quinta-feira, 2 de junho de 2011

Maçonaria: Histórico do Rito Escocês Antigo e Aceito - Pelo Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente de Mato Grosso do Sul - Dr. Amilcar Silva Júnior






RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

Primeiro dístico do Supremo Conselho






Prezados Irmãos


Por ter recebido a Luz Maçônica numa loja que trabalha no Rito Escocês, deparei-me com uma enorme carga de informações sobre a tônica escocesa e, a par das dificuldades de se conhecer realmente a sua doutrina, história e sistema graduado desse tão amado e controverso rito maçônico, tivemos a idéia de apresentar aos irmãos o presente trabalho, aproveitando a data de 31 de maio, quando se comemora 210 anos da fundação do primeiro Supremo Conselho.


Nascido nos Estados Unidos da América, com formação e conteúdo francês, leva o nome escocês. Este rito tem grande aceitação na América Latina e em alguns países da Europa[1].


Surgiu depois de anos e anos de transformações, num período de grande movimentação na maçonaria ainda incipiente e sem a ordenação que temos hoje.


No inicio do Século XVIII, não existia na Maçonaria a denominação de rito. As cerimônias eram realizadas em tavernas, lugares fechados, pátios de igrejas, enfim, nem se cogitava em falar de “templo maçônico”[2], tal qual temos na atualidade.


Evidente que tais cerimônias eram muito simplificadas[3] se comparadas com as que conhecemos. Mas já existiam diferenças e regionalismos. Na Inglaterra na forma dos ingleses, na França, do jeito e gosto dos franceses. Na Alemanha.... assim, havia diferenças e interpretações diversas, dependendo dos costumes locais.


Na França, havia um sistema político ainda com raízes nos feudos, considerando nobre apenas a origem de nascimento. Porém a burguesia em ascensão social e financeira, buscava títulos pomposos, nobreza, reconhecimento social, mesmo sem ter a tão valorizada “origem” de família nobre. Isso influiu decisivamente na aceitação da Maçonaria que valorizava a todos, independente da origem, igualando os irmãos, oportunizando a conseguir títulos de “príncipe”, “cavaleiro”, “soberano”, “mestre”, etc. mesmo que simbólicos!


Para o estudo do REAA é imprescindível dizer que a data de 1737 é fundamental, pois um maçom escocês chamado Andrès Michel de Ramsey escreveu um famoso discurso, no qual pretendia ele ligar a maçonaria de então com os Reis e Príncipes das Cruzadas, trazendo Ordens de Cavalaria para alegria e satisfação dos aristocratas franceses.


É certo que se tratava de fantasia, imaginário de Ramsay, mas isso deu uma conotação imensa para os maçons e lojas francesas, que renderia muito. Resumindo: era o que se queria na época!


Em 1743 o Conde de Clermont, Louis de Bourbon, foi eleito Grão-Mestre e incentivou a aceitação das Ordens de Cavalaria nas mais de 200 lojas existentes na França naquela época. Em 1744 surge uma “Loja de Perfeição” na cidade de Bordeaux para trabalhar graus de cavalaria. Com essa idéia em expansão, em 1754, o maçom Cavaleiro de Bonneville cria uma organização maçônica denominada “Capítulo de Clermont”[4], que passou a difundir uma Ordem originada da aristocracia e com raízes nas Cruzadas, a continuar os princípios adotados pela Loja de Saint-Germian-em-Laye, que diziam, já praticava “Altos Graus”, que na época eram sete[5].


Mas teve vida efêmera, pois já em 1758, em Paris, criaram o “Conselho[6] dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”[7], ou “Soberana Loja Escocesa de S. João de Jerusalém”[8], nitidamente ligada as Cruzadas e ao gosto dos aristocratas que dominavam a Ordem, absorvendo o “Capitulo de Clermont” e seus graus.


Neste Conselho passou-se a organizar um sistema de cerimônias, pela primeira vez aparecendo o nome “rito”, nominando-o como “Rito de Heredon”, com 25 graus, conforme alguns escritores, assim divididos em categorias: 1ª) Graus Simbólicos primitivos e universais; 2ª) Graus de desenvolvimento dos Graus Simbólicos e universais; 3ª) Graus baseados no Iluminismo do Tribunal da Santa Vingança ou Santa Vehme; 4ª) Graus judaicos e bíblicos; 5ª) Graus Templários; 6ª) Graus Alquímicos e Rosacrucianos; 7ª) Graus Administrativos e Superiores.


