sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aprendendo a aprender

Vista da Guarda e Rio da Madre de Cima da Pedra do Urubú, Guarda do Embaú, SC, Brasil - Foto: Naiana (Rose Naiana Bregolato Bossle)


Observando, aprendemos


Cheng era o discípulo de um sábio monge de nome Ling.


Um dia, quando Cheng acreditava estar pronto para assumir a condição de liderar seu povo, foi conversar com seu mestre, e este lhe perguntou:


- Observe este rio, qual a importância dele?


Eles se encontravam no alto de uma montanha. Cheng observou o rio, o seu vale, a vila, a floresta, os animais e respondeu:


Este rio é a fonte do sustento de nossa aldeia. Ele nos dá a água que bebemos, os frutos das árvores, a colheita da plantação, o transporte de mercadorias, os animais que estão ao nosso redor e muito mais. Nossos antepassados construíram estas casas aqui, justamente por causa dele. Nosso futuro também depende deste rio.


O monge Ling colocou a mão na cabeça do discípulo e pediu-lhe que continuasse a observar.


Os meses se passaram e o mestre procurou Cheng.


- Observe este rio, qual a importância dele?- repetiu a pergunta ao discípulo.


Este rio é fonte de inspiração para nosso povo.


Veja sua nascente: ela é pequena e modesta, mas com o curso do rio, a correnteza torna-se forte e poderosa. Este rio nasce e tem um objetivo: chegar ao oceano, mas para lá chegar terá de passar por muitos lugares e por muitas mudanças. Terá de receber afluentes, contornar obstáculos.


Como o rio, temos de aprender a fluir. O formato do rio é definido pelas suas margens, assim como nossas vidas são influenciadas pelas pessoas com as quais convivemos. O rio sem as suas margens não é nada.


Sem nossos amigos e familiares também não somos nada.


O rio nos ensina, ainda que uma curva pode ser a solução de um problema, porque logo depois dela podemos encontrar um vale que desconhecíamos. O rio tem suas cachoeiras, suas turbulências, mas continua sempre em frente porque tem um objetivo. Ensina-nos que uma mudança imprevista pode ser uma oportunidade de crescimento. Veja no fim do vale: o rio recebe um novo afluente e, assim, torna-se mais forte.


O monge Ling colocou a mão na cabeça do discípulo e pediu-lhe que continuasse a observar.


Os meses se passaram e novamente o mestre perguntou:


- Observe este rio: qual a importância dele?


Mestre, vejo o rio em outra dimensão. Vejo o ciclo das águas. Esta água que está indo já virou nuvem, chuva e penetrou na terra diversas vezes. Ora há a seca, ora a enchente. O rio nos mostra que se aprendermos a perceber esses ciclos, o que chamamos de mudança será apenas considerada como continuidade de um ciclo.


O mestre colocou a mão na cabeça do discípulo e pediu-lhe que continuasse a observar.


Os meses se passaram e o mestre voltou a perguntar a Cheng:


- Observe este rio, qual a importância dele?


Mestre, este rio me mostrou que cada vez que eu o observo, aprendo algo novo. É observando que aprendemos. Não aprendo quando as pessoas me dizem algo, mas sim quando as coisas fazem sentido para mim.


O mestre sorriu e disse-lhe com serenidade:


- Como é difícil aprender a aprender! Vá e siga seu caminho, meu filho.


Alexandre Rangel


Fonte: Site do Rivalcir Liberato – clique aqui para conferir



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