com

 

 

 

 

 

Conforme o Dicionário Caldas Aulete, define-se filosóficamente, o substantivo masculino — Deísmo — como um “Sistema ou atitude dos que admitem a existência de um Deus, mas que negam a autoridade de qualquer Igreja”

 

Para os deístas, há um Deus criador do universo que não interfere diretamente no mundo, porquanto o mesmo é governado pelas leis naturais Dele emanadas e que a ciência reconhece muitas delas, por meio da química e da física. É justamente por conta disso, que os deístas não reclamam sacerdotes para o mundo, pois o ser humano não precisa de intermediários, já que as Leis de Deus se cumprem, e para isso basta observarmos a harmonia dos astros e planetas, sustentados por uma força invisível e guiados como que por uma consciência que tudo envolve, desde a microscópica ameba .

 

E em não havendo necessidade de sacerdotes, também não há necessidade de rituais ou qualquer coisa parecida. Porém, entre os deístas as opiniões não são necessariamente iguais, mas no geral refutam a idéia de que a Bíblia revela a Palavra de Deus. Segundo eles, não há como saber os planos de Deus para a humanidade e as religiões não passam de invenções humanas, como um meio de controle social.

 

A maioria dos deístas, se não exagero, afirma que, se uma revelação realmente tenha acontecido para alguém, então ela só poderá valer apenas para esse alguém que a recebeu, não significando que possa se transformar numa verdade absoluta e universal, para se tentar impô-la a todos.

 

O Deísmo, no campo das investigações metafísicas converge para a lógica e enfrenta as questões sobre a existência de Deus através da razão, que é completamente distanciada das religiões teístas que professam a fé dogmática, que acreditam nas revelações divinas e nas tradições nunca questionadas. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e das Leis da Natureza.

 

O fato de alguém simplesmente não acreditar nas religiões, isto só não a coloca sob a denominação de deísta. Da mesma forma, como ser deísta não é simplesmente a pessoa acreditar em Deus. É necessário que tal pessoa veja o mundo e a vida nele inserida, sob o ponto de vista científico – portanto, racional, de sorte que pode conceber a idéia de que Deus, não interferindo no mundo, deixa-o seguir o seu curso natural amparado por suas leis que a ciência conhece muitas delas.

 

Para um grande número de deístas que conheço, se existem milagres — a própria vida, a inteligência humana, a harmonia dos mundos, a consciência ainda que rudimentar dos vegetais, as organizações das estruturas geométricas dos cristais, etc. etc, — são milagres. Não há necessidade de alguém fazer um bule voar,  para dizermos que isso seria um milagre, porque o mais difícil, para não dizer impossível, seria alguém fazer inverter a lei da gravidade. De tal sorte, fora disso, para os deístas, tudo o que aparentemente é um milagre — não é senão fruto das leis naturais emanadas de Deus.

É interessante trazer a lume, como Plotino, filósofo[1] que viveu no período de 205 a 270 d.C, glorificado como “o pai do neoplatonismo”, filosofava sobre Deus, referindo-se a Ele como o UNO:

[...]
“O Uno  é todas as coisas e não é nenhuma delas. Ele é o princípio (archê) de todas as coisas; e, se não é nenhuma delas, no entanto é todas as coisas de um modo transcendente, pois de certo modo, elas estão no Uno. Ou melhor, nem todas estão nele, mas estarão. Então, como todas as coisas provêm do Uno, que é simples e não tem em sí multiplicidade alguma e nem mesmo dualidade alguma? É pelo fato de nada haver nele que todas as coisas provêm dele. Para que o Ser possa existir, o Uno não é ser, mas sim o gerador do Ser.[..]”

 [...]
“Portanto, o Uno não é a Inteligência, mas está antes da Inteligência. Pois a Inteligência é algo que faz parte dos seres, mas o Uno não é algo, uma vez que está antes do algo. E o Uno também não é o Ser, pois o Ser tem, de certo modo, uma forma, que é a do Ser; mas o Uno é privado de forma, mesmo de forma inteligível. Uma vez que a natureza do Uno gera todas as coisas, ele não é nenhuma delas. Assim, não se pode dizer nem que ele é alguma coisa, nem que é qualificado ou quantificado, nem que é Inteligência ou Alma. Ele não é movido, mas tampouco está em repouso; não está num lugar, nem no tempo. Ele está em si mesmo, tendo a forma da unicidade. Ou melhor: é sem forma (amorphon), anterior a toda a forma, anterior ao movimento e anterior ao repouso, pois tais coisas se encontram no Ser, e são elas que fazem com que ele seja múltiplo.”

“[...] tais definições não passam de nossas próprias percepções e estados que tentamos exprimir, nós que circulamos exteriormente ao seu redor, às vezes nos apoximando, às vezes nos afastando d’Ele devido ao enigma no qual está envolvido.”

“A maior causa dessa dificuldade decorre do fato de a compreensão do Uno não poder se dar nem pelo raciocínio (logismoi), nem pela percepção intelectual — como ocorre com os outros objetos do pensamento -, mas por uma presença que é superior a qualquer raciocínio.[...]”

Segundo pensam os deístas, Deus não dá prêmios e nem castigos às pessoas, pelos seus atos, porque acreditam que cada um é responsável por suas ações e, portanto, se sujeitam às consequências que delas possam advir. É algo parecido como a Lei da Causa e Efeito, ou a Lei do Carma, segundo a qual, cada um colhe o que planta.

 

Por essa forma de pensar, os deístas não rezam para pedir benesses ao Deus desconhecido — suas preces são feitas sim — mas de agradecimento.

 

 

 




[1] Tratados das Enéadas/Plotino; tradução, apresentação, introdução e notas de Américo Sommerman. — São Paulo: Polar Editorial, 2000.