Como visto, dois pontos foram primordiais no estabelecimento do Rito: a base no sistema Judaico-Cristão e a forte influência da aristocracia. Seus membros, conhecedores de várias tradições místicas e gnósticas antigas, trouxeram para este corpo maçônico as influências templárias, rosacrucianas e egípcias, além de se dizerem herdeiros do “Capítulo de Clermont” e das correntes escocesas de Kilwinning e Heredom. Estava assim decretada a influência esotérica na Ordem. Em 1762, sob os auspícios deste Conselho, foram publicados os Regulamentos e Constituição da Maçonaria de Perfeição, elaborados por nove comissários, denominada “Constituição de Bordeaux” em 21.9.1762.


Este sistema foi levado à América Central por Stephen ou Etienne Morin[9], comerciante Francês que, em São Domingo, hoje Haiti, estabeleceu lojas para se trabalhar todos os graus. Morin recebeu uma Patente provavelmente datada de 1761 do Conselho dos Imperadores que lhe autorizava fundar lojas e comunicar graus.


Morin teria conferido Certificados de Graus ou Cartas Patentes a outros Irmãos e um deles foi Henry A. Francken, também de origem judaica, que teria estabelecido o Rito em Nova York. Outros irmãos introduziram levaram para Charleston em 1783, conforme registros antigos conhecidos.


Na mesma colônia francesa de São Domingo (Haiti) alguns anos mais tarde, Morin teria iniciados o Conde Alexandre-François Auguste de Grasse-Tilly (filho de herói que lutou pela independência dos EUA) e o seu sogro Jean-Baptiste Marie Delahogue (pessoa de grande influência política na colônia francesa), os quais, posteriormente, em 1793, se mudaram para Charleston. Em 1895 fundaram uma loja denominada La Candeur (a candura), composta somente de católicos franceses, sendo Delahogue seu primeiro venerável. Esta loja teve o numero 12 pois já existiam 11 filiadas a Grande Loja da Carolina do Sul.


Grasse-Tilly já pensava em fundar um Supremo Conselho naquela cidade. Lá encontraram mais dois Maçons que aderiram a esta idéia, Frederik Dalcho e John Mitchel (que posteriormente se tornou o primeiro Soberano Comendador), que ajudaram a formatar o Rito de Heredon ou Rito de Perfeição com mais oito graus.


Finalmente, em 31 de maio de 1801, onze irmãos fundaram em Charleston, Estados Unidos da América, por onde passa o Paralelo 33, o primeiro Supremo Conselho do Grau 33, adotando como base o Rito de Heredon de 25[10] graus de 1758 passando para 33[11] graus, tal como conhecemos.


Interessante notar que não se usava as palavras “rito” e “escocês”, mas “Supremo Conselho do Grau 33”, dando a idéia de que o grau elevado era o mais importante. Até hoje muitos supremos não usam o título “rito escocês”.


A partir de então, apareceram sistemas baseados no escocismo, assim conhecidos: Rito Escocês de Cernau; Rito Escocês Primitivo; Rito Primitivo de Namur; Rito Escocês de Narbona; Rito Escocês Filosófico da Loja-Mãe de Marselha; Rito Escocês Filosófico da Loja-Mãe Escocesa da França; Rito Escocês Filosófico; Rito das Regras Escocesas Retificadas; Rito do Escocismo Reformado de San Martin; Rito Escocês Fiel; Rito do Escocês Trinitário; Rito “Le plus Secrets Mysteres” e Rito dos Escoceses dos Sete Graus. Mas apenas dois ainda são praticados: o Rito Escocês Antigo e Aceito e o Rito Escocês Retificado.


Por ter base no sistema Judaico-Cristão, adotou-se a cor vermelha como principal, haja vista que no catolicismo é a cor do sangue e o símbolo da efusão do sangue por amor. É a cor dos mártires da Igreja. Além disso, distingue a alta dignidade cardinalícia. Os cardeais, que, na hierarquia mundana correspondem aos príncipes, usam o chapéu – ou solidéu – vermelho e a faixa vermelha, como sinal de sua distinção. Desde passado remoto a cor da nobreza, da realeza, é a vermelha. Todos os antigos reinantes, ao assumir o trono, recebiam, sobre os ombros, um manto vermelho. Famosa é a cor púrpura imperial, com que os imperadores romanos eram revestidos, quando de sua ascensão ao trono. A própria púrpura cardinalícia, já referida, é um sinal de nobreza na Igreja.


Um fato curioso é que o interstício previsto na época para progredir do grau 1 ao 25 era de 81 meses, pois 8+1 são nove e 9x9 são 81! Enfim, representa a Corda de 81 nós, pois 81 é o quadrado de 9 que por sua vez é o quadrado de 3, numero perfeito e de alto valor místico para todas as antigas civilizações e religiões.


O Supremo Conselho de Charleston, em 1801, adotou as chamadas “Grandes Constituições” que teriam, pretensamente, sido escritas pelo Rei Frederico II da Prússia, de 1786, dando a “conotação” histórica e a “origem” real dos regulamentos a serem seguidos.


Importante discurso foi pronunciado pelo Grande Soberano Comendador do Supremo Conselho da França (o mais antigo da Europa, fundado em 1804), o Irmão Hubert Greven, no Oriente de Florianópolis-SC em l4.09.2000, por ocasião da abertura da XXI Assembléia Geral Ordinária da Excelsa Congregação de Supremos Conselhos do REEA do Brasil, que transcrevemos:


“A França é o berço do Rito Escocês Antigo e Aceito. Os Altos Graus que o caracterizam nasceram lá em l743 com o grau de Mestre Escocês, assim chamado em homenagem aos maçons operativos da Escócia que tinham conservado os usos e tradições dos construtores “góticos” tornados obsoletos na Inglaterra e na França. No dia 27 de agosto de l761, a Grande Loja entregou a Etienne Morin, a caminho das Antilhas, Cartas Patentes de Grande Inspetor para as lojas francesas da América, que lhe davam poder para espalhar os “Sublimes Graus”. Ele os organizou num Rito de Perfeição regido por Constituições que se davam por terem sido elaboradas em 1762 em Bordeaux e tendo como Padrinho, Frederico II, rei da Prússia. O Rito foi propagado nas colônias inglesas da América por “Deputy Inspectors General” de seu 25º e último grau (Príncipe do Real Segredo), tendo seus poderes de Morin. Progressivamente, o Rito foi organizado segundo uma hierarquia de 33 graus.


É desta forma que o Coronel Mitchel recebeu em Charleston, Carolina do Sul, comunicação de seu 33º grau e das Grandes Constituições deste grau datadas do dia 01.05.1786 e atribuídas miticamente sem dúvidas ao grande Frederico.


Mitchel estabeleceu no dia 31.05.1801, o Supremo Conselho do 33º grau para os Estados Unidos da América que, no dia 21.02.l802 completava-se no número estatutário de nove membros cooptando dois (Deputy Inspectors General) franceses refugiados de São Domingos após a revolta dos escravos, o conde de Grasse Tilly e seu sogro Delahogue.


O Rito Escocês Aceito e Aceito estava definitivamente organizado. Recebeu estes qualificativos porque o Supremo Conselho de Charleston admitia indiferentemente, nos graus escoceses, Mestres Maçons das duas Grandes Lojas rivais que existiam então na Carolina do Sul como na Inglaterra a Grande Loja dos Antigos Maçons de York e a Grande Loja dos Livres e Aceitos Maçons (modernos)”...
















Supremos Conselhos existentes no Brasil em maio de 2011:


1. Supremo Conselho do Grau 33 do REAA da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, com sede no RJ, Jacarepaguá, com o qual o GOMS mantém tratado desde 1992.


2. Supremo Conselho do Brasil para o REAA, sediado no RJ, no bairro de São Cristóvão, mantendo tratado com o Grande Oriente do Brasil.


3. Supremo Conselho dos Graus Escoceses 4 ao 33 para o Brasil - São Paulo, com o qual GOMS manteve tratado de 1979 até 1992.


4. Supremo Conselho do Rio Grande do Sul, 4º ao 33 do REAA


5. Supremo Conselho do Grau 33 do Paraná


6. Supremo Conselho do Grau 33 para a República Federativa do Brasil - Minas Gerais


7. Supremo Conselho do Grau 33 de Pernambuco


8. Supremo Conselho de Santa Catarina para o REAA


9. Supremo Conselho Estadual do Rio Grande do Norte do Grau 33 do REAA


10. Supremo Conselho do Grau 33 “Francisco de Montezuma”


11. Supremo Conselho do Piauí Para o REAA


12. Supremo Conselho do 33º e Último Grau do REAA da Franco-Maçonaria Mista para a República Federativa do Brasil – Porto Alegre


13. Supremo Conselho da Franco-Maçonaria Mista do Estado do Rio Grande do Sul.




O Grau 32, denominado “Príncipe do Real Segredo” era o mais alto grau do Rito de Heredon ou Rito da Perfeição de 1758. Em 1801 o grau máximo passou a ser o 33, “Soberano

Grande Inspetor Geral”, cuja investidura se dava apenas aos irmãos que ocupavam cargos no Supremo Conselho.








Antigos símbolos dos Supremos Conselhos, sempre destacando a águia bicéfala, a coroa e a espada, que eram muito valorizados pela aristocracia francesa. A mensagem “Deus e o meu Direito” (erroneamente alguns dizem Deus é meu direito) e a pretensão “Ordem deve vir depois do Caos”, demonstram a ligação dogmática, religiosa, baseada no sistema Judaico-Cristão, e a deliberada vontade do Supremo Conselho de organizar a Ordem Maçônica, com maçons de grandes conhecimentos e capacitação.



O manto vermelho cobrindo os símbolos do Grau 33 tem a finalidade de passar a idéia de que todos os irmãos que chegassem ao 33º grau seriam, simbolicamente, imperador, soberano, príncipe, comendador, cavaleiro! Essa idéia além de ser controvertida causou a procura pela maçonaria com outras finalidades, chegando a haver, em certo período da história, a comercialização de graus. Como o Supremo Conselho é derivado do Conselho de Imperadores de 1758, essa idéia de ter um imperador permaneceu em 1801 bem como vem sendo mantida até a atualidade.


Espero ter colaborado, mesmo que minimamente, para que o Rito Escocês Antigo e Aceito seja mais bem compreendido. Afinal, fizemos parte dele, não somos donos de sua história.


Fraternalmente

Amilcar Silva Júnior

Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente de Mato Grosso do Sul

Comab

BIBLIOGRAFIA



a) CASTELLANI, José. Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática. Ed. Maçônica A Trolha. 2ª. Ed. 1996.


b) CASTELLANI, José. O Rito Escocês Antigo e Aceito. Editora Maçônica A Trolha. 2.ª edição. 1996.


c) CASTELLANI, José. Curso Básico de Liturgia e Ritualística. Volumes I, II e III. Editora Maçônica A Trolha. 2.ª edição. 1994.


d) CASTELLANI, José. Consultório Maçônico VI. Editora Maçônica A Trolha. 1.ª edição. 1998.


e) BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. Editora Pensamento. 1948. Edição de 1997.


f) PINTO, Gilson da Silveira. Pérolas Maçônicas – Simbolismo das Cores na Franco-Maçonaria. Traduções. Editora Maçônica A Trolha. 1998.


g) CASTELLANI, José e Rodrigues, Raimundo. Análise da Constituição de Anderson. Editora Maçônica A Trolha. 1995.


h) As cores Vermelhas do Rito Escocês. Coletânea de diversos autores. Editora Maçônica A Trolha. 1994.


i) PROBER, Kurt. Frederico II, o Grande e a Maçonaria. Ed. 1998.


j) PROBER, Kurt. A História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil de 1832 a 1927. Ed. Kosmos. 1980.


k) Spoladore, Hercule. O primeiro Supremo Conselho do REAA no Brasil. Trabalho publicado na revista A Trolha.


l) CASTELLANI, José. O Supremo Conselho no Brasil. Síntese da sua história. Ed. Maçônica A Trolha. PR. 2000.


m) PROBER, Kurt. Explicação necessária... porque querem seja irregular o Supremo Conselho do Brasil?. Edição pessoal do autor. 1991.


n) RIBEIRO, João Guilherme. Os Fios da Meada. Origens, evolução e imagens do REAA. Ed. Zit Gráfica e Editora. RJ. 2007.


o) PIRES, Joaquim da Silva. O primeiro Degrau do REAA. Ed. Maçônica A Trolha. PR. 2009.


p) http://www.ugle.org.uk/freemasons-hall/



[1] Embora tenha sido fundado o primeiro Supremo Conselho nos EUA e tendo forte presença, as lojas simbólicas norte-americanas adotam o Rito de York, sendo que após o mestrado é que os irmãos procuram os Altos Graus Escoceses, verdadeira razão e motivo para a existência do Supremo. Somente no estado da Louisiana é que existem Lojas Simbólicas que adotam o REAA.


[2] Em 1775 a Grande Loja comprou uma casa de frente para a Great Queem Street, atrás da qual havia um jardim e uma segunda casa. Realizaram uma competição de projetos para construir um grande hall para interligar as duas casas. A casa da frente passou a ser o “Freemasons Tavern” e a casa de trás serviu para escritórios e salas de reunião. O desenho vencedor foi de Thomas Sandby. O edifício atual, o terceiro construído no local, foi edificado entre 1927 e 1933, com estilo “art déco”, sendo projeto dos arquitetos Henrique Victor Ashley e F. Winton Newman, como um memorial para os 3.225 maçons que morreram em serviço ativo na Primeira Guerra Mundial. É um edifício imponente. Inicialmente conhecido como o Memorial Maçônico da Paz, foi alterado seu nome para “Freemason’s Hall” na eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939. Além do Grande Templo (1700 lugares), existem 21 salas para Lojas (templos menores), todas decoradas diferentemente, Museu e Biblioteca, Conselho e Comissão e escritórios administrativos. O edifício é totalmente aberto à visitação pública.


[3] Com base no sistema operativo, voltado totalmente às lides da construção, era simples e sem pompas.


[4] Em homenagem ao Grão-Mestre Louis de Bourbon, Conde de Clermont.


[5] Nesta época já havia rivalidade, pois a Grande Loja de França não aceitava esses sete graus Tanto é que passou a preparar uma comissão para análises que culminou com o aparecimento do chamado Rito Francês ou Moderno, em atividade até os dias atuais.


[6] O nome original era Conseil des Empereurs d’Orient et d’Occident, Grand e Souveraine Loge Ecossaise Saint Jean de Jerusalen.


[7] Oriente e Ocidente, daí que surgiu a idéia de usar o símbolo da água bicéfala, que tem olhos voltados para o oriente e para o ocidente, copiando a águia romana que olhava o Império Romano se estendendo para todas as partes conhecidas do mundo na época. A águia sempre foi um símbolo fantástico, pois é a ave que pode voar mais alto, mais perto do céu, mais perto da Divindade.


[8] A conotação cristã (São João) e a palavra Jerusalém não deixam duvidas quanto à cristianização e a ligação com as Cruzadas, guerras santas que tentaram “libertar” o Santo Sepulcro dos árabes e criar um Reino Latino no Oriente Médio, o que foi conseguido por aproximadamente 200 anos.


[9] Morin era comerciante e representante de fábricas de vinhos franceses, mas seu primeiro nome ainda gera dúvidas.


[10] Esse Rito se dividia em sete classes assim divididas: 1ª. Classe: graus simbólicos de Aprendiz-1, Companheiro-2 e Mestre-3; 2ª classe: Mestre Secreto-4, M. Perfeito-5, Secretário Íntimo-6, Preboste e Juiz-7, Intendente-8; 3ª. Classe: M. Eleito dos Nove-9, M. Eleito dos Quinze-10, Sublime Cavaleiro Eleito-11; 4ª. Classe: Grão-Mestre Arquiteto-12, Cavaleiro da Real Arca (ou Arco)-13, Grande Eleito-14; 5ª. Classe: Cavaleiro do Oriente-15, Príncipe de Jerusalém-16, Cavaleiro do Oriente e Ocidente-17, Soberano Príncipe Rosa-Cruz-18, Grande Pontífice, Mestre Ad Vitan-19; 6ª. Classe: Grande Patriarca Noachita-20, Grão Mestre da Chave da Maçonaria-21, Príncipe do Líbano ou Cavaleiro do Real Machado-22; 7ª. Classe: Soberano Príncipe Adepto-23, Grande Comendador da Águia Negra-24 e Soberano Príncipe do Real Segredo-25.


[11] Acrescentaram os graus de Chefe do Tabernáculo-23, Príncipe do Tabernáculo-24, Cavaleiro da Serpente de Bronze-25, Escocês Trinitário ou Príncipe da Merci-26, Grande Comendador do Templo-27, Grande Escocês de Santo André-29, Grande Inquisidor Comendador-31 e Soberano Grande Inspetor Geral-33, dividindo os graus 4 a 33 em quatro câmaras distintas.


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